07/06/2017 - 21h27

Debatedores defendem formação adequada para incluir autistas no mercado de trabalho

Billy Boss/Câmara dos Deputados
Audiência pública sobre a inserção de autistas no mercado de trabalho
Inclusão beneficia autistas e empresas, diz diretor-geral de empresa dinamarquesa que emprega, no Brasil, 16 autistas

A Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência realizou audiência pública, nesta quarta-feira (7), para discutir a inclusão de pessoas com autismo no mercado de trabalho.

Os palestrantes defenderam a necessidade de se pensar na formação e no apoio adequado a essas pessoas, e que, assim, o autista vai ter cada vez mais condições de estar inserido no mercado de trabalho.

Mesmo em meio a dificuldades de comunicação, as tarefas que exigem muita atenção aos detalhes, vigilância e foco, são muito bem exercidas pelas pessoas com autismo. É o que salienta a empresa dinamarquesa Specialisterne.

Benefícios
No Brasil, ela possui 16 autistas trabalhando como consultores e 20 estão em processo seletivo; cerca de 50 já passaram por capacitação e formação na área de tecnologia e de competências básicas para o mercado de trabalho pela empresa.

A inclusão traz benefícios para essas pessoas e para a instituição, como explica o diretor-geral da Specialisterne, Marcelo Vitoriano. "As empresas que hoje tem contratado pessoas com autismo tem dado um feedback muito positivo de que as pessoas trabalham, sim, trabalham de forma positiva e as habilidades que as pessoas com autismo têm, elas se sobressaem, então isso acaba se tornando um diferencial competitivo."

"Nós entendemos que as pessoas podem trabalhar, que as empresas devem contratar porque as pessoas têm talentos, não porque ela tem uma deficiência", ressaltou o empresário.

Políticas públicas
O presidente da ONG Movimento Orgulho Autista Brasil, Fernando Cotta, destacou dados do Ministério do Trabalho e Emprego. Em 2015, 200 mil pessoas com deficiência física estavam inseridas no mercado de trabalho, enquanto as que possuem deficiência intelectual, grupo no qual o autismo está inserido, tiveram um índice menor, pouco mais de 30 mil pessoas.

"O que nós precisamos é que as políticas públicas possam incrementar esse tipo de trabalho para essas pessoas e que cada um possa, de fato, ter o seu espaço hoje na sociedade”, afirmou Paulo Cotta. “Nós precisamos trabalhar para que as pessoas também tenham a oportunidade de desenvolverem seus trabalhos e contribuir para um PIB melhor para o seu País."

2 milhões desamparados
De acordo com o deputado Delegado Francischini (SD-PR), que sugeriu a audiência, os quase 2 milhões de autistas no Brasil estão desamparadas do poder público no que se refere ao mercado de trabalho.

"O autista fica adulto e não tem perspectiva de trabalhar, ou seja, condenado a ficar dentro da sua casa. Queremos agora levar ao Ministério do Trabalho uma proposta de criação de um programa de governo que possa financiar instituições que cuidem do trabalho apoiado, do trabalho daqueles que tem uma deficiência e que podem ter parceiros dentro do local de trabalho, que topem ser apoiadores daquela pessoas com deficiência, instituições que vão dar o treinamento de adaptação dessas pessoas com autismo para o mercado de trabalho", disse o parlamentar.

Frente parlamentar
Também foi lançada na Câmara a Frente Parlamentar em Defesa das Pessoas com Autismo, com apoio de mais 300 deputados federais e presidida pelo próprio deputado Francischini.

Reportagem – Leilane Gama
Edição – Newton Araújo

A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara Notícias'