18/06/2013 - 15h27

Parlamentares pedem incentivos à agricultura de baixo carbono

Luis Macedo / Câmara dos Deputados
Audiência pública para debater a agricultura de baixo carbono e extensão rural. Relator da CMMC, dep. Sarney Filho (PV-MA) e presidente da CMMC, sen. Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM)
Sarney Filho: é clara a falta de engajamento do produtor rural ao controle do aquecimento global.

Integrantes da Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas afirmaram, nesta terça-feira (18), ser necessária maior redução da taxa de juros e da burocracia em torno da política de crédito e investimentos em insumos e assistência técnica rural. O colegiado debateu o Plano ABC (Agricultura de Baixa Emissão de Carbono), sob a responsabilidade do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

De acordo com o representante do ministério, José Guilherme Leal, o ABC disponibiliza aos agricultores dedicados a práticas de produção redutoras da emissão de gases do efeito estufa linha de crédito com juros de 5% ao ano; prazo de 15 anos para saldar a dívida; e limite máximo de empréstimo no valor de R$ 1 milhão. “O desafio do programa é conciliar produção sustentável com preservação ambiental.”

Críticas ao esquema de crédito do ABC foram levantadas pelo assessor da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) João Carlos De Carli. Conforme afirmou, a taxa de juros oferecida estaria acima da praticada por muitos bancos e pelos próprios fundos constitucionais. “O sistema não incentiva a migrar para a agricultura de baixo carbono. O agricultor prefere bancos onde taxas de juros e exigências são menores”, disse De Carli.

Inovações
Além de linha de crédito acessível e a baixo custo, o emprego de inovações tecnológicas foi apontado como fundamental dentro do programa ABC. É isso que irá permitir a substituição de formas tradicionais de cultivo – muitas passadas de pai para filho – que não só minam a produtividade como também concorrem para maior emissão de gás carbônico no meio ambiente, segundo os participantes do debate.

Mas, para disseminar estas alternativas agrícolas, é necessário treinar melhor os técnicos que atuam na assistência técnica e extensão rural (Ater). Essa demanda foi apresentada por De Carli e endossada pelo representante do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Marco Pavarino. “É importante ter agentes de Ater que dominem mecanismos diferentes dos estabelecidos para a sustentabilidade na agricultura”, comentou Pavarino.

Fundo perdido
Não bastasse a falta de incentivo governamental à adesão a práticas agrícolas sustentáveis, o relator da comissão, deputado federal Sarney Filho (PV-MA), disse ter ficado claro ainda no debate a falta de engajamento do produtor ao controle do aquecimento global.

Apesar de afirmar que o Brasil tem feito muito comparativamente a outros países no controle do aquecimento global, o deputado federal Alfredo Sirkis (PV-RJ) defendeu menos burocracia, juros menores e melhor assistência técnica a agricultores que aderirem ao ABC.

Após considerar que assistência técnica é fundamental ao sucesso do programa agrícola de baixo carbono, a presidente da comissão, senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), sugeriu que alguns programas governamentais ao pequeno produtor ofereçam financiamento a fundo perdido.

Da Redação/NA
Com informações da Agência Senado

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Comentários

alexandre vasconcelos | 19/05/2014 - 18h24
Bom dia! Como pequeno produtor rural necessitamos de acesso a créditos para compra máquinas e equipamentos a 2% ao ano, como o pronaf mais alimentos. Fui ao Banco do Nordeste saber sobre o pronaf mais alimentos para compra de um trator, lá me enviaram a Ematerce, que me falaram que eu não tinha aptidão para receber a linha de financiamento pelo fato de minha esposa ter emprego e renda não oriundo da agricultura, que mesmo eu sendo pequeno não poderia ter o crédito. Fiquei indignado pelo fato, e ver é necessário o pequeno ter acesso a linhas com juros menores.