14/03/2013 - 19h16

Proposta amplia direitos trabalhistas de aeronautas

Dep. Jerônimo Goergen (PP-RS)
Jerônimo Goergen: aeronautas hoje têm menos folgas que os demais trabalhadores.

A Câmara analisa o Projeto de Lei 4824/12, que amplia direitos trabalhistas dos aeronautas. Pelo texto, o número de folgas mensais, por exemplo, sobe para 12. Atualmente, segundo a lei que regulamenta a profissão (Lei 7.183/84), esses trabalhadores têm, no mínimo, 8 dias de repouso remunerado por mês.

De acordo com o autor da proposta, deputado Jerônimo Goergen (PP-RS), as empresas transformaram o mínimo previsto na lei “em mandatório”. Por esse motivo, Goergen afirma que os aeronautas acabam por ter direito a 31 dias a menos de folga por ano que os demais trabalhadores, que contam com descanso semanal obrigatório, mais os feriados.

Jornada
O projeto também reduz a jornada de trabalho, que passa a variar de acordo com o início da escala de horário e a configuração da tripulação. Segundo a legislação em vigor, as jornadas são de 11 horas para integrante de tripulação simples; de 14 horas para aqueles de tripulação composta; e de 20 horas para quem participa de tripulação de revezamento. Pelo projeto, as jornadas passam a ser de 8 a 11 horas para tripulações simples; de 9 a 14 horas para as compostas; e de 16 horas e 5 minutos a 19 horas e 20 minutos para as de revezamento.

Já o tempo de deslocamento dos profissionais até a base onde deverá se apresentar será incluído na jornada, sempre que o aeroporto de destino for diferente daquele previsto no contrato.

Remuneração por horas trabalhadas
Segundo o projeto, os aeronautas somente poderão ser remunerados com base nas horas trabalhadas. Goergen afirma que a prática adotada pelas empresas de pagar por trecho voado é “injusta e perigosa”. “Injusta porque somente o taxiamento pode durar mais de 40 minutos. E perigosa porque pode levar a uma operação mais rápida que a habitual, uma vez que o tempo adicional não será remunerado”, explica.

Descanso
Pela proposta, nos voos com duração de sete horas ou mais, a empresa deverá oferecer acomodações adequadas para descanso dos profissionais (local isolado dos demais passageiros e com reclinação de 180º). Atualmente, a lei prevê apenas a oferta de descanso horizontal para o piloto e de assento reclinável para os comissários.

Entre outros pontos, o texto também responsabiliza a empresa pelo pagamento dos exames que aeronautas têm de realizar periodicamente para receber o Certificado Médico Aeronáutico.

Tramitação
O projeto tem caráter conclusivo e será analisado pelas comissões de Viação e Transportes; de Trabalho, de Administração e Serviço Público; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Íntegra da proposta:

Reportagem – Maria Neves
Edição – Pierre Triboli

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Comentários

Leonardo Picini | 27/05/2014 - 12h30
Atualização da legislação trabalhista da categoria dos aeronautas se faz necessária para acompanhar a evolução do transporte aéreo no Brasil. Se as pessoas que fazem uso do avião e do helicóptero desejam viajar com total segurança e serem bem melhor atendidas à bordo, certamente serão favoráveis ao seu projeto ! Já para as pessoas que lá trabalham me parece que contemplam suas necessidades.. Parabéns Deputado !
Leonardo Picini | 27/05/2014 - 12h28
Atualização da legislação trabalhista da categoria dos aeronautas se faz necessária para acompanhar a evolução do transporte aéreo no Brasil. Se as pessoas que fazem uso do avião e do helicóptero desejam viajar com total segurança e serem bem melhor atendidas à bordo, certamente serão favoráveis ao seu projeto ! Já para as pessoas que lá trabalham me parece que contemplam suas necessidades..Aguardemos as manifestações das forças ocultas que sempre aparecem e jogam para baixo qualquer possibilidade de ganho que uma sociedade possa conquistar através de projetos importantes como o seu.
Patrícia Ferla | 16/05/2014 - 12h03
A Lei 7183 tem seus traços de defasagem temporal uma vez que, à epoca de sua elaboração, tabalhando sob a legislação antiga, as empresas tendem a explorar os meandros da lei visando baixar custos; menor número de funcionários trabalhando mais é claro exemplo desta manobra assim como a utilização de jornadas em turnos constantemente alterados. É necessário, portanto, que a legislação seja revista e atualizada às condições atuais de mercado, sendo menos permissiva e fundamentada em dados científicos, com o intuito de abranger a questão da fadiga e, por consequência, previnir acidentes.