14/12/2018 - 10h33

Agricultura aprova vacinação obrigatória e de graça contra leishmaniose animal

A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados aprovou proposta que pretende tornar obrigatória a vacinação anual de animais contra a leishmaniose em todo o País, a exemplo do que já ocorre no caso da vacina contra a raiva. Essa vacinação será gratuita e fará parte de uma política nacional instituída a fim de prevenir e controlar a doença.

Saiba mais: leishmaniose é transmitida por picada de mosquito

Cleia Viana/Câmara dos Deputados
Reunião ordinária. Dep. Raimundo Gomes de Matos (PSDB - CE)
Raimundo Gomes de Matos recomendou a aprovação da proposta

O texto foi aprovado na forma de substitutivo apresentado pelo relator, deputado Raimundo Gomes de Matos (PSDB-CE). Ele agregou em um só texto o substitutivo e o voto em separado apresentados na Comissão de Seguridade Social e Família ao Projeto de Lei 1738/11, do deputado Geraldo Resende (PSDB-MS), e apensado. “Algumas das disposições contidas no voto em separado eram meritórias e deveriam ter sido incorporadas ao texto final”, disse.

Uma das inovações em seu parecer, afirmou o relator, é que a realização de campanha de vacinação terá como base a estratificação de municípios proposta pelo Ministério da Saúde, concentrando esforços naqueles que possuam maior incidência de casos de leishmaniose e o monitoramento dos que apresentem apenas casos esporádicos.

Vacinação nacional
Conforme o texto aprovado, será instituída a Política Nacional de Vacinação contra a Leishmaniose Animal com a finalidade de prevenir a doença. O trabalho será desenvolvido de forma integrada e conjunta entre os órgãos da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios.

A vacinação gratuita de animais será obrigatória em todo o País. Além disso, haverá campanha de divulgação sobre a doença, distribuição de coleiras impregnadas com inseticida, capacitação de profissionais para diagnóstico precoce, incentivo à pesquisa de novas vacinas, investimento em laboratórios para imunologia e anatomia patológica, monitoramento contínuo dos hospedeiros, realização de inquéritos sorológicos anuais e monitoramento de eventuais cepas resistentes.

Como forma de evitar o aparecimento de cepas resistentes, o substitutivo apresentado por Raimundo Gomes de Matos proíbe a utilização, em cães infectados, de drogas de uso humano que façam parte do protocolo de tratamento normatizado pelo Ministério da Saúde.

Por fim, estabelece a necessidade de notificação às autoridades sanitárias do diagnóstico inicial de leishmaniose visceral animal, bem como de notificações periódicas que mostrem a evolução do tratamento dos animais.

Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e ainda será analisado pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Íntegra da proposta:

Reportagem – Ralph Machado
Edição – Natalia Doederlein

A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara Notícias'



Comentários

Gilvando Galvão | 23/02/2019 - 23h24
A leishmaniose é uma doença com grande potencial zoonótico, porém a vacinação não é eficiente e o protozoário causador da infecção consegue driblar o sistema imune e seria necessário diagnóstico molecular que tem alto custo e é laborioso, antes da vacinação. Seria mais eficaz a distribuição de coleira, campanha de castração gratuito, saneamento básico, educação ambiental as comunidades, principalmente em áreas endêmicas.
Thamires | 23/01/2019 - 14h37
Acho que antes de fazer uma vacinação em massa, deveria ser disponibilizada as Coleiras repelentes e que cobrasse de cada município, que seja criado o centro de zoonoses. Eu sou protetora e moro na cidade do Paulista/PE.Tenho 5 cães contaminados com Leishmaniose e só consegui fazer o Milteforan em 3...Fora os outros 15 cães que não tem sinais clínicaos e portanto não tenho condições de fazer exames em todos.Tb não tenho condições de comprar a coleira para cada cão a cada 4 meses. Na minha cidade nem tem Centro de vigilância ambiental, nem tem veterinário público,olhe que fica só 20km do Recife
Geralda Irene dos Santos | 16/01/2019 - 10h43
Acho preocupante esta vacina, pode dar problemas em cães que não sejam totalmente saudáveis, as autoridades deveriam investir em programas de castração e cuidados com o meio ambiente, limpeza e higienização, mas a zoonoses em parceria com as prefeituras deixam a desejar, por isso o mosquito prolifera descontroladamente.