04/06/2019 - 14h36

Defesa do Consumidor pode votar inclusão de ‘gato’ em conta de luz

Ideia da proposta é estimular o consumidor a denunciar furto de energia. Representante da Aneel se mostrou favorável à proposta

Cleia Viana/Câmara dos Deputados
Audiência pública sobre a cobrança pelas concessionárias de energia elétrica de valores oriundos de desvios e falhas na distribuição de energia elétrica
As perdas não técnicas de energia foram debatidas pela Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara

A Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados deverá votar nos próximos dias projeto para obriga as companhias distribuidoras a detalhar na conta de luz o valor das perdas não técnicas, nomenclatura do setor elétrico para os prejuízos causados pelas ligações clandestinas (os chamados ‘gatos’) e adulteração de medidores.

Pela legislação, estas perdas são rateadas entre os consumidores e a concessionária, e entram no cálculo da tarifa de luz. Atualmente, as contas só especificam o valor dos encargos setoriais e impostos, além dos dados de consumo mensal.

O projeto (PL 1569/19) é do deputado Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ) e recebeu parecer favorável do deputado Franco Cartafina (PP-MG). Ribeiro espera, com o projeto, conscientizar as pessoas para o impacto dos gatos de energia. “Quem está pagando essa conta é o consumidor brasileiro de boa fé”, disse o deputado. O relator também aposta no efeito educativo da medida. “99% da população desconhece esse pagamento”, afirmou Cartafina. Para ele, a inclusão dos valores referentes às perdas não técnicas pode estimular o consumidor a denunciar furto de energia.

Audiência pública
As perdas não técnicas foram discutidas em audiência pública nesta terça-feira (4) pela Comissão de Defesa do Consumidor, a pedido do deputado Aureo Ribeiro. Além do furto de energia e da adulteração de medidores, elas englobam erros de medição, erros no processo de faturamento e unidades consumidoras sem equipamento de medição.

O superintendente de Regulação Econômica e Estudos do Mercado da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Júlio Ferraz, se mostrou favorável à proposta de Ribeiro. “É um sinal claro para que o consumidor tenha ciência do que está acontecendo”, disse. De acordo com Ferraz, o impacto na conta de luz é de R$ 5 bilhões.

Situação do Rio
Voltado para todos os consumidores brasileiros, o projeto foi apresentado com um olho no Rio de Janeiro, estado recordista no País em perdas não técnicas. Segundo a Aneel, o Rio consome apenas 9,5% da energia brasileira, mas responde por 25% das perdas não técnicas. A audiência foi acompanhada por deputados estaduais e vereadores fluminenses.

A situação é mais grave no Rio porque as perdas estão associadas à violência urbana, segundo representantes de distribuidoras presentes à audiência pública. O diretor de Comunicação da Light, Ronald Cavalcante, disse que as equipes da companhia não conseguem entrar em áreas controladas por traficantes ou milicianos, que roubam energia. No total, furtos e fraudes equivalem a 23,95% da energia distribuída pela empresa. “Isso equivale ao consumo anual do Espírito Santo”, afirmou.

Presente ao debate, o deputado Felício Laterça (PSL-RJ) afirmou que a situação no Rio é fruto de anos de descaso dos gestores públicos com a segurança pública. Já o deputado Jorge Braz (PRB-RJ) pontuou que o problema é grave, mas disse que a companhias distribuidoras que atuam no estado (Light e Enel) frequentemente usam a violência como desculpa para não cumprir com suas obrigações. Ele defendeu o investimento em equipamentos subterrâneos, que seriam mais difíceis de serem fraudados.

Íntegra da proposta:

Reportagem – Janary Júnior
Edição – Roberto Seabra

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Comentários

daniEL | 07/06/2019 - 10h58
Deixe-me ver se eu entendi direito a notícia: os deps ACHAM q a culpa dos gatos é d quem paga sua conta corretamente, é isso? Sim, pq as concessionárias NÃO TEM INTERESSE em entrar nesses lugares pra combater gatos por um motivo muito óbvio: elas podem ESTIMAR as perdas e lançar na conta d todos como perda técnica! Ou seja, é muito melhor pra elas cobrar o q elas acham q devem do q comprar brigas para cobrar o valor correto. Se fizerem isso, o lucro delas cairá barbaridade!!! Q VERGONHA DOS deps Q EMBARCAOM NESSA ENGANAÇÃO AO INVÉS D DEFENDER O POVO HONESTO!!!
JORGE LUIZ MEDEIROS DA CUNHA | 06/06/2019 - 16h08
A fiscalização do uso inadequado da energia elétrica é dever da concessionária, portanto, o consumidor que não tem o poder de fiscalização não pode arcar com a ineficiência das concessionárias.