23/11/2016 - 00h58

Deputados reclamam de pressão externa por votação rápida da proposta

Parlamentares de vários partidos disseram nesta terça-feira (22) que estavam sendo pressionados a aprovar o projeto sem uma análise aprofundada.

“Quando me perguntaram se eu era contra ou a favor das medidas contra a corrupção, eu disse que não podia votar um relatório que não conhecia. O primeiro projeto tinha 69 artigos, o segundo tinha mais de 200 e o terceiro mais de 170”, disse o deputado Valdir Colatto (PMDB-SC), se referindo ao projeto original, enviado ao Congresso pelo Ministério Público, e aos dois substitutivos apresentados até então por Lorenzoni.

“Para votar, temos que ler e verificar se não tem um jabuti dentro”, disse o deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP).

Outros deputados também defenderam uma análise mais aprofundada no projeto. “Eu sou contra discutir essas alterações a toque de caixa. A falta dessa legislação não tem atrapalhado a Operação Lava Jato”, disse o deputado Ivan Valente (Psol-SP).

O argumento de que as propostas não são emergenciais foi defendido por deputados com base nos resultados da Operação Lava Jato. “O relatório do Onyx Lorenzoni tem chance zero de passar aqui. Como fazer uma lei que seja melhor que as que estão em vigor?”, perguntou o deputado Zé Geraldo (PT-PA).

Pressão externa
Outros deputados reclamam da pressão que sofrem para aprovar a proposta. “Fui colocado pela imprensa como indeciso, como se fazer reparo às propostas fosse a mesma coisa que defender a corrupção. Mas é importante que cada uma das medidas seja exaustivamente debatida”, disse o deputado Goulart (PSD-SP).

O deputado Domingos Sávio (PSDB-MG) disse ter sido pressionado a aprovar as propostas, durante a reunião, por uma procuradora de Justiça. “Alguns estão propagando mentiras e parece que querem que a lei não seja aprovada. Fui abordado agora por uma procuradora perguntando se eu iria aprovar o relatório. Eu respondi: que relatório?”.

Antes dele, o deputado Fausto Pinato (PP-SP) chegou a apontar o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da Operação Lava Jato no Ministério Público, como um dos autores das pressões. Dallagnol acompanha a votação, junto com outros membros do Ministério Público.

O presidente da comissão especial, deputado Joaquim Passarinho (PSD-PA), refutou as críticas de que o projeto está sendo analisado “a toque de caixa” e isentou os procuradores de promover pressões indevidas.

“Não vamos votar nada a toque de caixa. Temos que ouvir todos. Inclusive os que deputados que chegaram agora. E nosso relacionamento com os procuradores foi republicano. Nunca tivemos uma pressão”, disse.

Reportagem - Antonio Vital
Edição - Pierre Triboli

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