02/12/2013 - 22h03

Comissão aprova regulamentação da profissão de designer de interiores

TV Câmara
Dep. Andreia Zito (PSDB-RJ)
Andréia Zito: maior oposição ao projeto vem das entidades de arquitetos.

Depois de mais de 30 anos de luta, os designers de interiores poderão ter sua profissão reconhecida. A Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados aprovou na última quarta-feira (27) proposta que regulamenta a atividade (PL 4692/12).

De acordo com o projeto, o designer de interiores é o profissional que planeja e organiza espaços, visando ao conforto e à estética, à saúde e à segurança. O autor da proposta, deputado Ricardo Izar (PSD-SP), ressaltou que a profissão existe há mais de 100 anos, mas não é regulamentada porque sofre preconceito.

De acordo com a relatora na Comissão de Trabalho, deputada Andreia Zito (PSDB-RJ), a maior oposição vem das entidades de arquitetos. "Existe uma resistência muito grande por parte dos arquitetos. Eles insistem que designers não podem ser qualificados como uma profissão porque já existe a arquitetura, e esse trabalho eles já fazem", disse a relatora, que deu parecer favorável ao projeto.

Formação
De acordo com dados da Associação Brasileira de Designers de Interiores (ABD), o País tem hoje 182 escolas técnicas e faculdades de design de interiores reconhecidas pelo Ministério da Educação, que formam 8 mil profissionais por ano.

A diretora da associação, Angela Borsoi, afirmou que a profissão exige muito estudo e que a ABD é extremamente rigorosa para aceitar novos membros. Para cursos técnicos, são exigidas 800 horas/aula. Faculdades devem ter 2.800 horas/aula.

Angela Borsoi disse que não há semelhança entre seu trabalho e o de arquitetos. "Arquitetura é perene, e design de interiores é feito para o ser humano habitar com todas as peculiaridades de uso específico. Por exemplo, um arquiteto projeta um hospital hoje que, no decorrer dos anos, pode ser transformado em um hotel. O designer de interiores é preparado com uma expertise para transformar esse interior e o adaptar à nova realidade e ao uso específico nos mínimos detalhes", explicou.

Requisitos
Segundo o projeto aprovado na Comissão de Trabalho, o exercício da profissão de designer de interiores é assegurado aos portadores de diploma:
• de bacharelado em designer de interiores, composição de interiores, design de ambientes e tecnólogos em design de interiores expedidos por instituição brasileira de ensino superior oficialmente reconhecida;
• de bacharelado em outros cursos superiores de áreas afins, como arquitetura, desenho industrial e artes plásticas, desde que esses profissionais venham exercendo, comprovada e ininterruptamente, as atividades de designer de interiores por, pelo menos, dois anos;
• de técnico em decoração ou designer de interiores.

Tramitação
O projeto tem caráter conclusivo e seguirá para a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ).

Íntegra da proposta:

Reportagem – Vania Alves
Edição – Pierre Triboli

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Comentários

Venâncio Menezes | 08/12/2013 - 05h37
Percebe-se que o amigo acima pouco conhece sobre a profissão de designer de interiores. Mas darei crédito por ter citado termos como "projetista" e "estilista", por serem os que conseguiram se aproximar. Quanto aos outros termos, não vou nem comentar. Mas fico muito feliz com essa notícia. Já estava mais que na hora.
Vitor Menezes | 04/12/2013 - 16h45
Fico muito apreensivo quando vejo a nossa Casa Legislativa tratar de alguns temas impregnados de palavras estrangeiras, quando temos outras que as substituem até com mais elegância em nossa língua pátria. Designer de Interiores poderia perfeitamente ser substituído por desenhista, estilista, projetista, decorador. Abrir mão de termos na língua pátria, para utilizar termos estrangeiros, é declarar a submissão aos colonizadores. Mas isto, ao que parece, não preocupa nossos legisladores.