26/04/2012 - 09h02

Formas de uso da maconha são tema de audiência pública

A Comissão de Seguridade Social e Família realiza audiência pública hoje com a presença de especialistas para debater os supostos benefícios e malefícios do uso da maconha para a saúde. Foram convidados para o debate o professor adjunto do Departamento de Fisiologia da Universidade de Brasília (UnB) Renato Malcher Lopes; o escritor e pesquisador Gideon dos Lakotas; a psicóloga clínica especialista em saúde mental Marisa Lobo; e o deputado estadual de São Paulo coronel Edson Ferrarini. O debate já havia sido marcado para o mês passado, mas foi adiado.

O deputado Ferrarini é também psicólogo, advogado e coronel da reserva da Polícia Militar. O professor Malcher Lopes é mestre em biologia molecular e doutor em neurociências, além de coautor do livro "Maconha, Cérebro e Saúde”. A audiência foi requerida pelos deputados Roberto de Lucena (PV-SP), Eleuses Paiva (PSD-SP) e Paulo Rubem Santiago (PDT-PE).

Lucena justifica a necessidade do debate pelo fato de a descriminalização do uso da maconha no Brasil no últimos anos ter passado a ser discutida abertamente por diversos segmentos da sociedade. Estudantes, acadêmicos, profissionais das áreas de saúde e segurança e políticos romperam o silêncio e defenderam publicamente a descriminalização do uso da maconha, lembra ele, utilizando argumentos diversos, entre os quais os benefícios da erva para a saúde.

Roberto de Lucena disse ainda acreditar que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de permitir passeatas pela descriminalização da maconha incrementou ainda mais os debates. “Especialistas em prevenção de dependência química passaram a ser, com mais frequência, indagados sobre os possíveis benefícios que o entorpecente pode oferecer para a população. As repostas quanto a este quesito têm sido divergentes, o que nos leva a uma grande preocupação”, afirma.

“Problemas pulmonares e mentais”
O deputado citou uma resposta dada ao Portal SRZD pelo diretor científico da Associação Brasileira de Alcoolismo e Drogas, Jorge Jaber, sobre os benefícios do uso medicinal da erva. "A liberação da maconha vai trazer um problema de saúde pública para o Brasil. A nossa rede de saúde não esta preparada para atender os casos. O uso medicinal da maconha pode ser feito em comprimidos, por exemplo. Fumar não faz bem aos pulmões e vai causar mais problemas pulmonares e também ocasionar alguns problemas mentais, como surtos psicóticos e outras síndromes”, ressaltou Jaber, levantando ainda a possibilidade de a maconha afetar a memória recente.

“Substância segura”
Em contrapartida, Lucena citou uma entrevista do neurocientista e farmacologista Daniele Piomelli, considerado uma autoridade quando o assunto é maconha, em que afirmou que a erva é uma das substâncias mais seguras existentes e defendeu o seu uso medicinal em especial no tratamento de pacientes de doenças graves, como câncer e Aids. “Seria imoral, antiético e desumano não fornecer esse alívio para pessoas que estão sofrendo, por motivos que vão além da medicina e que a ciência não fundamenta. Como você vai dizer para alguém com câncer terminal que ele não pode fumar maconha para aliviar sua dor?" questionou Daniele, segundo o deputado.

A audiência pública será realizada às 9h30, no Plenário 7.

Da redação/ MM

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Comentários

Cristiano | 01/05/2012 - 11h55
Neurocientistas como Sidarta Ribeiro, Renato Malcher e Stevens Rehen, afirmam que a maconha é uma droga muito mais segura e menos viciante do que o álcool e o tabaco, que a teoria da “porta de entrada” não passa de um mito que, absolutamente, não corresponde à realidade da maioria esmagadora dos usuários, e que a ideia de que a maconha “mata neurônios”, simplesmente, é falsa. Pelo contrário, estes pesquisadores citam pesquisas que concluíram que os princípios ativos da maconha possuem efeito neuroprotetor, com potencial de utilização no combate de doenças como Parkinson e Alzheimer.
Cristiano | 01/05/2012 - 11h53
Hahahaha, tem gente que ainda acha que alguém sai assaltando ou matando por causa de maconha.
ASF | 27/04/2012 - 11h59
Compreendendo o tema, e também analisando Brasil e Holanda, cultura, população, território; são paises bem diferentes. E sabendo que maconha leva ao consumo de drogas mais pesadas. Com isso convido vocês para visitarem a Cracolândia, onde existe crianças viciadas, que sua vida é apenas conseguir o Crack para usar. As pessoas falam de liberdade, mas vicio não é liberdade, é exatamente uma prisão; a maioria das pessoas tendo acesso a maconha ficaram viciadas e não libertas. O Brasil não está preparado para uma liberação dessas. Imaginem o caos que seria.