01/07/2015 - 18h27

CPI vai ouvir policiais federais e empresário que denunciou envolvimento de Lula

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras vai ouvir nesta quinta-feira (2) depoimentos dois policiais federais que tiveram os nomes envolvidos em uma suspeita de investigação ilegal do doleiro Alberto Youssef e um empresário que denunciou favorecimentos da Petrobras à empreiteira Odebrecht.

O agente Dalmey Fernando Werlan e o delegado José Alberto de Freitas Iegas, ambos da Polícia Federal, são personagens de um caso de escuta ilegal investigada pela Corregedoria da corporação.

Em 2014, foi encontrado um aparelho de escuta na cela do doleiro Alberto Youssef, um dos principais delatores do esquema investigado na Operação Lava Jato, em Curitiba (PR). Os depoimentos dos policiais foram pedidos pelos deputados Aluísio Mendes (PSDC-MA) e Celso Pansera (PMDB-RJ).

Os deputados justificam o pedido alegando que os nomes dos policiais foram relacionados ao caso em reportagem da revista Veja. Segundo a publicação, entre as hipóteses para a escuta estão uma disputa de poder entre policiais da Superintendência da PF no Paraná e até mesmo a fabricação de provas ilegais para permitir a anulação dos inquéritos. A Polícia Federal ainda não divulgou o resultado oficial das investigações internas sobre o episódio.

Além de Werlan e Iegas, deve prestar depoimento do empresário Auro Gorentzvaig, ex-conselheiro e acionista da Petroquímica Triunfo, do Rio Grande do Sul.

Denúncia de empresário
Ele apresentou denúncia ao Ministério Público com acusações de corrupção na Petrobras. Segundo o empresário, a Triunfo foi “expropriada'' em maio de 2009 por decisão do governo para beneficiar a Odebrecht, dona da empresa petroquímica Braskem. Ele mencionou os nomes da presidente Dilma Rousseff, do ex-presidente da Petrobras Luiz Sérgio Gabrielli e do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa – um dos delatores da Operação Lava Jato.

De acordo com o empresário, a Petrobras comprou a petroquímica Suzano pelo triplo do preço de mercado.

A deputada Eliziane Gama (PPS-MA), que solicitou o depoimento do empresário, assinalou que Auro Gorentzvaig enviou uma denúncia com 10 páginas à Procuradoria Geral da República sobre crimes no setor petroquímico brasileiro.  A parlamentar acrescentou que, na denúncia, o empresário diz que o ex-presidente Lula mantinha relações estreitas com Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras. “Auro Gorentzvaig procurou o então presidente Lula, pois não aceitava a incorporação da Triunfo pela Braskem, o que representava um desrespeito ao acordo de acionistas. A reunião ocorreu em 26 de fevereiro de 2009, no Centro Cultural do Banco do Brasil, em Brasília, por intermédio do petista Luiz Marinho, atual prefeito de São Bernardo do Campo. Segundo o empresário, após expor ao então presidente da República que a Justiça lhe dava razão e sugerir que fosse feita uma divisão de mercado com a empresa do Grupo Odebrecht, Lula pôs a mão na sua perna e disse: ‘Poder Judiciário não vale nada. O que vale são as relações entre as pessoas.’ Em sua denúncia à Procuradoria-Geral da República, Gorentzvaig disse ainda que Paulo Roberto Costa era um operador de Lula e que Dilma Rousseff, na condição de presidente do Conselho de Administração da Petrobras, era uma executora do plano de Lula e da Odebrecht de concentrar o setor petroquímico.”

A reunião está prevista para as 9h30, no plenário 2.

Reportagem - Antonio Vital
Edição - Regina Céli Assumpção

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Comentários

Carlos Roberto Marceu | 02/07/2015 - 12h08
O povo e o mundo tem certeza que Lula e Dilma estão envolvidos no Lava jato, já prenderam todos delatados só Lula e Dilma que não, e eles tinham responsabilidade subjetiva, só por ai já deveriam responder, não entendo a razão que são tão defendidos pelos poderes, e continuando com essa investigação piada.
Alexandre Antonio de Souza Eleuterio | 02/07/2015 - 09h10
Demorou surgir um corajoso a denunciar a participação dos personagens da cúpula do governo federal. A CPI tem o dever de esclarecer essa denúncia, de forma isenta, para que se possa fazer justiça, é o que o povo clama.