10/07/2019 - 18h51

Governo garante que responsáveis por transporte de droga em avião serão punidos

Em audiência pública das comissões de Relações Exteriores e de Direitos Humanos da Câmara nesta quarta-feira (10), o ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência (GSI), general Augusto Heleno, e representantes do Ministério da Defesa e da Aeronáutica informaram que um inquérito policial militar está em curso para apurar o transporte de 39 quilos de cocaína em um avião da Força Aérea Brasileira no último mês.

No dia 25 de junho, o sargento da Aeronáutica Manoel Silva Rodrigues, que fazia parte da equipe do avião reserva da viagem do presidente Jair Bolsonaro ao Japão para a reunião do G-20, foi preso e continua detido na Espanha. O general Augusto Heleno garantiu que os envolvidos serão responsabilizados e punidos.

Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
Audiência Pública sobre apreensão de drogas em aeronave militar
Deputados cobraram informações sobre procedimentos futuros de segurança institucional

Deputados da oposição não ficaram satisfeitos com as respostas das autoridades de Defesa para questões como a falta de efetivo para averiguar a segurança dos aviões da Força Aérea Brasileira e a escolha de Sevilha como escala técnica na viagem presidencial ao Japão. Para o deputado Alexandre Padilha (PT-SP), faltam informações também sobre os procedimentos futuros.

“Não ficou claro quais são as medidas do GSI depois desse fato ocorrido. Se aumentou o efetivo de averiguação, qual apuração está fazendo, se vai rever o papel dos sargentos e dos tripulantes que são nomeados para isso. Está claro que tem um grau de insegurança muito grande, despreparo, sobretudo do GSI para lidar com um tema como esse”, apontou.

O tenente-brigadeiro do ar Carlos Oliveira, representante da Aeronáutica, salientou que o sargento preso não participou do planejamento do voo e nem da escolha da escala técnica. Ele explicou o que está sendo mudado na segurança dos aviões da Força Aérea Brasileira.

“Obviamente que algumas medidas administrativas de incremento, de controle de acesso e de controle de passageiros no embarque das nossas aeronaves estão sendo implementadas e certamente serão aperfeiçoadas à medida que os resultados do inquérito policial militar forem divulgados, para que a gente minimize novas ocorrências desses problemas com as nossas aeronaves”, disse.

Deputados da base aliada do governo acharam as explicações da área militar plausíveis e ressaltaram a importância das Forças Armadas para o país. O presidente da Comissão de Relações Exteriores, deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), acredita tanto na apuração detalhada do fato quanto na punição dos culpados.

“Determinados crimes é impossível de prever, né? É uma conduta individual, desviante, que não faz jus à dos demais militares das Forças Armadas. Pode ter certeza que esse fato aí vai ser punido exemplarmente e não vai terminar de manchar a farda das Forças Armadas”.

O prazo inicial do inquérito policial militar, de 40 dias, pode ser prorrogado por mais 20. A Polícia Federal e o Ministério Público Federal também acompanham as investigações.

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Reportagem – Cláudio Ferreira
Edição – Ana Chalub

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