09/10/2014 10h03

Estudo analisa nova composição da Câmara por gênero e raça

Parlamentares brancos representam mais de 70% das vagas e as mulheres apenas 9,9. Dados não refletem realidade populacional brasileira.

Divulgação/Prefeitura de Goiânia
Direitos Humanos e Minorias - Negros - Igualdade racial
Homens negros e pardos e mulheres costumam ter maiores dificuldades para financiamento de suas campanhas, diz pesquisador

A nova bancada da Câmara Federal foi renovada em 46,39%. No dia primeiro de fevereiro de 2015, vão tomar posse 238 deputados novos e 275 reeleitos.

Pela primeira vez, os candidatos às eleições brasileiras declararam a sua própria cor ou raça. Na nova composição da Câmara dos Deputados, os parlamentares brancos representam mais de 70% das vagas, enquanto que os negros ocupam apenas 3,5%.

As mulheres conquistaram mais quatro cadeiras. Com isso, a bancada feminina cresceu de 47 para 51 deputadas. As parlamentares brancas ocupam 8% das cadeiras, as pardas representam 1,6% e as negras 0,6%.
Na América Latina, o Brasil é o segundo país com menor índice de mulheres em cargos legislativos federais. Apenas 9,9% dos deputados federais. A média nas Américas é de 22%, sendo que a Argentina e a Costa Rica são destaques, com 38% cada.

Os dados sobre a composição da Câmara de acordo com o gênero e a raça fazem parte de um estudo do sociólogo e professor do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ Luiz Augusto Campos. E não refletem a realidade do país, já que, segundo o Censo de 2010, metade da população brasileira é composta por negros e pardos, e as mulheres são maioria.

A partir de pesquisas anteriores, Luiz Augusto Campos afirma que homens negros e pardos e mulheres, independentemente da cor, costumam ter maiores dificuldades para conseguir financiamento para suas campanhas.

Confira os detalhes no áudio da entrevista.

Apresentação – Elisabel Ferriche e Lincoln Macário