13/03/2019 - 14h42

Congresso cria frente parlamentar para conter o câncer

Doença cresce e pode se tornar principal causa de mortes no país em uma década

Najara Araujo/Câmara dos Deputados
Lançamento da Frente
Uma das prioridades da Frente Parlamentar será incentivar a pesquisa de novos medicamentos

Dados do Instituto Nacional do Câncer mostram que 600 mil novos casos da doença são registrados a cada ano no Brasil. A expectativa é que até 2030 ela supere as doenças cardiovasculares como primeira causa de morte da população. Para tentar enfrentar as várias dificuldades de diagnóstico e tratamento, Câmara e Senado criaram nesta quarta-feira (13) a Frente Parlamentar em Prol da Luta contra o Câncer.

Uma das prioridades da frente, segundo a coordenadora do grupo, deputada Silvia Cristina (PDT-RO), é incentivar a pesquisa de novos medicamentos. Vítima de câncer de mama, que já foi curado, ela se preocupa também com as barreiras que moradores do seu estado, Rondônia, e da região amazônica em geral, enfrentam.

“Nós ainda temos dificuldade de acesso à radioterapia, as filas ainda são grandes, já tivemos muitas dificuldades de leitos, mas especialmente na Região Norte, à qual eu represento, nós temos ainda muitas dificuldades com relação a diagnóstico e prevenção. Esses exames não chegam na rapidez que deveriam chegar para que a pessoa descubra (o câncer) em estágio hábil para iniciar um tratamento”, disse.

Câncer de mama
O lançamento da Frente Parlamentar contou com a presença de várias entidades da sociedade civil que combatem o câncer. Joana Jeker, da Associação de Mulheres Mastectomizadas de Brasília, levou um grupo grande de vítimas de câncer de mama para chamar a atenção para o projeto de lei (PLC 143/2018) que determina o máximo de 30 dias para que a suspeita de câncer seja confirmada por biópsia no Sistema Único de Saúde (SUS).

A proposta já passou pela Câmara e está sendo analisada pelo Senado. Segundo ela, um relatório do Tribunal de Contas da União aponta que 60% dos diagnósticos de câncer no SUS são feitos quando a doença já está avançada ou na fase de metástase, resultando em tratamentos mais longos, mais invasivos e mais caros.

“Nós sabemos que o câncer de mama tem até 95% de chance de cura quando diagnosticado no estágio inicial, estágio onde o tumor está bem pequeno, menos de 1 centímetro, então é fundamental para salvar muitas e muitas vidas e para também diminuir a mortalidade pelo câncer no Brasil”, observou Joana Jeker.

Orçamento
Outra prioridade da frente parlamentar mista é a redistribuição orçamentária, para evitar que entidades de tratamento e apoio aos doentes de câncer vivam com as contas no vermelho. Para o oncologista Sérgio Petrilli, diretor superintendente do Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (Graacc), que mantém um hospital em São Paulo, o apoio de deputados e senadores é essencial.

“Cerca de 90% dos nossos pacientes do Graacc são do SUS. Isso faz com que a nossa receita seja abaixo da metade do que a gente gasta. Então é fundamental que a gente consiga outros recursos, na linha de emendas parlamentares, na linha de renúncia fiscal, na linha de deixar com que a gente, sendo entidade filantrópica, possa conseguir dinheiro dentro da sociedade civil”, disse.

Comissão

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Durante o lançamento da frente parlamentar, a deputada Silvia Cristina também propôs a criação de uma comissão permanente da Câmara para tratar exclusivamente dos assuntos de saúde, que hoje estão na esfera da Comissão de Seguridade Social e Família.

Reportagem - Cláudio Ferreira
Edição – Roberto Seabra

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