11/10/2012 - 17h15

Deputado ressalta a capacidade de Ulysses de aplacar disputas

Durante 17 anos, o deputado Mauro Benevides (PMDB-CE) foi tesoureiro do MDB enquanto Ulysses Guimarães era presidente do partido. Na Assembleia Nacional Constituinte, o então senador Benevides assumiu a vice-presidência dos trabalhos. Muitas vezes ele lembra aos deputados mais jovens como era trabalhar com Ulysses, a quem sempre chama de “grande brasileiro”.

O parlamentar destacou que Ulysses foi importante em várias ocasiões, quando arbitrou disputas e até mesmo brigas dentro do Plenário. “No debate sobre a reforma agrária houve até agressão”, contou, ao analisar que o temperamento de Ulysses o ajudava a buscar uma terceira via. “Ele chamava um grupo, depois o outro, e conseguia uma saída”, disse.

Benevides destacou ainda a formação do Centrão, um grupo de parlamentares de vários partidos que queria rever o texto, após aprovado em todas as comissões, e defendia a retirada de algumas partes. “Ulysses negociou diariamente até encontrar a saída”, contou.

O ex-secretário-geral da Mesa Diretora da Câmara, Mozart Vianna, participou desses trabalhos e se recorda de um momento em que o próprio Ulysses achou que a constituinte não chegaria a um fim. “Depois da última votação, quando ele levantou o texto da Constituição e disse ‘graças a Deus chegamos’, o ‘chegamos’ dizia respeito a isso, pois houve um momento de dúvida”, contou.

A quantidade de temas polêmicos a serem incluídos na Constituição também preocupava. Ulysses negociou para que alguns artigos não vigorassem de imediato, mas remetessem a uma regulamentação futura. “Alguns estão pendentes de regulamentação até hoje e criticam o Congresso por isso; mas havia dificuldades na época, e elas continuam até hoje”, disse Mozart Vianna.

Reportagem – Marcello Larcher
Edição – Maria Clarice Dias

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