21/11/2018 - 15h30

Especialistas defendem integração regional na política externa

Em seminário promovido pela Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional nesta quarta-feira (21), os especialistas convidados listaram vários desafios que o novo governo terá que enfrentar no cenário internacional, como as consequências da guerra comercial entre China e Estados Unidos, e ressaltaram a necessidade da integração regional.

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Para o embaixador Rubens Barbosa, que hoje é diretor-presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior, o cenário é o mais "imprevisível e turbulento" desde 1945.

Segundo ele, o país terá que decidir o que pretende em relação aos demais países em várias situações importantes. Um exemplo é que, no ano que vem, a reunião de cúpula do Brics será no Brasil. O Brics é o grupo formado por Brasil, China, Rússia, Índia e África do Sul. Também é previsto que será necessário renegociar o tratado com o Paraguai relativo à usina de Itaipu, que termina em 2023.

Outras pautas seriam o uso da base de Alcântara por outros países; a integração comercial dos 13 países da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi); e o pedido de adesão do Brasil à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Rubens Barbosa afirmou que ainda é preciso saber se o novo governo realmente agirá conforme as declarações de seus integrantes. Ele defendeu, porém, que a política externa não pode seguir os interesses de outros países.

"Nós vamos ter que acompanhar o que vier pela frente, sempre tendo presente a defesa do interesse brasileiro. Se alguns modelos pregam a preminência da nação, do Estado; que a nação venha em primeiro lugar. Aqui no Brasil também. O Brasil em primeiro lugar. Sem que nós sigamos acriticamente políticas de outros países", afirmou.

Tanto Barbosa quanto o embaixador João Clemente Baena Soares, ex-secretário-geral do Itamaraty e da Organização dos Estados Americanos, afirmaram que é preciso fortalecer a integração regional, como previsto na Constituição.

Baena Soares defendeu que isso seja uma prioridade: "O Mercosul não é apenas um acordo de comércio. É mais do que isso. É um acordo de estabilidade, é um acordo de paz, é um acordo de cooperação, é um acordo de benefícios recíprocos. É, portanto, uma mudança de mentalidade na América do Sul."

Para o embaixador Baena Soares, a cooperação entre os países da América do Sul é essencial para lidar com questões como as reservas de água que esses países têm, um ativo que deverá ser cada vez mais importante. Ele explicou que a América Latina tem 53% da água doce do planeta.

O presidente da Comissão de Relações Exteriores, deputado Nilson Pinto (PSDB-PA), disse que o Brasil ainda não ocupa o lugar que deveria ter no cenário mundial. Mas ressaltou que esse é um problema que tem que ser resolvido pela sociedade como um todo.

Reportagem - Sílvia Mugnatto
Edição – Wilson Silveira

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