05/07/2019 - 02h37

Comissão especial aprova reforma da Previdência

Segundo Rodrigo Maia, texto começará a ser analisado no Plenário da Câmara na terça-feira (9)

A comissão especial da reforma da Previdência (PEC 6/19) aprovou nesta quinta-feira (4) o relatório do deputado Samuel Moreira (PSDB-SP). O parecer, apresentado durante a madrugada anterior, mantém as diretrizes da proposta original do governo Jair Bolsonaro. Foram 36 votos favoráveis e 13 contrários.

Confira como votaram os integrantes da comissão especial

Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
Reunião ordinária para votação do parecer do relator, dep. Samuel Moreira (PSDB-SP)
Samuel Moreira: "Categorias não podem olhar só para os seus interesses"

Na sequência, foram rejeitados, em bloco, 99 destaques individuais e analisados, individualmente, outros 17 destaques de partidos – a maioria deles rejeitados, como os que procuravam abrandar regras de aposentadoria para profissionais da segurança pública e professores.

Samuel Moreira justificou que não era possível aceitar essas reivindicações e pediu que as categorias não olhassem só para suas demandas particulares, mas, sim, para as necessidades da sociedade como um todo. “Às vezes, ficamos fechados nas nossas corporações, esquecendo que existem outras profissões. Temos de estar a serviço de todos", sustentou. Ele acrescentou que as categorias precisam ser valorizadas na ativa, com melhores salários.

Mudanças
Apenas duas sugestões de mudanças no texto foram aceitas. Um dos destaques aprovados, do DEM, retira policiais militares e bombeiros das regras de transferência para inatividade e pensão por morte dos militares das Forças Armadas, até que uma lei complementar local defina normas para essas corporações; e exclui a possibilidade de que lei estadual estabeleça alíquota e base de cálculo de contribuição previdenciária para policiais e bombeiros militares.

Alex Ferreira / Câmara dos Deputados
Comissão Especial para análise, estudo e formulação de proposições relacionadas à Reforma Política - Mesa Redonda. Dep. Henrique Fontana (PT-RS)
Henrique Fontana: "Isso é um ajuste fiscal, não uma reforma da Previdência"

A outra alteração aprovada, do bloco PP, PTB e MDB, cortou dois temas do relatório. O primeiro é a limitação para renegociação de dívidas junto ao governo em até 60 meses. Hoje, os programas não têm limitação alguma de prazo. O segundo assunto excluído do parecer mantém a imunidade para receitas obtidas com a exportação, deixando-as de fora da base de cálculo de contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita bruta. A medida beneficia, por exemplo, o agronegócio.

Ao total, a comissão especial realizou 22 reuniões, com 132 horas de audiências, debates e deliberações desde 25 de abril. Só a votação do parecer do relator e dos destaques durou 16 horas.

O presidente do colegiado, deputado Marcelo Ramos (PL-AM), elogiou os integrantes da comissão por conseguirem mostrar ao Brasil como é possível discutir um tema tão sensível de forma responsável. “Sem o governo, não estaríamos enfrentando uma matéria tão importante para o País, mas, sem a oposição, não teríamos avançado tanto. E, sem o centro, talvez não encontrássemos o ponto de equilíbrio que permitiu que avançássemos bastante em relação ao texto original.”

Plenário
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, anunciou em rede social que a reforma da Previdência começará a ser analisada no Plenário na próxima terça-feira (9). “A Câmara deu hoje um importante passo. Essa foi a nossa primeira vitória e, a partir da próxima semana, vamos trabalhar para aprovar o texto em Plenário, com muito diálogo, ouvindo todos os nossos deputados, construindo maioria”, comentou.

Entenda a tramitação da reforma da Previdência

Reforma x ajuste fiscal
Para o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, a proposta vai resolver o déficit nas contas públicas pela próxima década e talvez pelas duas seguintes. “Com essa potência fiscal aprovada na comissão, e que esperamos confirmar nos plenários da Câmara e do Senado, o Brasil terá solvência”, declarou. Ele veio à Câmara acompanhar a votação desta quinta.

Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
Reunião ordinária para votação do parecer do relator, dep. Samuel Moreira (PSDB-SP). Dep. Alessandro Molon (PSB-RJ)
Alessandro Molon: "Proporção de votos será diferente no Plenário"

Por outro lado, a oposição protestou, tentando obstruir a votação. Vice-líder do PT, o deputado Henrique Fontana (RS) criticou a proposta, por considerá-la prejudicial aos mais pobres. “Isso é um ajuste fiscal, não uma reforma da Previdência”.

Para o deputado Alessandro Molon (PSB-RJ), a aprovação na comissão foi um “resultado artificial”, feito a partir de troca de integrantes do colegiado pelos líderes partidários. “No Plenário, não é possível trocar membros. Todos os deputados votarão, e a proporção certamente será diferente.”

Já segundo o líder do Podemos, deputado José Nelto (GO), o texto do relator foi o mais consensual possível. “A oposição fez aqui o papel dela, mas, quando estiveram no poder, também tentaram fazer a reforma e não conseguiram, essa é realidade”, declarou.

"Com relação ao texto que recebemos, nosso substitutivo saiu com muito mais justiça social e responsabilidade fiscal, tendo um equilíbrio melhor para a sociedade e a Previdência", defendeu Samuel Moreira.

Economia
O secretário Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Rogério Marinho, disse que o impacto fiscal do texto aprovado deve passar de R$ 1 trilhão em dez anos, número próximo do defendido pelo governo. “Parece-me que são R$ 934 bilhões em despesas, mais R$ 83 bilhões de reoneração e R$ 53 bilhões ou R$ 54 bilhões da CSLL [o relatório aumentou a alíquota cobrada dos bancos, de 15% para 20%].”

A expectativa do Planalto com a reforma era economizar R$ 1,236 trilhão em dez anos, considerando apenas as mudanças para trabalhadores do setor privado e para servidores da União.

Regras
Diferentemente do previsto na proposta original do Executivo, o relator decidiu manter na Constituição a idade mínima para aposentadoria de servidores da União que entrarem após a publicação da reforma: 65 anos para homens e 62 anos para mulheres – esses patamares são, hoje, de 60 e 55 anos, respectivamente, mas haverá regra de transição para os atuais servidores. Conforme o texto aprovado, as constituições estaduais e as leis orgânicas dos municípios definirão a idade mínima para os servidores com regime próprio.

Confira os principais pontos da reforma da Previdência, após alterações do relator

Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
Reunião Ordinária para discussão e votação do parecer do relator, dep. Samuel Moreira (PSDB/SP). Dep. José Nelto (PODE-GO)
José Nelto: "Texto do relator foi o mais consensual possível"

Essas novas idades valerão também para os futuros segurados do INSS. Quanto ao tempo de contribuição, foi estipulada uma regra transitória até uma lei complementar definir essa e outras condições: 20 anos para homem e 15 anos para mulher.

No caso dos servidores públicos da União, o tempo de contribuição na regra transitória até a lei complementar será de 25 anos e, cumulativamente, pelo menos 10 anos no serviço público e 5 no mesmo cargo para ambos os sexos.

Há ainda normas diferenciadas para grupos específicos, como docentes. Conforme o parecer aprovado pela comissão, tanto no setor público quanto no privado, as professoras poderão se aposentar com 57 anos de idade; e os professores, com 60 de idade.

Até a lei complementar definir, serão exigidos dos futuros professores 25 de contribuição para ambos os sexos. Os servidores terão de comprovar ainda 10 anos no serviço público e 5 no cargo em que se aposentarem. Os profissionais terão de comprovar efetivo exercício na educação infantil ou nos ensinos médio e fundamental.

O texto prevê uma fórmula para cálculo dos benefícios – média aritmética de todas as contribuições até o dia do pedido – que poderá ser mudada por lei futura. A aposentadoria corresponderá a 60% dessa média para um total de 20 anos de contribuição. A partir dos 20 anos de contribuições efetivadas, o percentual subirá 2 pontos percentuais por ano, até chegar a 100% com 40 anos de contribuição.

Além daquelas previstas na proposta original, o relator criou uma regra de transição para todos os atuais segurados dos setores público e privado, com pedágio de 100% do tempo de contribuição que faltar, mais idade mínima (60 se homem, 57 se mulher) e tempo de contribuição (pelo menos 35 e 30, respectivamente).

Ouça esta reportagem na Rádio Câmara

Íntegra da proposta:

Reportagem – Tiago Miranda, Ralph Machado e Eduardo Piovesan
Edição – Marcelo Oliveira

A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara Notícias'



Comentários

Carol | 08/07/2019 - 19h20
OS JORNALISTAS DA GLOBO ESTÃO QUASE LOUCOS COM A POSSIBILIDADE DE APROVAR A REFORMA DA PREVIDÊNCIA POR QUE OS SEUS PATRÕES INVESTIDORES DONOS DA REDE DE TELEVISÃO VÃO LUCRAR MUITO? O GOVERNO GASTOU MILHÕES COM PROPAGANDAS,PAGARAM 248 MIL POR DIA PARA ARTISTAS,C DINHEIRO DO POVO. A GLOBO DEFENDEU A DITADURA MILITAR EM 1964 E DEPOIS DE MUITOS ANOS DE PREJUÍZO,DIZEM QUE PEDIU DESCULPAS.SE O TRILHÃO ARREBENTAR COM O POBRE TRABALHADOR,SE NADA DO TRILHÃO FOR INVESTIDO PARA O PAÍS, NADA PARA O POVO, A GLOBO VAI PEDIR DESCULPAS DE NOVO? E O POVO VAI DESCULPAR DESSA VEZ OU OUTRA VEZ NÃO VAI PERDOAR?
L | 08/07/2019 - 19h09
O FATO DA COMISSÃO ESPECIAL APROVAR O DANO AO POVO É UMA VERGONHA NACIONAL.NÃO FALAM DE TAXAÇÃO DAS FORTUNAS,NÃO PRIORIZARAM A REFORMA TRIBUTÁRIA,NÃO COBRARAM "TRILHÃO" DOS DEVEDORES,NÃO BUSCAM CORRIGIR IRREGULARIDADES,NÃO QUEREM "TAXAR" OS BANCOS(O PARTIDO NOVO NÃO QUER ISSO PARA OS BANCOS),DÃO ISENÇÃO DE BILHÕES ÀS EMPRESAS,NÃO FALAM DE "REFORMA DO TETO",NÃO RESPONSABILIZAM OS CORRUPTOS E OS Q FAZEM DESVIOS DE FUNDO DE PENSÃO,NÃO BUSCAM OUTRAS PRIORIDADES DE FINANCIAMENTO.SÓ QUEREM PENALIZAR O POBRE QUE NÃO TEM COMO SE DEFENDER MAS AINDA VAI APRENDER A VOTAR CERTO NAS PRÓXIMAS ELEIÇÕES.
Adilson Faxina | 08/07/2019 - 11h28
Essa mudança deveria valer apenas para quem votou nesse governo.