12/02/2019 - 20h11

Parlasul não chega a consenso sobre crise política na Venezuela

Parlamentares irão se reunir novamente em março para tomar uma decisão sobre o caso

Os representantes dos países que integram o Parlamento do Mercosul não chegaram a um consenso sobre como se posicionar em relação à crise política e humanitária na Venezuela.

A Mesa Diretora do Parlasul se reuniu nesta segunda-feira (11) para definir uma agenda que pudesse ajudar a Venezuela a sair da crise. Mas os parlamentares saíram da reunião sem nenhuma proposta definida, pois não houve consenso entre os representantes dos países-membros, como explica o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), que é o vice-presidente do Parlasul pelo Brasil.

Lúcio Bernardo Jr./Câmara dos Deputados
Homenagem póstuma ao ex-reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, Luiz Carlos Cancellier de Olivo. Dep. Arlindo Chinaglia (PT - SP)
Arlindo Chinaglia é o vice-presidente do Parlasul pelo Brasil

"A posição do Brasil, da Bolívia, do Uruguai e da Argentina coincidiu em linhas gerais. Entretanto, como qualquer decisão da mesa diretiva, só pode de fato haver essa decisão se for por consenso, e o vice-presidente pelo Paraguai disse que não concordava", explicou.

Os representantes defenderam que a crise deve ser resolvida pelos próprios venezuelanos, sem qualquer interferência externa, principalmente uma intervenção militar. O Parlasul acompanharia, junto com outros países, o diálogo para que ajuda humanitária chegue à Venezuela e novas eleições sejam realizadas de forma democrática no país.

Tomás Enrique Bittar, vice-presidente do Parlasul pelo Paraguai, discordou da proposta e descartou a possibilidade de diálogo com a Venezuela.

"Não é que bloqueamos, porque havia pontos em que convergíamos. Mas nós partimos da base do não-reconhecimento do governo de Nicolas Maduro. O diálogo que se tentou e que se quer tentar já está vencido. O que mais tem de acontecer na Venezuela para que paremos de falar de diálogo? Esse senhor já passou da linha", disse Bittar.

Crise política
A reunião do Parlasul contou com representantes do governo e da oposição venezuelana, pois desde o início do ano o país está com dois presidentes, o que agravou a crise.

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No mês de janeiro, o líder da Assembleia Nacional da Venezuela, Juan Guaidó, se autodeclarou presidente interino do país e pediu novas eleições. Desde então, as ruas foram tomadas por manifestantes. Maduro já disse que não renunciará e que "vai ao combate".

Para o deputado Arlindo Chinaglia, a negociação precisa ter representantes de Maduro, para não haver risco de um derramamento de sangue na Venezuela. Por outro lado, diversos países, inclusive o Brasil e integrantes da União Europeia, reconheceram Juan Guaidó, da oposição, como presidente legítimo para conduzir um processo de transição no país vizinho.

"É preciso considerar que o que está por trás dessa crise são erros do governo, o bloqueio econômico, agora, o olho de cobiça é o petróleo. Nossa responsabilidade é, em primeiro lugar, defender o povo venezuelano. E, na minha opinião, defender que ninguém toque no petróleo da Venezuela, nenhum grupo estrangeiro de nenhuma natureza porque é uma riqueza incalculável e finita”, argumentou.

Nova reunião
O presidente do parlamento do Mercosul, o uruguaio Daniel Caggiani, informou, em entrevista logo após a reunião da Mesa Diretora do Parlasul, que uma decisão deverá ser tomada pelo Plenário da instituição em março, com possíveis soluções para crise que assola a Venezuela.

Reportagem – Nicole Mattiello
Edição – Ana Chalub

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