15/03/2017 - 21h02

Comissão externa apresentará projeto para criminalizar ação de coiotes

Essas pessoas cobram altas quantias para intermediar entrada de imigrantes ilegais nos Estados Unidos

Cleia Viana /Câmara dos Deputados
Reunião Ordinária para definição do roteiro de trabalho e deliberação de requerimentos
Reginaldo Lopes (E) preside a comissão, instalada em fevereiro

Presidente da comissão externa da Câmara que acompanha as ações para encontrar 12 brasileiros desaparecidos em uma travessia entre as Bahamas e os Estados Unidos, o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) afirmou que será apresentado um projeto de lei criminalizando a ação dos coiotes - pessoas que facilitam a entrada de imigrantes ilegais naquele país cobrando altas quantias.

A afirmação foi feita durante audiência que ouviu, nesta quarta-feira (15), representantes da Polícia Federal sobre as investigações. Como o crime praticado pelos coiotes não é tipificado na legislação, a prática é difícil de ser combatida, disseram.

Para a delegada e chefe da Divisão de Direitos Humanos da Polícia Federal, Diana Calazans, é preciso tipificar esse tipo de ação o mais rapidamente possível, já que as prisões feitas até agora sobre esse caso - uma pessoa em Ji-Paraná (RO) e duas em Governador Valadares (MG) -só foram possíveis porque os suspeitos são acusados de outros crimes, como falsificação e suborno. Isso, disse a delegada, permitiu a ação da PF.

"O simples fato do auxílio para imigração irregular não é tipificado como crime e isso gera uma grande dificuldade para a polícia. Mesmo assim, nesse caso, como havia notícias de outros crimes relacionados, foi instaurado o inquérito e a Polícia Federal fez um esforço concentrado para tentar resolver a questão da forma mais rápida possível."

Vendedor de sonhos
Reginaldo Lopes ressaltou que é preciso mudar a legislação. “É uma vergonha o Brasil não criminalizar coiotes. O coiote vende um sonho, o sonho da América que, na verdade, se transforma em pesadelo, porque temos milhares de presos nos Estados Unidos. De 2011 a 2016, calcula-se que 500 mil brasileiros entraram naquele país ilegalmente."

Lopes informou que a comissão vai ouvir agora os familiares das vítimas para conhecer as dificuldades que eles estão enfrentando na busca de informações sobre os parentes.

O grupo de brasileiros desapareceu em novembro do ano passado quando tentava realizar a travessia entre as Bahamas e os Estados Unidos. Desde janeiro, a Polícia Federal atua na Operação Piratas do Caribe, colhendo provas para tentar encontrar os desaparecidos. 



Comentários

Maria Luiza Rodrigues | 15/03/2017 - 21h20
Os parlamentares tentam criminalizar tudo, menos o Caixa 2. Isto é Brasil! Pobre população que acreditou nestes políticos que só pensam em si mesmos. Talvez ocorra um verdadeiro milagre e o povo acorde e não reeleja ninguém em 2018.