25/10/2016 - 16h10

Deputado propõe proteção constitucional às vaquejadas e aos rodeios

Antonio Augusto / Câmara dos Deputados
Lançamento da Frente. Dep. João Fernando Coutinho (PSB-PE)
Para Coutinho, a inclusão de normas de proteção aos animais na vaquejada  tornou a prática compatível com as exigências ambientais

O deputado João Fernando Coutinho (PSB-PE) apresentou nesta terça-feira (24) à Câmara a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 270/16, que classifica os rodeios e as vaquejadas e suas expressões artístico-culturais como patrimônio cultural imaterial brasileiro. A proposta também assegura a prática dessas atividades como modalidade esportiva.

A proposta inclui a vaquejada e o rodeio no artigo 215, que assegura proteção do Estado “às manifestações das culturas populares, indígenas e afrobrasileiras, e das de outros grupos participantes do processo civilizatório nacional”.

Coutinho lembrou que o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional uma lei do Ceará sobre a prática da vaquejada. “A força vinculante que resulta dessa decisão, permitindo que a vedação à realização das vaquejadas se estenda para todas as regiões do Brasil, a despeito do debate popular, representa verdadeiro extermínio da herança secular do modo de viver e de fazer dos vaqueiros e sertanejos”, disse o deputado.

“Cumpre destacar que, ao longo dos anos, muito se evoluiu no que diz respeito ao trato dos animais utilizados nos eventos esportivos: a obrigatoriedade do uso de cauda artificial, a proibição do açoite e do uso de esporas, a imposição de regras para a desclassificação do vaqueiro que maltratar ou utilizar de más técnicas de dominação, a exigência de revestimento interno dos brides e de canchas de areia para amortecer a queda durante a imobilização do boi, dentre outras", acrescentou o deputado.

Segundo Coutinho, tais medidas têm sido objeto de acordo entre organizadores de eventos e Ministério Público, contribuindo para a preservação da integridade dos animais e dos participantes, "Elas demonstram que é possível a convergência de interesses, até então opostos, entre defesa da cultura nordestina e proteção do meio ambiente, sem prejuízo de eventuais apurações e punições, pela prática de chegar a uma solução adequada."

Tramitação
A PEC será encaminhada para análise de uma comissão especial. Depois, seguirá para o Plenário, que terá de votá-la em dois turnos.

Conheça a tramitação de propostas de emenda à Constituição

Íntegra da proposta:

Reportagem - Wilson Silveira
Edição - Sandra Crespo

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Comentários

Jaqueline | 27/10/2016 - 10h12
A resposta para essa defesa abominável da tortura de animais inocentes deve ser dada nas próximas eleições. A brutalidade contra animais é imoral e fere a dignidade e a ética e, quem defende isso como cultura, tradição e patrimônio, certamente não tem competência para ocupar o posto. Morte política para esse e todos os homens e mulheres que apoiem algo tão hediondo e desprezível como essas práticas cruéis contra os animais.