28/11/2017 - 18h28

Deputados criticam desrespeito à lei e demora para início do tratamento contra o câncer na rede do SUS

Will Shutter/Câmara dos Deputados
Homenagem ao Dia Nacional de Combate ao Câncer
Durante a sessão solene, deputados e especialistas criticaram o não cumprimento da lei que prevê o prazo de 60 dias para início do tratamento de pacientes diagnósticados com câncer no SUS

Parlamentares e participantes de sessão solene da Câmara dos Deputados em homenagem ao Dia Nacional de Combate ao Câncer criticaram a demora para o início do tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo a deputada Carmen Zanotto (PPS-SC), é necessário lutar para que a Lei 12.732/12, que prevê o prazo de 60 dias para início do tratamento de pacientes diagnosticados com câncer no Sistema único de Saúde (SUS), chegue a todas as regiões.

“Não tem lógica a população ter que se deslocar para ter acesso ao tratamento. Precisamos reduzir o tempo de espera dos pacientes atendendo e oferecendo os melhores serviços no próprio estado. É importante prevenir, mas garantir acesso também é fundamental”, declarou.

Exames periódicos
O deputado Hiran Gonçalves (PP-RR), que propôs a realização da sessão, alertou sobre os sintomas da doença. “As pessoas precisam valorizar os seus sintomas e fazer exames periódicos. Espero que essa solenidade possa chamar a atenção para essa questão, que também é muito importante e ainda é um problema da nossa sociedade”, afirmou.

Os deputados Geraldo Resende (PSDB-MS) e Simão Sessim (PP-RJ) disseram que o Estado tem papel fundamental no combate às causas do câncer, como alcoolismo, tabagismo, obesidade, sedentarismo, hábitos alimentares e sexuais.

“Mais de 14 milhões de pessoas são diagnosticadas com a doença e quase 9 milhões morrem em razão dela. As estimativas para o futuro são alarmantes, indicando que o número aumentará 70% em apenas 20 anos. A situação da saúde pública está terrível, os pacientes precisam esperar para realizar exames, para consulta médica e para iniciar os procedimentos”, afirmou Geraldo Resende.

“O sistema de saúde melhorou de alguns anos para cá, mas a estrutura ainda é insuficiente para a população. O Instituto Nacional de Câncer é a maior instituição de tratamento ao câncer e ainda enfrenta problemas com a falta de espaço, de equipamentos e de médicos. O câncer não perdoa falhas e exige tratamento rápido e de qualidade”, acrescentou Simão Sessim.

Prevenção
A diretora-geral do Inca, Ana Cristina Mendes, lembrou que até a metade dos casos de câncer poderia ser evitada por ações de prevenção. “Mesmo não sendo evitável, a doença ainda pode ser curada. Investimentos na prevenção do câncer certamente contribuiriam para os recursos ao diagnóstico e tratamentos necessários para combater a doença”, disse.

Em mensagem enviada ao Plenário, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, também apoiou a prevenção afirmando que muitos casos podem ser evitados por meio da mudança de hábitos. “É importante tratarmos sobre projetos e campanhas voltados a conscientização da doença. Investir em qualidade de vida adotando o estilo de vida saudável é um dos passos mais importantes para essa luta”, afirmou Maia.

Reportagem – Carolina Rabelo
Edição – Roberto Seabra

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