06/06/2018 - 19h40

Preconceito e violência reduzem expectativa de vida de LGBTs, dizem participantes de seminário

O evento discutiu, nesta edição, o envelhecimento de lésbicas, gays, bissexuais e transexuais

Participantes do 15º Seminário LGBT do Congresso Nacional afirmam que o preconceito e a violência reduzem a expectativa de vida do grupo formado por lésbicas, gays, bissexuais e transexuais. O deputado Jean Wyllys (Psol-RJ), organizador do encontro, afirmou que a situação é pior por conta da omissão por parte do Estado e cobrou ações efetivas para ajudar quem escapa das estatísticas de morte violenta.

"O que é que tem de políticas públicas? Quantas pessoas transexuais, homens gays e mulheres lésbicas, ao chegarem nos abrigos, abandonados antes por suas famílias homofóbicas e sem chances de recompor esse laço familiar, são obrigadas, depois de uma vida inteira, a voltar para o armário? Isso porque os abrigos muitas vezes são religiosos e não aceitam pessoas travestis, transexuais, gays e lésbicas nesses espaços", afirma Wyllys.

Durante o seminário, a advogada Ana Brocanelo, especialista em Direito de Família, citou situações como o uso do nome social por parte da população trans, os novos arranjos familiares e as questões de herança. Ela diz que a legislação brasileira está atrasada em vários pontos.

 "A partir do momento em que aquilo não vem escrito, que não está claro dentro da nossa legislação que é permitido e que a gente ainda encontra entraves, a gente é obrigado a entrar com um processo judicial, ir a tribunais, chegar até STJ, STF pra que a gente consiga valer os direitos."

Para Fernando Ferry, diretor-geral do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle, unidade de referência no tratamento da Aids, uma população que é discriminada a vida inteira muitas vezes continua sem acolhimento na rede pública de saúde, por falta de preparo dos profissionais.

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"As pessoas chegam, já são marginalizadas, discriminadas, elas são vítimas de chacota, em geral não têm uma rede de proteção."

Críticas ao conservadorismo
Além da falta de políticas públicas, muitos parlamentares que participaram do seminário LGBT criticaram o conservadorismo de parte da Câmara dos Deputados e denunciaram um movimento para impedir que discussões sobre questões de gênero sejam realizadas no Parlamento.

Representantes da sociedade civil deram exemplos de iniciativas não-governamentais para a população LGBT e convocaram esse grupo para escolher, nas eleições de outubro, representantes comprometidos com as demandas do segmento.

Reportagem – Cláudio Ferreira
Edição – Ana Chalub

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Comentários

Otavio souza | 02/08/2018 - 20h39
O maior indice de contaminaçao por hiv é entre os heterossexuais. Isso ja mudou.
SERGIO LUIZ GARCIA DE OLIVEIRA | 07/06/2018 - 08h59
A redução da expectativa de vida de homossexuais em geral se dá pelos comportamentos que adotam. Eles se expõem voluntariamente a doenças sexualmente transmissíveis, como noticiado recentemente em matéria jornalística que mostrou a prevalência da hepatite b entre homens homossexuais. Além disso, temos o novo aumento da contaminação pelo HIV, que se dá pelo comportamento, também.