10/10/2013 - 18h58

Entidades defendem acordo entre terapeutas naturistas e naturólogos para regulamentar profissões

Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados
Audiência pública sobre o PL 6.959/2010, que
Adriana Elias: o profissional é capaz de atuar em hospitais para amenizar efeitos colaterais com as práticas, e também em pesquisas.

Especialistas que participaram de audiência pública nesta quinta-feira (10) na Comissão de Seguridade Social e Família concordaram que as profissões de terapeutas naturistas e naturólogos têm atuação diferenciada, mas que podem ser regulamentadas por uma única lei.

Segundo o PL 6959/10, da Comissão de Legislação Participativa, terapeuta naturista é o profissional da área de saúde que se utiliza dos recursos primordiais da natureza e do fluxo de energia vital do ser humano para manter ou restabelecer a saúde do indivíduo. Já o PL 3804/12, do deputado Giovani Cherini (PDT-RS), estabelece como atividades do naturólogo a aplicação de técnicas, métodos, procedimentos e sistemas terapêuticos tidos como holísticos, sistêmicos ou integrativos, que utilizam práticas naturais em saúde visando à promoção, manutenção e recuperação da saúde.

A vice-presidente do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional Luziana Carvalho de Albuquerque Maranhão destacou que as duas práticas são importantes, mas é preciso definir com clareza o que faz o terapeuta naturista. “Dizer que ele utiliza da natureza é um conceito muito vago”, disse. Segundo ela, práticas integrativas e complementares são muito importantes e o desejo é que terapeutas e naturólogos entrem em um acordo.

O relator dos projetos, deputado Mandetta (DEM-MS), que requisitou a audiência, declarou se não houver maiores esclarecimentos e entendimentos, os textos serão rejeitados. “O desafio é diminuir as distâncias e construir um texto comum”, disse.

Faculdades
A professora do curso de Naturologia da Universidade Anhembi Morumbi Adriana Elias Magno da Silva também frisou que existem cursos de nível superior para naturólogos, contemplando exigências do Ministério da Educação e da Organização Mundial da Saúde (OMS). Com a formação, o profissional é capaz de atuar em hospitais no cuidado paliativo para amenizar efeitos colaterais com as práticas, e também em pesquisas.

O corregedor do Conselho Federal de Medicina, José Fernando Maia Vinagro, disse ser contra a criação de faculdades para formar profissionais e não saber onde inseri-los. “Precisamos mudar essa equação perversa. Quando a faculdade for criada, a profissão já deve estar regulamentada”, disse.

Profissão cooperativa
A professora do curso de Naturologia da Universidade Anhembi Morumbi Adriana Elias Magno da Silva assinalou que a naturologia e os terapeutas naturistas são frutos de um processo social de movimento a favor de questões ecológicas e naturais, da década de 60, quando valores e paradigmas começaram a ser questionados. “O naturólogo observa o paciente de maneira abrangente e trabalha todo o processo - saúde e doença - de maneira integrativa e complementar, abordando aspectos físicos e emocionais. O foco de atendimento da naturologia não é curativo, está mais ligado a aspectos de bem estar e qualidade de vida”, esclareceu.

O vice-presidente da Associação Brasileira de Naturologia Daniel Mauricio de Oliveira Rodrigues destacou que a naturologia não é uma profissão exclusiva, mas cooperativa. Para Daniel Rodrigues, em centros de terapia ocupacional deve haver médicos, homeopatas, fisioterapeutas, naturólogos, terapeutas ocupacionais, psicólogos, entre outros.

Já a vice-presidente da Federação Nacional dos Terapeutas (Fenate) Adeilde Marques, declarou que o terapeuta está em hospitais e postos de saúde, mas apenas como voluntário. Segundo informou, a Fenate sugeriu o Projeto de Lei que regulamenta a profissão de terapeuta naturista para beneficiar mais de 600 mil profissionais que atuam no ramo.

Segundo Adeilde, o Ministério da Saúde autoriza e reconhece o valor terapêutico e incentiva as unidades de saúde a adotarem as terapias, mas os terapeutas não participam do processo.

O diretor do Sindicato Nacional dos Terapeutas Naturistas, Moriel Sophia, declarou que em muitos municípios prefeitos aprovaram projetos para que os terapeutas naturistas englobem o sistema de saúde e ganhem salários. Ele afirmou que o terapeuta não deve prescrever, mas apenas sugerir que sejam feitos procedimentos e que o diagnóstico cabe ao médico.

Nova audiência
Na próxima quarta-feira (16), às 14h30, a presidente do Fenate, Maria do Perpétuo Socorro de Salles, vai participar de audiência sobre as terapias integrativas, na Comissão de Legislação Participativa.
Também no dia 16, às 8 horas, está previsto o lançamento da Frente Parlamentar em Defesa das Terapias Integrativas na Saúde, no Hall da Taquigrafia.

Íntegra da proposta:

Da Redação – RCA
Colaboração – Caroline Pompeu

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Comentários

Adeilde Marques | 10/11/2013 - 11h52
Enquanto a Naturologia, Acupuntura entenderem que são partes isoladas das terapias, não se avançará pela CATEGORIA DE TERAPEUTAS. É igual tirar a pediatria da Medicina para regulamentar isoladamente. ME PARECE SER APENAS QUESTÃO DE EGOS INFLADOS. Mas se olharem o TODO entenderão que deve ser criada uma única categoria com todas as terapias no seu bojo. Só assim TODOS os terapeutas no aís serão beneficiados, e não somente naturólogos, acupunturistas, etc. É POR ISSO QUE OS DEPUTADOS ESTÃO TENDO DIFICULDADES DE VOTAR A MATÉRIA. www.fenate.org.br
Caio FS Portella | 15/10/2013 - 09h57
Sou naturólogo, mestrando em Saúde Publica pela USP e parabenizo pelas ações tão importantes, o debate é essencial para o avanço nas profissões e futuras profissões da Saúde!
Gustavo | 12/10/2013 - 22h54
Olá Milton! São dois projetos que correm separadamente. A profissão de terapeuta naturista não engloba a naturologia, elas apenas contemplam as mesmas práticas em níveis de formação diferentes. Espero que assista ao vídeo da audiência para compreender melhor.