11/07/2017 - 18h48

Debatedores criticam falta de incentivo para a produção e exportação de castanha de caju

Lucio Bernardo Jr. / Câmara dos Deputados
Audiência pública sobre as questões relativas à produção brasileira do Caju
Raimundo Gomes de Matos (C): é preciso desenvolver tecnologias voltadas para a área e haver mais participação do Estado

Debatedores presentes em audiência pública promovida, nesta terça-feira (11), pela Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados, criticaram a falta de incentivo à produção e exportação de castanha de caju no País. Para eles, o principal responsável é o Estado, que não investe na área.

O problema, segundo os presentes à audiência, é ainda mais grave no estado do Piauí. O representante da Câmara Setorial de Cajucultura do estado, Aurino Antônio Nunes Guimarães, disse que o governo compra mudas de cajueiros a fim de desenvolver o plantio na região, mas não paga os produtores.

“Isso fez com que uma associação que cuida dessa área entrasse em falência e os produtores de muda ficaram desestimulados e sem capital”, afirmou. Ele explica que esse estímulo é essencial para aquecer o comércio de castanhas, mas que o governo não dá o apoio necessário. “Sem apoio financeiro e com esse descaso, é impossível desenvolver a produção e nos destacarmos no mercado mundial”, completou.

Cenário mundial
O Brasil já esteve em posição de destaque no mercado mundial de exportação de caju. De acordo com o Sindicato de Produtores de Caju (Sindicaju), em 1993, a participação brasileira nesse cenário era de 12%, mas esse número caiu para 4% em 2015.

Para o chefe da Secretaria de Negócios da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Vitor Hugo de Oliveira, o problema está na produção. Na opinião dele, o País expandiu as áreas de plantio, mas diminuiu a produtividade. “Uma das causas é a nossa matéria-prima, que deixa muito a desejar”, afirmou.

O representante da Embrapa disse ainda que, nesse ritmo de produtividade, o País não consegue satisfazer a demanda de alguns países. “A demanda para países como China e Estados Unidos é de 10 milhões de toneladas por ano. No ritmo em que estamos indo, mesmo se aumentássemos consideravelmente o plantio, ainda assim não conseguiríamos dar conta de toda essa demanda”, avaliou.

Consequências
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que, em 2015, o estado do Ceará se destacou na produção de castanha no cenário nacional. A pesquisa mostra um aumento de 113% da produção se comparada ao ano anterior.

Mesmo com esse aumento, o representante do Sindicaju no Ceará, Antônio José Gomes Teixeira de Carvalho, pontuou que já houve épocas muito melhores para os produtores. “Já tivemos safra com 300 mil de toneladas, hoje não chega a 90 mil toneladas. É uma queda vertiginosa. O que a gente sente é que a cadeia produtiva está muito desorganizada”, criticou.

Para ele, a consequência disso é uma participação tímida do País nesse mercado e que isso é um desperdício de meios que poderiam driblar os efeitos da crise econômica. “O consumo mundial aumentou consideravelmente, inclusive no Brasil, e essa oportunidade não está sendo aproveitada”, disse.

Soluções
Apesar da visão pessimista dos debatedores, ainda há possíveis soluções para sanar esse problema e aquecer o mercado de produção de caju. Para o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec), Flávio Saboya, caso as entidades públicas responsáveis pelo tema se unirem, o problema será amenizado.

“Proponho criar um grupo de trabalho sobre a coordenação dessa comissão com parceria do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Confederação da Agricultura e Pecuária, Confederação Nacional da Indústria, Embrapa e dos governos estaduais. Juntos, apresentariam uma política nacional de incentivos voltada à retomada da expansão do campo e da agroindústria”, recomendou.

O técnico da Embrapa Vitor Hugo de Oliveira também fez sugestões: “É preciso haver a incorporação de tecnologias desenvolvidas para o campo, assim como criar um programa extensivo de troca de cajueiro gigante pelo cajueiro anão, estudar de novo a questão sobre o espaçamento de áreas plantadas. Precisamos estabelecer metas para cumprir tudo isso”, ponderou.

O deputado Raimundo Gomes de Matos (PSDB-CE), que sugeriu o debate, concorda que é preciso desenvolver tecnologias voltadas para a área e que é necessário haver mais participação do Estado. Ele informou que ainda haverá outras audiências para debater o tema.

Reportagem – Igor Caíque
Edição – Newton Araújo

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