11/04/2019 - 15h33

Em ato na Câmara, mulheres protestam contra reforma da Previdência

Mudanças nas regras das aposentadorias rurais e dos professores foram as principais reclamações

Will Shutter/ Câmara dos Deputados
Evento organizado pela Liderança da Minoria, Secretaria da Mulher e Frente parlamentar em Defesa dos Direitos da Mulher
Deputadas no Auditório Nereu Ramos em ato contra reforma da Previdência

Deputados de vários grupos da Câmara como a Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos das Mulheres e a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, além de várias entidades da sociedade civil, lotaram um dos auditórios da Câmara e mais dois plenários para um ato contra a reforma da Previdência (PEC 6/19), principalmente em relação aos pontos relacionados a mudanças para as mulheres.

A líder da Minoria, deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), disse que são vários os direitos que estão sendo alterados, o que dificulta a aposentadoria para as mulheres. "Hoje 47% das mulheres que estão no mercado de trabalho sequer têm carteira assinada e as que estão em ocupação não conseguem fazer a contribuição por isso. São trabalhos precarizados, de alta rotatividade”, explicou.

Outro problema, de acordo com a líder, é o trabalho no campo e a aposentadoria rural. “As mulheres rurais têm tempo de vida menor que as trabalhadoras urbanas e a reforma mandada por Bolsonaro eleva as mulheres para o mesmo tempo de trabalho dos homens em muitas categorias; e no geral das mulheres eleva a idade também e a carência de tempo de contribuição."

Várias categorias se revezaram no microfone para protestar. Mazé Morais falou em nome das trabalhadoras rurais. "Se não barrarem essa proposta de retrocesso, nós paramos o Brasil. As mulheres pararão o Brasil. Então a Previdência é nossa, ninguém tira da roça. Resistência, mulherada!"

Muitas falaram da situação das professoras que tiveram o tempo de contribuição igualado ao dos homens em 30 anos com 60 anos de idade. Hoje elas precisam cumprir 25 anos sem idade mínima.

Idades diferentes
A deputada Bia Kicis (PSL-DF) disse que o ato não considera que a reforma manteve uma diferenciação entre homens e mulheres ao fixar idades mínimas de 65 e 62 anos para os trabalhadores em geral.
"Essa proposta traz igualdade. Nós mulheres não podemos querer igualdade só para aquilo que nos beneficia. Quando se trata de uma igualdade real, a gente reclama e diz não”, criticou.

Kicis considera que a proposta ficou boa para as mulheres. “Não temos do que reclamar. Essa reclamação é daquelas pessoas que querem encontrar motivos para atrapalhar a aprovação desse projeto que vai, na verdade, salvar o Brasil."

A reforma da Previdência pode ser votada já na semana que vem na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), que analisa a admissibilidade da proposta. Mas a comissão especial que será criada em seguida poderá propor alterações de mérito na reforma.

Entenda como será a tramitação da proposta de reforma da Previdência

Ouça esta matéria na Rádio Câmara

Íntegra da proposta:

Reportagem – Sílvia Mugnatto
Edição – Geórgia Moraes

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Comentários

Thays | 19/04/2019 - 07h43
Igualdade de direitos, as mulheres sempre buscaram isso. Parem de criar impesilhos, votem na integralidade. O congresso está mesquinho e sabotando o país em benefícios próprios. Vamos lá pensem no Brasil, pensem no voto...VOTEM A FAVOR. No futuro se vcs quiserem vcs acertam o que der errado, tem poderes para isso. Mais agora aprovem e parem de fazer o país sofrer.
Gilberto de Santi | 14/04/2019 - 12h15
Parabéns pra essas mulheres por protestarem contra esse ataque que estão fazendo com os trabalhadores.
Carlos Santos | 12/04/2019 - 07h12
É, o ridículo não tem limites mesmo. Todos, esquerda à frente, querem benefícios. E como fica a igualdade dos direitos? Bom joguemos na lata de lixo.