02/12/2015 - 14h57

Estimular habilidades emocionais torna aprendizado mais efetivo, dizem especialistas

Bruno Franchini / Câmara dos Deputados
Seminário Internacional - O Desenvolvimento Socioemocional e a Educação para falar da influência da Inteligência Emocional na Educação. Dep. Alex Canziani (PTB-PR)
Deputado Alex Canziani considera que o debate vem em um momento oportuno para a educação

Especialistas ouvidos nesta terça-feira (1) na Câmara dos Deputados foram unânimes em atribuir papel decisivo do desenvolvimento de habilidades socioemocionais na capacidade de aprendizado dos estudantes.

“Habilidades emocionais podem ser ensinadas e, de acordo com pesquisas, as escolas que investem nesse aspecto da educação registram melhores notas e menos agressividade em seus alunos”, acrescentou Joshua Freedman, diretor da organização Six Seconds, que possui uma das mais amplas redes de profissionais e pesquisadores de Inteligência Emocional no mundo.

Joshua ponderou, no entanto, que não se pode esperar que apenas a escola tenha capacidade de desenvolver habilidades socioemocionais nos nossos filhos. Para ele, o segredo é a colaboração entre pais e professores.

A Inteligência Emocional é definida como a capacidade que o ser humano tem de reconhecer os próprios sentimentos e os de outras pessoas, e, também, como a maneira de lidar com os sentimentos. Ela está relacionada à motivação e à capacidade de persistir em situações de frustrações.

O especialista foi um dos convidados do seminário internacional “O Desenvolvimento Socioemocional e a Educação”, realizado nesta terça-feira (1) no auditório Nereu Ramos, da Câmara dos Deputados.

Base Nacional
O presidente da Frente Parlamentar Mista da Educação e autor da iniciativa para realização do seminário, o deputado Alex Canziani (PTB-PR), ressaltou a importância desse debate no momento em que o País discute a adoção de uma base nacional comum curricular. “Como diria Victor Hugo, não há nada tão forte quanto uma ideia cujo tempo já chegou”, sublinhou Canziani.

O secretário-executivo do Ministério da Educação, Luiz Cláudio Costa, reconheceu a importância de se associar o conhecimento cognitivo com a capacidade de compartilhar valores e lembrou que a própria Constituição trata dessas habilidades ao ressaltar a cidadania e a solução pacífica dos conflitos como valores da República.

Formação profissional
O consultor da Unesco Bahij Amin Aur afirmou que o saber técnico não deve ser a única preocupação na formação de um profissional.

“Aos conhecimentos profissionais são requeridas competências pessoais – entendidas como a capacidade pessoal de mobilizar, articular e colocar em ação conhecimentos, habilidades, atitudes e valores necessários para o desempenho eficiente e eficaz das atividades requeridas pelo desenvolvimento tecnológico”, atestou Bahij Amin.

Ele agrupa Inteligência Socioemocional em oito macrocompetências – colaboração, respeito, pensamento crítico, abertura a novidades, resolução de problemas, autocontrole e criatividade.

Na mesma linha, o Presidente do Instituto de Projetos Sociais e Tecnológicos de São Paulo (IPSO), Francisco Cordão, listou uma série de competências socioemocionais exigidas na formação profissional moderna – trabalhar em equipe, negociar conflitos, comunicar-se adequadamente, resistir a pressões, aprender a correr riscos e flexibilidade para aprender e desaprender, construir e desconstruir.

Políticas públicas
Na formação de futuros líderes e formuladores de políticas públicas, o desenvolvimento de habilidades sociais e emocionais é uma prioridade da Harris School of Public Policy e da Universidade de Chicago. O reitor Daniel Diermeier, que atua nas duas instituições, explica que os dirigentes e agentes públicos de hoje não podem levar em conta apenas cálculos racionais, mas também aspectos sociais e emocionais de suas decisões.

“Para implementar uma política pública, é preciso entender a necessidade de suporte político, a influência da mídia, o comportamento da opinião pública”, deu como exemplos Diermeier, que ressalta a importância da prática no aprendizado.

Nessa perspectiva, os alunos da Universidade de Chicago desenvolveram numa comunidade pobre de Chicago o programa “Becoming a Man” (tornando-se homens), que ajudou a reduzir em 44% os crimes violentos praticados por jovens que participaram da iniciativa. Colocando na prática teses desenvolvidas na academia, os estudantes reduziram a violência eliminando barreiras não acadêmicas dos jovens envolvidos no programa.

O seminário internacional “O desenvolvimento socioemocional e a educação” foi uma realização da Frente Parlamentar Mista da Educação em parceria com a Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, com apoio da Confederação Nacional do Comércio.

Da Redação - MT
Com informações da Frente Parlamentar Mista da Educação

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