09/01/2017 - 16h21

Deputados criticam omissão do Estado no sistema penitenciário

O presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, deputado Padre João (PT-MG), estará nesta semana em Manaus, no Amazonas, e em Boa Vista, Roraima, para verificar de perto a situação dos presídios dessas capitais, que passaram por rebeliões com quase 100 mortes neste início de ano.

Billy Boss - Câmara dos Deputados
Seminário sobre Direito Humano à Alimentação. Presidente da CDHM, dep. padre João (PT-MG)
Padre João: "Todo familiar que tem um parente preso hoje em dia se encontra em estado de pânico"

Segundo o parlamentar, a ideia é falar com as autoridades, mas principalmente com os parentes dos presos assassinados. “Todo familiar que tem um parente preso, em qualquer estado, se encontra em estado de pânico hoje”, comentou.

Padre João disse que o massacre de Roraima foi praticamente anunciado em carta divulgada pela imprensa e atribuída à facção paulista Primeiro Comando da Capital (PCC). Dessa forma, na avaliação do deputado, estaria ocorrendo um descontrole do Estado sobre o sistema penitenciário. Ele também citou a existência de investigações mais antigas da Polícia Federal sobre a atuação das facções criminosas nos presídios.

Sugestões ignoradas
Por sua vez, o coordenador da Frente Parlamentar de Segurança Pública, deputado Alberto Fraga (DEM-DF), que também presidiu a CPI do Sistema Carcerário, cobrou do Executivo um respeito maior ao Legislativo.

Leonardo Prado / Câmara dos Deputados
Audiência pública para esclarecimentos sobre fatos relacionados ao objeto de investigação da CPI. Dep. Alberto Fraga (DEM-DF)
Alberto Fraga: "Em alguns presídios, que toma conta são os presos. Isso é inadmissível"

Ele ressaltou que a comissão apontou o problema das facções e fez diversas sugestões de melhorias, que foram ignoradas pelo governo.“Em alguns presídios, quem toma conta são os presos. Você não pode admitir isso, que é fruto da omissão total do Estado”, criticou. “Outro problema é a falta de qualificação de alguns funcionários, em geral terceirizados, que não sabem como agir em situações de anormalidade nos presídios”, acrescentou.

Fraga informou que a Frente Parlamentar de Segurança Pública solicitou um encontro com o presidente Michel Temer para ainda nesta semana.

Reportagem – Sílvia Mugnatto
Edição – Marcelo Oliveira

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Comentários

Erasmo Neto | 10/01/2017 - 07h12
"Quem com ferro fere com ferro sera ferido".Salvo engano esta palavras são de Jesus Cristo.Segundo tele jornal,uma universidade fez estudos de quanto custa manter presos em presídios,onde é possível verificar que,se não houver crimes,muitos vão perder altas rendas,haja vista que mesmo não trabalhando os criminosos são matéria prima de alto valor.Para quem?Hoje talvez Jesus:Quem fere com leis absurdas,usando a escrita,com a escrita vai ser ferido.
Luiza Rabelo | 09/01/2017 - 21h56
Concordo com a omissão do Estado. Aliás, ele é omisso em todos os seguimentos que deveria se fazer presente. Só não concordo com a maneira como são tratadas as vítimas de homicídios neste País. Acredito que os deputados jamais perderam parentes assassinados, cujos homicidas nunca foram punidos e, muitas vezes nem descobertos. Por quê familiares de presos mortos têm direito de indenização, enquanto a população que paga os impostos não recebem o mesmo tratamento? Que direito humano visualiza apenas parte do problema? Basta de tanta hipocrisia! Os presos precisam trabalhar. O ócio faz mal à saúde