02/05/2019 - 13h30

Comissão questiona cortes em universidades; governistas defendem investir na educação de base

O Ministério da Educação decidiu cortar 30% do orçamento das universidades e dos institutos federais; contenção chega a R$ 2,4 bilhões

Divulgação/UFMG
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Todas as instituições de ensino superior federais terão 30% da verba contigenciada: governo pretende priorizar educação infantil

A Comissão de Educação da Câmara dos Deputados poderá questionar o Ministério da Educação (MEC) sobre a decisão de cortar 30% do orçamento das universidades e dos institutos federais, anunciada nesta semana. A 1ª vice-presidente do colegiado, deputada Rose Modesto (PSDB-MS), disse que apresentará um requerimento com este objetivo, para esclarecer o motivo do corte, que representa R$ 2,4 bilhões.

Para Rose Modesto, em dinheiro da educação não se mexe. “É muito triste ver a educação regredir, porque nós estamos lutando é para que haja mais investimentos”, afirmou. “O governo, quando não pode fazer tudo, tem que priorizar a educação. Se não for uma prioridade desse governo, ele não vai cumprir tudo aquilo que foi apresentado durante o período eleitoral”.

Inicialmente, o bloqueio atingiu a Universidade de Brasília, a Federal Fluminense (UFF) e a Federal da Bahia (UFBA). Após receber críticas de que estaria perseguindo ideologicamente algumas instituições, o MEC estendeu o contingenciamento a todas as instituições de ensino superior federais.

Na imprensa e nas redes sociais, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, defendeu o corte de recursos das universidades que não apresentassem resultados acadêmicos esperados ou que estivessem promovendo “balbúrdia” no campus. O ministro também defendeu o investimento prioritário em educação infantil.

Em nota, no entanto, a pasta informou que “o critério utilizado para o bloqueio foi operacional, técnico e isonômico para todas as universidades e institutos, em decorrência da restrição orçamentária imposta a toda Administração Pública Federal por meio do Decreto 9.741, de 28 de março de 2019”. O decreto bloqueou R$ 5,8 bilhões do total de R$ 23,6 bilhões inicialmente destinados pelo orçamento às despesas não obrigatórias do MEC.

O texto do MEC diz ainda que o bloqueio pode ser revisto pelo Ministério da Economia e pela Casa Civil, caso a reforma da Previdência seja aprovada e a economia melhore no segundo semestre. Até agora, universidades e institutos tiveram 40% do seu orçamento liberados para empenho.

“Retaliação”
Na avaliação do deputado Paulo Teixeira (PT-SP), o ministro está promovendo uma “retaliação” ao mundo acadêmico, com prejuízo para a sociedade. “Me parece que o ministro pratica um crime de improbidade. Ele fere um dos princípios do artigo 37 da Constituição, que exige que o agente público aja com impessoalidade no tratamento das questões públicas. Aqui, ele importa uma ideologia e persegue instituições públicas que desempenham o melhor e o maior papel para o desenvolvimento brasileiro”, criticou.

A deputada Bia Kicis (PSL-DF), por outro lado, assim como o ministro, é da opinião de que os investimentos devem ser feitos principalmente na educação de base.

“Infelizmente hoje as universidades estão passando por um momento de profunda crise. A gente percebe a utilização das universidades não para ensinar, não para a pesquisa, não para formar profissionais, mas para formar militantes. As pessoas vão para a universidade para fumar maconha, fazer peça de macaquinho, andar pelado. Isso para mim é um assombro”, disse Bia Kicis.

A parlamentar também é favorável a repensar a gratuidade das universidades “para pessoas que, na maioria das vezes, têm recursos para pagar”. Poderia ser, segundo ela, uma solução para o problema das universidades públicas.

Ação
O Psol já entrou com ação na Procuradoria-Geral da República para apurar possível prática de improbidade administrativa do ministro Abraham Weintraub. A deputada Áurea Carolina (Psol-MG) também apresentou à Câmara um projeto de decreto legislativo (PDL 215/19) para suspender os cortes.

 

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Reportagem – Noeli Nobre
Edição – Rachel Librelon

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Comentários

YUMI WAKI KATO | 11/05/2019 - 21h18
A privatização das nossas federais é um assunto que muito interessa aos políticos, além de ser muito antiga. Privatizar significa abrir mão do direito admistrativo que atualmente está em rigor, como contratacao de professores doutores e mestres concursados e pondo e risco a compra de vagas, indicação inadequada de cargos, entre outros, como ocorre nas privadas mais populares do país. Apenas pense, não é o sonho de ninguém estudar numa Anhanguera por mais barata que seja e tendo os mesmos professores que lecionam em muitas federais e estaduais, por quê será?
YUMI WAKI KATO | 11/05/2019 - 21h09
Ao senhor Heldomiro, digo que o sonho que uma universidade pública para muitos da classe média é o fato se manterem livres de custas adicionais decorrentes de mensalidade para que muitos possam viabilizar a mudança de região ou Estado, manter-se na faculdade e praticar atividades de seu gosto. Ao contrário do que muitos pensam, a maioria live nesse limite sustentado por pais pois estudam integralmente. Se quer que a classe pobre frequente em número ainda maior (realidade que vem melhorando com as cotas) lute pela ampliação de investimentos em vagas, ampliacao de cotas e etc.
Heldomiro Machado de Carvalho | 03/05/2019 - 07h51
Educação, como qualquer outro serviço público, deveria ser pago POR QUEM PODE. É inaceitável ver os "descamisados" tendo o nome enviado ao Serviço de Proteção ao Crédito por inadimplência por conta dos atrasos na quitação do FIES, enquanto a ELITE, que estudou do ensino Fundamental ao Médio em escolas PARTICULARES, "frequenta" e se gradua (quando isso acontece) em Universidades Públicas. Reafirmo minha posição, quem pode pagar TEM QUE PAGAR, que pague o quanto puder, mas PAGUE. Universidade pode ser de Qualidade e Pública, mas não OBRIGATORIAMENTE gratuita!