14/03/2014 - 13h49

Projeto de lei redefine atividades privativas de médicos

A proposta, que será analisada por duas comissões, ainda aguarda designação de relator na primeira delas: a Comissão de Seguridade Social e Família.

Laycer Tomaz / Câmara dos Deputados
Manifestantes (contrários e favoráveis) ao Ato Médico se enfrentam no Salão Verde da Câmara
Manifestantes contrários e favoráveis se enfrentaram na Câmara na durante a votação dos vetos no ano passado.

A Câmara dos Deputados analisa o projeto de lei do Executivo (6126/13) que visa restabelecer, com nova redação, partes vetadas na chamada Lei do Ato Médico (12.842/13). O texto foi encaminhado ao Congresso, no ano passado, para evitar a derrubada dos vetos da presidente Dilma Rousseff.

O assunto gerou polêmica e discussões entre médicos – que defendiam o texto original – e outras carreiras como enfermeiros, psicólogos, nutricionistas e fisioterapeutas – que eram favoráveis aos vetos. No fim, o Congresso manteve os vetos.

Privativo com ressalvas
A Lei do Ato Médico determina como ações privativas do médico a indicação e a realização de cirurgias, sedação profunda e procedimentos invasivos. Já o texto que previa que diagnóstico e prescrição terapêutica e a indicação para uso de próteses e órteses fossem exclusivos de médicos foi vetado.

Agora, o novo projeto enviado pelo Executivo volta a tratar do assunto. O texto trata especificamente de algumas atividades que seriam privativas de médicos, mas que agora poderão ser exercidas por outros profissionais de saúde, desde que sigam prescrição médica ou protocolos e diretrizes clínicas do Sistema Único de Saúde (SUS).

A proposta menciona especificamente procedimentos como formulação de diagnóstico, prescrição terapêutica e alguns procedimentos invasivos, como punções venosa e arterial periféricas.

Valter Campanato/ABr
Manifestação - Cerca de 200 médicos protestam contra a lei do Ato Médico e a
A Lei do Ato Médico foi alvo de diversas manifestações no ano passado.

Procedimentos com invasão da pele atingindo o tecido subcutâneo para sucção, punção, insuflação, drenagem, instilação ou enxertia, com ou sem o uso de agentes químicos ou físicos, continuam sendo atividades exclusivas de médicos.

Ainda de acordo com a nova proposta do Executivo será privativa de médico a direção de serviços de saúde apenas nos casos de serviços com caráter técnico que envolvam atividades privativas de médicos.

“Ao mesmo tempo que deve ser estabelecido o diagnóstico, a prescrição terapêutica e a realização de procedimentos invasivos como atividades privativas do exercício da medicina, é preciso também que o texto possua normatividade capaz de contemplar a realidade atual do trabalho multiprofissional em saúde”, reconheceu o então ministro da Saúde Alexandre Padilha.

Tramitação
O projeto, que tramita em caráter conclusivo, aguarda designação de relator na Comissão de Seguridade Social e Família. Depois, o texto será encaminhado à Comissão e Constituição e Justiça e de Cidadania.

Íntegra da proposta:

Reportagem - Maria Neves
Edição – Natalia Doederlein

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Comentários

Junior Barbosa | 25/04/2019 - 10h38
Médico sabe Medicina, Nutrição é com o Nutricionista, Fisioterapia pelo Fisioterapeuta e etc, esta claro?
Tâmara Luciana Fernandes | 12/04/2019 - 09h14
O que seria a prescrição terapêutica do médico?É corretíssimo que ele faça seu diagnóstico, porém prescrever terapias sem entender o embasamento de cada terapia é ilógico!! Em medicina estuda-se 6 anos, porém não estudam tudo o que há no mercado para atuação devida!! Agora eles enviam 10 sessões de ultrassom para fibrose... E vc profissional vê isso e diz onde esse médico estudou sobre ultrassom terapêutico? Ele não está se atualizando né?? Cada profissional que cuide das suas terapias e técnicas!!
Paula Pedroso | 10/04/2019 - 19h47
Concordo que diagnóstico de doenças seja privativo de médicos, mas, rugas, manchas, flacidez... nada disso é doença. Esse texto não pode fechar a porta da estética porque estética não trata patologias.