28/07/2016 - 12h01

Projeto regulamenta acesso a dados pessoais no Brasil

O governo explica que a definição de regras para proteção de dados pessoais tem duas funções: proteger o titular dos dados e, ao mesmo tempo, favorecer sua utilização dentro de um patamar ético e seguro

A Câmara dos Deputados analisa proposta que cria regras para aumentar a proteção dos dados pessoais dos cidadãos brasileiros. As novas medidas de segurança pretendem evitar acessos não autorizados a essas informações, bem como situações acidentais (perda, destruição), e casos de uso ilícito de dados pessoais, inclusive para a prática de crimes, como o estelionato.

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Projeto abrange operações de tratamento de dados realizados tanto no Brasil como no exterior, mas cuja coleta tenha ocorrido em território nacional

O projeto – PL 5276/16 – é resultado de um amplo debate público promovido on-line pelo Ministério da Justiça, que teve duração de quase seis meses, recebendo mais de 50 mil visitas e obtendo mais de 1.100 contribuições.

O texto determina, por exemplo, que o acesso a dados pessoais deverá atender a finalidades específicas e necessárias. Além disso, submete o responsável por coletar e processar dados de terceiros a critérios rígidos de segurança, com o objetivo de garantir o direito de todo cidadão à inviolabilidade da intimidade, da vida privada, da honra e da imagem.

Aquele que, em razão do exercício de atividade de tratamento de dados pessoais, causar a dano patrimonial, moral, individual ou coletivo, a alguém fica, pelo projeto, obrigado a repará-lo.

Transparência
A proposta também assegura ao titular de dados pessoais acesso facilitado a todas as informações relacionadas a seus dados pessoais que estejam sendo processados por terceiros. Essas informações deverão ser disponibilizadas de forma clara, adequada e ostensiva.

Segundo o Ministério da Justiça, a utilização cada vez mais intensa de dados pessoais na era da sociedade da informação cria um desequilíbrio entre os poderes dos indivíduos – titulares de seus dados pessoais –, e os poderes dos utilizadores desses dados (poder público, empresas, terceiros).

“O processamento dessas informações influencia diretamente a vida das pessoas, afetando oportunidades, escolhas e interações sociais, elementos que compõem o livre desenvolvimento da sua própria personalidade. Desta forma, é imperativo que haja um conjunto de princípios que norteiem o tratamento desses dados por terceiros”, diz a justificativa enviada pelo governo federal ao Congresso.

Regras para acesso
Pelo projeto, as operações realizadas com dados pessoais somente poderão ocorrer:
- mediante consentimento inequívoco e por escrito do titular;
- para o cumprimento de uma obrigação legal;
- pela administração pública, para a execução de políticas públicas;
- para a realização de pesquisa histórica, científica ou estatística, garantida, sempre que possível, o caráter anônimo dos dados pessoais;
- quando necessário para a execução de um contrato do qual é parte o titular, a pedido do titular dos dados;
- para o exercício regular de direitos em processo judicial ou administrativo;
- para a proteção da vida ou da incolumidade física do titular ou de terceiro;
- para a tutela da saúde, com procedimento realizado por profissionais da área da saúde ou por entidades sanitárias;
- quando necessário para atender aos interesses legítimos de terceiro.

Com base no princípio da reciprocidade, o projeto ainda regulamenta a transferência internacional de dados pessoais.

Tramitação

O projeto tramita em regime de prioridade e deverá ser analisado pelas comissões de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática; de Trabalho, de Administração e Serviço Público; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Depois, seguirá para o Plenário.

Íntegra da proposta:

Reportagem – Murilo Souza
Edição – Natalia Doederlein

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Comentários

Regina Linden Ruaro | 08/03/2017 - 09h52
Prezados, tendo em vista o Regulamento 679 da UE que incorpora novos deveres e novos direitos e já está sendo implantado pelos países do bloco e passa a vigorar a partir de 18/05/2018, sugiro sejam verificadas as inovações tendo em vista que o Brasil é um país considerado não confiável para transferência de dados pessoais e com isto perde e perderá oportunidades na matéria. Coloco-me à disposição para colaborar porque sou profa. titular da PUCRS, faço parte do Grupo de Pesquisa Internacional "Privacidad y Acceso" e trabalho com esta matéria há mais de 10 anos. Art. Regina Linden Ruaro
Rosângela Barbosa Gomes | 28/07/2016 - 20h21
Qual o alcance do "quando necessário para atender interesses de terceiros" a que se refere o projeto? Uma empresa que vende dados para outras empresas pode alegar "interesse" em expandir suas atividades. E aí como fica o "dono" original dos dados, no caso o indivíduo? Eu não quero e nem aceito que dado nenhum meu circule sem meu conhecimento ou autorização e tão pouco figurar em qualquer tipo de lista a ser vendida.