10/07/2018 - 18h48

Câmara homenageia 50 anos da greve dos metalúrgicos de Osasco e Contagem de 1968

Homenagem foi feita em sessão solene realizada nesta terça-feira (10)

A Câmara dos Deputados homenageou, nesta terça-feira (10), em sessão solene requerida pelo deputado Valmir Prascidelli (PT-SP), os 50 anos da greve dos trabalhadores metalúrgicos de Osasco (SP) e Contagem (MG) de 1968, comemorado no próximo dia 16 de julho.

Luis Macedo/Câmara dos Deputados
Homenagem aos Cinquenta Anos da Greve dos Trabalhadores Metalúrgicos de Osasco e Contagem/MG
A greve histórica aconteceu em Osasco (SP) e Contagem (MG)

Em mensagem enviada ao Plenário, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), resgatou um pouco da memória da resistência ao autoritarismo instalado no Brasil a partir do golpe de 1964. Segundo ele, a greve dos trabalhadores metalúrgicos de 1968 foi “um episódio histórico e uma etapa indispensável na formação do Brasil contemporâneo e na construção da nossa democracia”.

Para o deputado Prascidelli, homenagear as greves operárias dos metalúrgicos significa mais do que relembrar o passado e enaltecer todos aqueles que tiveram a coragem de se levantar e lutar contra a opressão. “Homenagear os trabalhadores de 1968 é também, sem dúvida nenhuma, relembrar a importância dos movimentos e das manifestações sociais e culturais protagonizadas, principalmente, pela juventude da época, que aconteceram em vários países do mundo, na América Latina e no Brasil”.

A deputada Margarida Salomão (PT-MG) lembrou que o movimento dos trabalhadores de Contagem foi a primeira luta aberta contra a ditadura militar. A deputada Jô Moraes (PCdoB-MG) explicou que a luta de 1968 foi estruturada e trouxe, sim, resultados. “Os operários tiveram um rumo. Na luta contra o arrocho, se envolveram com seus sindicatos para poder enfrentar as dificuldades. Confiaram na força da classe operária e enfrentaram as mais cruéis perseguições”.

Além da homenagem
Segundo Margarida, a realização desta sessão solene é também uma oportunidade para se tirar lições da luta dos operários. “Não podemos menosprezar ou minimizar a luta do povo. É com isso que contamos, com a esperança e com a resistência para fazer valer os direitos da população brasileira para mais uma vez restaurar democracia”, destacou.

De acordo com a deputada Jô Moraes (PCdoB-MG), a solenidade expressa a união da classe trabalhadora brasileira. ”Esse momento que o Brasil vive tem que levar os trabalhadores e as trabalhadoras a se unirem, arrancar nas ruas e nas urnas o novo ciclo histórico que impeça a desconstrução do país e dos direitos dos trabalhadores. Só a classe operária unida em suas diferentes dimensões pode recuperar uma esperança de futuro”, afirmou.

Segundo Prascidelli, é necessário seguir o exemplo dos operários e se organizar contra o processo de desmonte do Brasil. “É preciso lutar para que a gente possa resgatar a dignidade dos trabalhadores e do povo brasileiro, nos organizar na resistência contra a entrega das riquezas naturais do nosso país, contra a retirada de direitos dos trabalhadores, contra a destruição das nossas entidades sindicais”, pontuou.

História
O ano de 1968 ficou marcado pela instituição, pelo governo militar, do Ato Institucional 5 (AI-5), que fechou o Congresso Nacional, censurou os meios de comunicação e ampliou a perseguição política e ideológica a brasileiros contrários ao governo da época. Foi também neste ano que eclodiram as maiores manifestações de trabalhadores do país.

“O ano de 1968 foi marcado pelas lutas e pela capacidade de transformar a história, combinando os sonhos e a utopia com atos de coragem e de construção”, disse o deputado Valmir Prascidelli. Trabalhadores ocuparam as ruas e as fábricas para protestar contra o arrocho salarial, a falta de liberdade política e social e contra as ações policiais da ditadura militar.

Os atos grevistas de julho de 1968 em Osasco e em Contagem entraram para a história do país como os primeiros grandes embates políticos e sociais contra o golpe militar no Brasil. A greve durou três dias e os trabalhadores voltaram à atividade após repressão intensa dos militares, com a prisão de líderes paredistas, nova intervenção no sindicato e ocupação de indústrias pela polícia. Ainda assim, “a greve de julho de 68 cumpriu significativo papel político ao ressaltar a importância da organização dos trabalhadores pela base, bem como da liberdade de atuação sindical”, finalizou Rodrigo Maia.

Reportagem – Larissa Galli
Edição – Ana Chalub

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