24/02/2015 - 18h48 Atualizado em 26/02/2015 - 17h36

Deputados pedem ao governo diálogo para acabar com greve de caminhoneiros

Movimento tem causado desabastecimento de combustível e alimentos em várias cidades; categoria reclama do baixo preço do frete e do aumento do custo do óleo diesel, e pede sanção do projeto aprovado há duas semanas pela Câmara com novas regras sobre condições de trabalho.

Jornal Cidades - MG
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Os caminhoneiros bloquearam rodovias em diversos estados, como a Fernão Dias (BR-381).

Deputados se reuniram nesta terça-feira (24) com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Miguel Rossetto, para pedir que o governo abra um canal de negociação com os transportadores de cargas dos estados do Sul e Centro-Oeste, em greve desde a semana passada.

Com a paralisação dos caminhoneiros houve relatos, nos últimos dois dias, de desabastecimento de gêneros alimentícios e de combustíveis em cidades do Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso.

Os caminhoneiros possuem uma pauta de reivindicação que inclui, entre outros pontos, aumento do preço do frete pago pelas empresas que comercializam grãos (tradings), redução do preço do óleo diesel e ampliação do prazo de quitação dos financiamentos tomados ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para renovação da frota de caminhões.

Ambiente de negociação
“Não é interferência. O governo precisa criar um ambiente de negociação para sair desse impasse que se instalou”, disse o deputado Assis do Couto (PT-PR), que participou da reunião com o ministro Rossetto. Segundo ele, a greve está levando “o caos a várias regiões do País”. Ele citou como exemplo o Paraná, onde existem notícias de cidades em que o transporte escolar não está funcionando por falta de combustível nos postos. Também faltariam produtos como frango, ovos e leite no comércio.

Segundo ele, o ministro afirmou que o governo está aberto para conversar com os caminhoneiros, mas precisa saber quem são os interlocutores pelo lado dos grevistas. O setor é fragmentado, com caminhoneiros trabalhando em cooperativas, empresas e de forma autônoma. Isso dificulta a identificação dos líderes do movimento, que responderiam pelas negociações.

“Falta uma liderança nacional”, reconheceu o deputado Ságuas Moraes (PT-MT), que também se reuniu com o ministro Rossetto. Ele acredita, no entanto, que o governo tem margem para negociar algumas das exigências dos caminhoneiros, como a ampliação do prazo para os caminhoneiros pagarem suas dívidas com o BNDES e a sanção, sem vetos, do projeto que modificou as condições de trabalho da categoria, permitindo, por exemplo, uma jornada máxima de 12 horas de trabalho, contra 10 da legislação atual. O texto, aprovado há duas semanas pela Câmara, aguarda sanção presidencial. “Tem que dialogar com eles para descobrir qual a melhor possibilidade”, disse Ságuas Moares.

No caso do projeto, os dois deputados disseram que o ministro está à frente da negociação que vai definir se a proposta terá vetos. Um dos pontos do projeto que os caminhoneiros querem manter é o fim da cobrança do pedágio quando o veículo estiver vazio. Couto disse que o ministro não comentou a possiblidade de eventuais vetos, mas afirmou que “o governo está aberto a compatibilizar os interesses o máximo possível”.

Custos
A greve dos caminhoneiros teve início no Mato Grosso na semana anterior ao Carnaval e se espalhou pelos outros estados produtores do Centro-Oeste e Sul na semana passada. Os transportadores alegam que o reajuste do óleo diesel, em vigor desde o início do mês, elevou os custos do segmento, sem que tenha havido compensação com o aumento do valor dos fretes. Com o início dos protestos, outras reivindicações foram incorporadas pelos transportadores.

Os caminhoneiros bloquearam rodovias em diversos estados nos últimos dias, levando a Advocacia-Geral da União (AGU) a protocolar ações na Justiça Federal em Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina exigindo a liberação das estradas.

Reportagem – Janary Júnior
Edição – Marcos Rossi

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Comentários

Erasmo Neto | 25/02/2015 - 11h39
A cultura rodoviária não segue lideres.Devido ao movimento de deslocação,não tem tempo para formular estratégias.O motorista sente na pele a realidade social.Conhece o Brasil real das favelas aos palácios.Portanto conhece falcatruas,corrupção,mentiras....Escuta e verifica.É pioneiro em ter abordo rádios de comunicações,inclusive o primeiro sistema brasileiro de telefonia móvel,TELEESTRADA,papa roma unidade 0...