16/04/2019 - 20h17

Governo não teve intenção de divulgar vídeo comemorativo de 1964, diz ministro

O ministro da Secretaria de Governo da Presidência da República, general Carlos Alberto dos Santos Cruz, participou de audiência pública na Câmara dos Deputados

Cleia Viana/Câmara dos Deputados
Audiência pública para esclarecimentos sobre a recente divulgação de vídeo, através de rede social do Palácio do Planalto, em defesa do golpe militar de 1964. Ministro da Secretaria de Governo, General Carlos Alberto
Santos Cruz: a divulgação do vídeo foi um erro operacional de serviço de um funcionário antigo do Planalto

O ministro da Secretaria de Governo da Presidência da República, general Carlos Alberto dos Santos Cruz, afirmou que não foi proposital a divulgação de um vídeo pelas mídias sociais do Palácio do Planalto, no dia 31 de março deste ano, comemorando a ditadura militar instalada no Brasil em 1964.

O ministro fez as declarações, nesta terça-feira (16), durante audiência pública da Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados.

Segundo o ministro, que tem sob sua responsabilidade a Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, o vídeo sobre "os acontecimentos de 1964" foi divulgado por um funcionário antigo do Palácio do Planalto.

"É um funcionário com 26 anos de serviço, trabalhou nos governos do Itamar, do Lula e da Dilma. Não tem nenhuma conotação ideológica, não foi uma coisa proposital. Foi tranquilamente um erro operacional de serviço, sem nenhuma ideia de divulgação por motivação ideológica. É um erro de serviço”, disse Santos Cruz.

O ministro afirmou que está tomando medidas para apurar o caso. “Ontem eu tive a oportunidade de ouvir todos [os servidores da Secom]. Tem que fazer correção de rumo para que não se tenha novamente esse tipo de incidente operacional, que acontece por uma série de razões", declarou.

O vídeo teve grande repercussão em todas as mídias quando foi divulgado, pois, dias antes, o presidente da República, Jair Bolsonaro, havia ordenado que os militares comemorassem a data de 31 de março.

Regime militar
O que o ministro chamou de "acontecimentos de 64" foi classificado pelos deputados governistas como uma "contrarrevolução" para evitar o comunismo no Brasil.

O deputado Daniel Silveira (PSL-RJ) considerou uma perda de tempo o convite para o ministro vir à Câmara. "O termo ditadura militar é um termo complexo, porque não tivemos isso. É um fato inexistente no Brasil. O que houve foi um regime democrático militar. Uma intervenção militar solicitada por esta Casa”, afirmou.

Autora do requerimento para o debate, a deputada Erika Kokay (PT-DF) considerou fundamental a presença do ministro e ressaltou fatos ocorridos durante o regime militar (1964-1985), como o fechamento do Congresso por duas vezes e dezenas de opositores cassados, torturados e exilados.

"A liberdade não era permitida. Nós não tínhamos a liberdade de nos organizarmos em partidos políticos, não tínhamos a liberdade de termos sindicatos atuando, nós não tínhamos a liberdade de falar o que quiséssemos falar e nem tínhamos a liberdade necessária para o desenvolvimento da cultura, da ciência e da arte. Porque cultura, ciência e arte têm que receber um alimento que é insubstituível: é o alimento da democracia e da liberdade", disse Kokay.

Na audiência pública, 18 deputados falaram a favor do governo e apenas 2 deputados se apresentaram para fazer críticas.

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Reportagem – Newton Araújo
Edição – Pierre Triboli

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