01/02/2017 - 16h59

Comissão de Transportes aprova trânsito de motos entre veículos em fila

Lucio Bernardo Junior/Câmara dos Deputados
Reunião Ordinária. Dep. Hugo Leal (PSB-RJ)
Hugo Leal apresentou um texto substitutivo que reúne o contéudo de seis projetos de lei

A Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados aprovou proposta que autoriza o trânsito de motocicletas, motonetas e ciclomotores entre veículos em fila.

Para a passagem ser permitida, três condições precisam ser cumpridas:
- o fluxo de veículos deve estar parado ou muito lento;
- a passagem deve ser feita em velocidade reduzida e compatível com a segurança de pedestres, ciclistas e demais veículos;
- quando houver mais de duas faixas na pista, a passagem da moto só poderá acontecer entre as duas faixas mais à esquerda – a não ser que uma seja exclusiva de ônibus.

O texto proíbe a passagem entre a calçada e os veículos da faixa ao lado. O projeto também permite o desenho de faixas exclusivas para motos à frente das de veículos junto a semáforo.

Quem conduzir moto em desacordo com as condições da proposta cometerá infração grave com multa de R$ 195,23 e 5 pontos na carteira.

Ultrapassagem
O projeto altera o Código de Trânsito Brasileiro (Lei 9.503/97), que hoje considera infração grave, punida com multa, ultrapassar outros veículos que estejam parados em fila. A ultrapassagem de veículos em fila ou parados continua como infração grave nos demais casos, com exceção de veículos não motorizados.

O texto aprovado é um substitutivo do deputado Hugo Leal (PSB-RJ), que reúne o Projeto de Lei 5007/13, do senador Jorge Viana (PT-AC), e cinco apensados (PLs 1517/11, 2987/11, 3043/11, 3886/12 e 5262/13). O projeto original obriga os órgãos municipais de trânsito a reservar faixa ou pista exclusiva para a circulação de motocicletas nas vias com tráfego pesado.

A proposta inclui na lei da Política Nacional de Mobilidade Urbana (12.587/12) as calçadas, passeios e faixas de pedestre entre as infraestruturas de mobilidade urbana. A lei atual coloca como estrutura itens como estacionamentos, vias e sinalização, por exemplo.

Segundo Leal, a criação de faixas exclusivas para motos não resolve o problema. Ele citou o caso de São Paulo, em que a ideia foi tentada em três avenidas. Depois de um aumento de 700% nos acidentes, as faixas foram abandonadas. “Faixas exclusivas para motos criariam conflitos com as para ônibus e bicicletas, mais segregação em um espaço reduzido e com grande quantidade de veículos e pedestres”, disse.

Em 2015, foram pagas 497 mil indenizações referentes a acidentes com moto, 76% do total, segundo boletim estatístico da Seguradora Líder sobre o uso do seguro DPVAT.

Aumento de pena
A proposta também aumenta o rigor da punição contra quem transitar na faixa ou pista da direita, regulamentada como de circulação exclusiva para determinado tipo de veículo. Pela proposta, a infração, que hoje é tratada como leve, passará a ser considerada média.

O texto também deixa clara a responsabilidade do órgão municipal de “planejar, projetar, regulamentar, implantar e operar” esquemas especiais de circulação em vias com elevado volume de tráfego, para melhorar a segurança do trânsito.

Punições
O Código de Trânsito estabelece quatro níveis de multas:
- gravíssima: R$ 293,47 e 7 pontos na carteira (o valor pode ser multiplicado em até cinco vezes em certas circunstâncias);
- grave: R$ 195,23 e 5 pontos na carteira;
- média: R$ 130,16 e 4 pontos na carteira; e
- leve: R$ 88,38 e 3 pontos na carteira.

Tramitação
A proposta tramita em regime de prioridade e em caráter conclusivo e ainda será analisada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. A Comissão de Desenvolvimento Urbano aprovou um dos apensados (3886/12) em setembro de 2013.

Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Pierre Triboli

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Comentários

Douglas | 07/06/2017 - 23h25
O art.56 do CTB proibia a circulação de motocicletas e similares entre os veículos, foi vetado por não seguir a convenção de Viena e os padrões internacionais que permitem este tipo de manobra desde que seja feito de maneira prudente. Afinal a vantagem deste meio de transporte é justamente a agilidade de deslocamento. Este projeto chove no molhado, regulamentando algo que já é permitido. Porém é inegável a necessidade de estabelecer padrões para melhor definição de como o motociclista deve executar a manobra de forma segura para si e os demais usuários da via.
jose galvao Silva Oliveira | 17/05/2017 - 10h29
Lamento profundamente a existência de projeto da espécie. Gostaria de ver projetos que disciplinassem a mobilidade urbana, tais como, parâmetros mínimos de adensamento populacional, vias de acesso privilegiando o uso de veículo individual (carros populares de pequeno porte e com baixo nível de poluição). Uso de veículo coletivo, vias exclusivas e fechadas. O motorista tem que ter olho nas costas para saber quando virá um motoqueiro.
JULIO CEZAR PIZANI | 05/02/2017 - 01h25
Quem teve essa idéia da permitir a circulação de motos entre veiculos, não tem a minima ideia da gravidade dessa autorização , pois o aumento da violência no trânsito é evidente sendo uma questão de tempo para concretização do desastre.