03/07/2018 - 18h28

Congresso comemora o centenário de Athos Bulcão

Homenagem foi feita em sessão solene realizada nesta terça-feira (3)

Em homenagem aos cem anos de nascimento de Athos Bulcão, comemorados na última segunda-feira, o Congresso Nacional realizou, nesta terça (3), sessão solene presidida pelo segundo vice-presidente do Senado Federal, senador João Alberto Souza (MDB-MA).

A sessão de homenagem aconteceu no Plenário do Senado Federal, que carrega uma das obras de Athos Bulcão que enfeitam Brasília. “Athos Bulcão vive em suas obras, por isso posso dizer sem exagero que sua presença paira sobre nós neste exato instante. As placas metálicas que pendem do teto, dando o sublime efeito luminoso à cobertura deste Plenário, leva assinatura deste artista”, destacou João Alberto Souza.

Luis Macedo/Câmara dos Deputados
Homenagem ao centenário de nascimento de Athos Bulcão
Homenagem a Athos Bulcão foi realizada no Plenário do Senado

Para o senador, Brasília seria menos monumental sem as obras do homenageado. “A visão do Teatro Nacional não teria o mesmo impacto na ausência dos blocos brancos distribuídos em suas laterais e o Cine Brasília ostentaria uma imensa lacuna na sala de projeção sem seu painel em tons de vermelho e amarelo”, exemplificou.

A deputada Érika Kokay (PT-DF) concorda. “Athos Bulcão faz parte do imaginário desta cidade, fruto de um projeto nacional e que foi construída trazendo trabalhadores e trabalhadoras de todos os lugares do Brasil para transformar o barro vermelho na capital da esperança”, afirmou.

Segundo o senador Cristovam Buarque (PPS-DF), ex-governador do Distrito Federal, Athos Bulcão é um dos raríssimos artistas do mundo que conseguiram ter uma vinculação com a cidade que ele ajudou a criar. “Athos foi um dos criadores, dos inventores, dos fundadores da cidade. Isso faz que ele seja homenageado aqui”.

Arte e arquitetura
De acordo com o presidente da Fundação Athos Bulcão, Paulo Brum Ferreira, o artista é o mestre da intervenção artística na arquitetura. “Ele construiu uma linguagem poética de extrema universalidade, realizando de forma única a união da arte à arquitetura com os painéis em azulejos, relevos em madeira e em mármore”, afirmou.

“A obra de Athos se confunde com a paisagem de Brasília. Athos é a convivência cotidiana da população com sua arte, formando o imaginário poético e a identidade cultural desta cidade. Se Oscar Niemeyer e Lúcio Costa foram os idealizadores dos edifícios e do plano urbanístico da cidade, poderíamos dizer que Athos Bulcão é o artista da cidade”, finalizou.

Vida e obra
Athos Bulcão nasceu em 2 de julho de 1918, no Rio de Janeiro. Ele frequentou teatros, o Salão de Artes e a ópera. Aos 18 anos, ingressou na Faculdade de Medicina, mas abandonou o curso no terceiro ano para se dedicar à arte.

Em 1958, mudou-se para Brasília, cidade em que viveu até sua morte, em 2008, aos 90 anos. Em 1963, a convite de Darcy Ribeiro, Athos começou a ministrar aulas na Universidade de Brasília. Por defender a democracia e as liberdades civis, foi desligado da instituição pelo governo militar em 1965. Destituído da docência, realizou projetos no Brasil e no exterior. Argélia, França e Índia são alguns dos países que abrigam suas obras.

Mais do que escolas ou movimentos, os amigos, grandes nomes do modernismo, como Cândido Portinari, Carlos Scliar, Pancetti, Dacosta, Terrero, Enrico Bianco e Burle Marx, tiveram uma importância muito grande na sua formação.

Fundação Athos Bulcão
Criada em 1992, a Fundação Athos Bulcão atua na promoção, documentação, preservação, pesquisa e difusão da obra do artista, além de comercializar múltiplos da sua obra.

Reportagem – Larissa Galli
Edição – Ana Chalub

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