09/04/2019 - 20h48

Ministra da Agricultura defende liberação de novos agrotóxicos

Tereza Cristina falou a deputados de três comissões e defendeu a atuação dos órgãos reguladores do setor

Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Audiência pública para a prestação de informações sobre a liberação de registros de agrotóxicos. Ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina Corrêa da Costa Dias
Tereza Cristina: todo mundo confia quando a Anvisa libera medicamento

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, defendeu nesta terça-feira (9) a liberação pelo Ministério da Agricultura de 86 novos produtos elaborados com agrotóxicos, nos primeiros meses do governo. Nos últimos anos, o número de autorizações cresceu de 139 em 2015 para mais de 450 em 2018.

A ministra prestou esclarecimentos sobre o assunto a deputados das comissões de Agricultura, Seguridade Social e Meio Ambiente da Câmara. Ela defendeu a regulamentação dos defensivos agrícolas e salientou que o processo é realizado em conjunto com a Anvisa e o Ministério do Meio Ambiente.

"O Ministério da Agricultura faz a análise da utilização agronômica e dos riscos para a planta. Ao mesmo tempo, o Ministério do Meio Ambiente e a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) também analisam”, explicou.

A Anvisa, segundo Tereza Cristina, tinha mais de 1.500 produtos à espera de registro, mas modificou sua forma de análise para garantir mais agilidade. “Assim como ela tem liberado e tem feito isso de maneira excepcional com os medicamentos humanos e todo mundo confia quando a Anvisa diz que esse medicamento pode ser usado", ponderou.

Esses órgãos, segundo a ministra, acompanham os avanços que estão ocorrendo na indústria, garantindo a segurança dos produtores e evitando a entrada de produtos contrabandeados no País.

A ministra atribui à demora na aprovação dos defensivos no Brasil o aumento no uso de produtos contrabandeados, sem nenhum tipo de controle. Segundo dados do Ministério da Agricultura, defensivos contrabandeados de outros países já representam 20% do uso no campo.

Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Audiência pública para a prestação de informações sobre a liberação de registros de agrotóxicos. Dep. Alexandre Padilha (PT - SP)
Alexandre Padilha: liberação ostensiva de produtos proibidos em outros países coloca saúde da população em risco

Riscos
Para o deputado Alexandre Padilha (PT-SP), ex-ministro da Saúde, essa liberação ostensiva de produtos que são proibidos em outros países pode colocar em risco a população. "É muito grave a gente estar liberando produtos classificados como extremamente tóxicos, altamente tóxicos ou medianamente tóxicos pelo Ministério da Saúde", disse.

O deputado Domingos Sávio (PSDB-MG), por sua vez, pediu cautela nessa discussão lembrando que a agricultura de larga escala pode ser inviabilizada. "O que a produção brasileira faria sem os defensivos agrícolas? Teria uma queda de quase 50%. É impossível. Mas se eu quiser produzir só para mim e para minha família ou para um grupo de amigos é possível, ou para um nicho de mercado que pode pagar mais, é possível."

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Reportagem - Karla Alessandra
Edição - Geórgia Moraes

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Comentários

Edson dias | 10/06/2019 - 00h10
Apenas reafirma pra quem está trabalhando e a quem representa.
Alexandre | 05/06/2019 - 22h17
Isso é uma vergonha.será que ela pensou nos impactos e principalmente, nas doenças que irá gerar,consequentemente em mais gastos na saúde pública.ja não há verbas decentes agora,imagina daqui a 5 ou 10 anos.precisar rever o nome (ministério)da saúde ou da doença.
SAMIR SALEM SUGUI | 18/04/2019 - 21h39
Aumentar a produção acima de tudo...bom? Quem vai comprar um produto contaminado? Nossos compradores estão cada vez mais rigorosos pensando na saúde e bem-estar da população. Por que o Brasil sempre vai na rota inversa? Reduzir a população de forma irracional não é interessante. Cidades que eram exemplo nacional, em Minas, pertencentes ao Circuito das Águas, hoje com lençol freático contaminado por agrotóxicos. Somos exemplo para quem? Filhos, amigos, gringos?.... só que não...triste mas real. Futuro que era incerto não é mais...agora sabemos que o futuro foi contaminado.e por muitas gerações