08/04/2019 - 20h45

Maia reafirma que apoia reforma da Previdência, mas que não será articulador do governo

Presidente da Câmara ressaltou a importância de se repensar os gastos públicos e o tamanho do Estado

J.Batista/Câmara dos Deputados
Ministro Paulo Guedes (E) e Rodrigo Maia (D) participaram de debate nesta segunda-feira

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, afirmou nesta segunda-feira (8) que continua a participar ativamente da aprovação da reforma da Previdência (PEC 6/19), mas que não tem mais condições de ser um articulador político do governo em relação ao tema. Maia participou do evento “E agora, Brasil?”, promovido pelos jornais O Globo e Valor Econômico em Brasília, juntamente com o ministro da Economia, Paulo Guedes.

Maia disse que vai continuar a cumprir o seu papel institucional na defesa da reforma da Previdência. Segundo ele, se a reforma não for aprovada, o País vai enfrentar uma grave crise econômica. No mês passado, Rodrigo Maia e o presidente da República, Jair Bolsonaro, trocaram críticas sobre a condução da articulação política do governo no Congresso.

“Não tenho mais as condições que eu tinha de ser um articulador político. Se o governo quiser votar, no dia 15 de junho, a pauta está dada. Se o governo vai ganhar, pergunta para o ministro Onyx [Casa Civil]. Eu perdi as condições de cumprir o papel porque fui mal compreendido”, afirmou Maia.

Rodrigo Maia reafirmou que não pretende falar nem de prazo nem de votos para a reforma. “O que o governo precisa é ter 308 votos no dia da votação. E a data é irrelevante, se um mês antes ou depois, o importante é a economia”, destacou.

Gastos
Maia ressaltou a importância de se repensar os gastos públicos e o tamanho do Estado brasileiro. Ele destacou que a Câmara não vai votar “pautas-bomba”, pois não será instrumento para gerar nenhum tipo de problema fiscal para o País.

O presidente também criticou o salário dos servidores públicos. Segundo ele, o valor dos salários ficou mais caro em relação à realidade do setor privado brasileiro. Ele defendeu um plano de cargos e salários para o setor.

De acordo com Maia, muitas carreiras do funcionalismo público chegam rapidamente no topo da carreira e procuram saídas “extrateto”, ou seja, saídas remuneratórias para o teto da categoria.

“Essa captura do orçamento acabou gerando um divórcio grande da política com a sociedade. Se o orçamento está capturado por poucos em detrimento de milhões, significa que a política perdeu as condições de responder às demandas da sociedade. O salário dos servidores públicos ficou caríssimo em relação à realidade do setor privado brasileiro. O salário é muito alto, ninguém tem mais estímulo para fazer carreira”, disse.

Orçamento
O presidente da Câmara voltou a defender a PEC 2/15, que amplia o orçamento impositivo. A proposta, modificada pelo Senado, retorna à Câmara para ser apreciada pelos deputados. Segundo Maia, a proposta recompõe as prerrogativas do Parlamento, além de não engessar o orçamento nem tirar o poder do Executivo de contingenciar recursos quando a arrecadação não é a esperada.

“A grande discussão é: estamos vendo uma oportunidade que a gente não teve com outros governos, que é o Poder Legislativo se reafirmar como um poder independente, que reassume suas prerrogativas. O orçamento é uma delas”, defendeu.

Íntegra da proposta:

Reportagem – Luiz Gustavo Xavier
Edição – Pierre Triboli

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Comentários

É Preciso Por o Dedo na Ferida | 09/04/2019 - 12h02
É muito importante que em uma nação haja pessoas ricas e muito ricas, porém deve ser dentro de um limite aceitável, pois estas pessoas vivem do suor das classes inferiores. Por uma má administração do executivo e do legislativo e as obras superfaturadas, estaduais e federais houve um aumento das pessoas ricas e super ricas a um nível insuportável para o país... Se corrigirem estas deformações, é possível pagar um bom salário a todos, entre 55 e 60 anos de idade.
Andrea Balster Ventura | 09/04/2019 - 11h58
Não vamos fazer a reforma da previdência e, sim a reforma política. Os deputados ganham o salário bem mais que médico, professor etc.. As famílias pobres que ganham um salário vai ter a previdência mudada. Eu não concordo. Votei o Bolsonaro mas não concordo.
Carlos Santos | 09/04/2019 - 10h12
A velha conversa fiada da política. Maia não precisa ser o articulador do governo, mas precisa trabalhar por um Brasil melhor, e isto passa necessariamente pela reforma da Previdência. O povo sabe muito bem o que os políticos querem. As esquerdas farão tudo por um Brasil pior, pois já estão pensando nas próximas eleições. Os políticos tradicionais, em sua maioria, pensam apenas em seus bolsos, ou seja, querem cargos para seus apadrinhados.