02/05/2019 - 15h18 Atualizado em 02/05/2019 - 16h30

Para líder, se governo fizer mais concessões, reforma fica desidratada

Líder do PR critica intromissão no Congresso. Já o secretário da Previdência defende a integralidade do texto encaminhado pelo governo

Michel Jesus/Câmara dos Deputados
Comissão Mista sobre a MP 868/18, que reformula o marco legal do saneamento básico. Dep. Joice Hasselmann (PSL - SP)
Joice Hasselman anunciou gabinete de inteligência para tirar dúvidas de parlamentares

A líder do governo no Congresso, deputada Joice Hasselman (PSL-SP), afirmou nesta quinta-feira (02) que outras modificações na reforma da Previdência (PEC 6/15), além da retirada das alterações no Benefício da Prestação Continuada (BPC) e na aposentadoria rural, não deverão ser aceitas.

Segundo ela, se fizer mais concessões, a reforma pode não chegar ao objetivo do governo que é a economia de R$ 1 trilhão em dez anos.

“Os líderes já se manifestaram por uma mexida nesses dois pontos. Então como aqui é tudo no diálogo a gente sabe que pode haver mexida no BPC e no Rural. Agora, deu né? BPC e Rural deu, né? Porque se a gente começa a abrir concessão em vários pontos a gente faz uma reforma muito mais magra do que a gente precisa”, afirmou a parlamentar.

Informações
Hasselman também informou sobre a criação de um gabinete de inteligência, que vai ser comandado por um técnico do ministério da Economia, para tirar dúvidas de parlamentares e produzir conteúdos para que o deputado convença seu eleitorado da importância da reforma.

“É um grupo do ministério da Economia à disposição para trabalhar dando informações a parlamentares, explicando e tirando dúvidas em relação ao texto e para o parlamentar explicar ao eleitor a importância de aprovar a reforma”, explicou Joice.

Quem decide
Já o líder do PR, deputado Wellington Roberto (PB), defendeu um amplo debate sobre a proposta. Para ele, a decisão sobre o texto final da reforma da Previdência cabe aos parlamentares.

“Se quem decide são os deputados em votação, como o governo pode se antecipar e decidir pelo parlamento? O governo manda no governo, quem manda na Câmara são os deputados e deputadas. Se for nessa linha, a chance que o governo terá de aprovar a reforma da Previdência é zero”, declarou o líder.

BPC
O secretário da Previdência, Rogério Marinho, por outro lado, defendeu a integralidade do texto encaminhado pelo governo. Para ele, tanto as alterações propostas sobre o BPC quanto sobre a aposentadoria rural devem ser preservadas.

“Não tenho dúvida de que haverá sensibilidade do parlamento de entender que é necessário um cadastro mais rígido, mais correto no rural. Na questão do BPC, apesar das narrativas feitas o governo está antecipando uma assistência que só era dada aos 65 anos, E estamos falando de 2 milhões e 200 mil pessoas que serão beneficiadas por essa situação nos próximos 10 anos”, afirmou.

 

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Íntegra da proposta:

Reportagem – Luiz Gustavo Xavier
Edição – Roberto Seabra

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Comentários

Soraya Alberto Eiras | 07/05/2019 - 13h29
Se o Brasil é uma democracia e os parlamentares são soberanos para votarem, por que a deputada Joice Hasselmann quer decidir em nome dos 511 parlamentares? Atitudes assim acabam descaracterizando a autonomia parlamentar, faz com que a população desacreditar nas suas instituições.Além disso quem entrou antes de 1998 está passando por uma segunda reforma que não deveria pegar novamente. Injusto demais
José Alberto da Silva Junior | 07/05/2019 - 09h05
O Governo e seus adoradores dizem que o problema do Brasil é a Previdência e por causa dos aposentados que tem corte na educação, na saúde e que o país não tem desenvolvimento. Porque o Governo não cobra os devedores da Previdência, os empresários devem milhões, os banqueiros também e empresas alguns políticos isso ninguém fala, vamos reduzir impostos para melhorar o consumo, quando há consumo, há necessidade de aumentar a produção, aumentou a produção gerou emprego. Então vamos parar com esse papo que a solução do Brasil é a Reforma da Previdência.
Mariléa Sampaio | 07/05/2019 - 07h40
Os servidores que entraram no serviço público antes de 1998 estão sendo MUITO prejudicados. Afinal, já passaram por duas reformas da previdência, em que muitos direitos já foram retirados. Em última análise, falta uma regra de transição justa para os que faltam poucos meses para a aposentadoria, que estão sendo cruelmente exigidos nessa reforma. Errado.