24/04/2019 - 23h05

"Deep web" oferece riscos para crianças e adolescentes, alertam especialistas

Em audiência pública da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (24), especialistas alertaram sobre os perigos para crianças e adolescentes da chamada deep web - uma camada da internet onde o usuário pode ficar anônimo e que não aparece nos mecanismos de busca, funcionando como um “submundo". Muitas vezes, o anonimato é usado para incitar crimes de ódio e intolerância, além de abusos sexuais.

Cleia Viana/Câmara dos Deputados
Audiência pública sobre os perigos da deep web para as crianças e os adolescentes
Especialistas afirmam que anonimato, muitas vezes, é usado para incitar crimes na chamada deep web

Segundo a chefe da Unidade de Repressão a Crimes de Ódio e Pornografia Infantil da Polícia Federal, Rafaella Vieira, controlar o uso da internet por crianças e adolescentes é difícil; por isso, os pais precisam ter um papel importante. Ela afirma que o Brasil é o segundo país do mundo que mais sofre danos com crimes cibernéticos.

"O uso da internet foi muito publicizado. Todo mundo tem acesso. Não adianta o pai proibir o filho de acessar a internet ou de ter um celular, porque ele vai fazer isso com um coleguinha", diz.

O tema da audiência pública surgiu após o massacre ocorrido na escola estadual Professor Raul Brasil, em Suzano (SP). No dia 13 de março deste ano, dois atiradores mataram alunos e funcionários da escola. A polícia afirmou que um dos atiradores havia pesquisado na deep web, durante o planejamento do crime (que levou mais de um ano), sobre atentados semelhantes em escolas dos Estados Unidos.

O deputado que propôs a audiência, Filipe Barros (PSL-PR), afirma que é importante trazer o assunto para o Congresso, órgão competente para debater essas políticas públicas.

"É necessário que essa Casa discuta tanto medidas legislativas quanto medidas de construção de políticas públicas, de articulação com os entes públicos. O que vamos fazer para a proteção da criança e do adolescente em relação à deep web?", questiona.

De acordo com relatório publicado pelo Disque 100, relativos a 2018, apenas na internet aberta, a surface web, houve 607 denúncias de casos de violação de direitos de crianças e adolescentes. O serviço colhe denúncias anônimas sobre violações por telefone.

Os deputados do PSL estão colhendo assinaturas para criar uma CPI da Deep Web, que deve investigar crimes cibernéticos.

 

Ouça essa matéria na Rádio Câmara

 

Reportagem – Nicole Mattiello
Edição – Ana Chalub

A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara Notícias'