16/04/2013 - 22h52

Especialistas preveem mandioca cara por mais dois anos

Alta no preço da mandioca pode se estender até por mais dois anos e produtores cobram política reguladora para o setor. O diagnóstico foi apresentado, nesta terça-feira (16), na audiência pública da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara que discutiu a comercialização, o cultivo e as técnicas de produção da mandioca.

Essa raíz tuberosa é plantada de norte a sul do Brasil, com previsão de ocupar 2 milhões e 300 mil hectares de terra neste ano, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa projeção, no entanto, pode não se concretizar devido à atual redução de área plantada.

Os preços dispararam, sobretudo no Nordeste, onde a mandioca está presente na alimentação diária da população e é cultivada basicamente em forma de subsistência pela agricultura familiar. Em Pernambuco e na Bahia, os preços da farinha de mandioca quase triplicaram em fevereiro, se comparado ao mesmo período de 2012, com reflexos nos seus derivados, como a tapioca, a paçoca e o beiju.

Vilão da inflação
Em vez do tomate, há quem aponte a mandioca como o grande vilão da inflação no Nordeste. Servidor da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e presidente do XV Congresso Brasileiro da Mandioca, Carlos Estevão Leite prevê que a alta será duradoura e no País inteiro. "Só as condições climáticas já justificam [a continuidade da alta de preço]. Além disso, tem a falta de material de plantio: maniva-semente. O cenário, com o prolongamento da seca, é que a gente tenha mais um ou dois anos de preços elevados no Brasil como um todo. "

Produtores, pesquisadores e especialistas dos ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário citaram vários outros "gargalos" que se refletem na alta de preço e atrapalham o setor. Entre eles, estão o cultivo em áreas de solo de baixa fertilidade, o baixo uso de insumos agrícolas, o reduzido investimento em pesquisa e, sobretudo, a falta de políticas estruturadas em apoio à cadeia produtiva da mandioca.

Políticas conjuntas
Autor do pedido de audiência pública, o deputado Alexandre Toledo (PSDB-AL) defendeu ações públicas e privadas mais unificadas em prol do setor.

Na opinião do parlamentar, não há política que regule a produção da mandioca. “Essa alta é em função da diminuição da produção. É o mercado livre: o mercado da oferta e da procura. Para impedir, é preciso uma política de produção, de segurança do agricultor, de melhoria de produtividade, de novos cultivares, e de variedades mais resistentes que agreguem mais valor. Essa oscilação está penalizando o produtor e também a população com o aumento do preço".

O representante do Ministério da Agricultura, Petrarca Santos, enfatizou o Brasil é o maior produtor de mandioca da América Latina, "mas exporta muito pouco. A maior parte da produção é destinada ao mercado interno. Este é um setor que tem tudo para crescer, mas depende de políticas públicas e privadas".

O diretor do Departamento de Geração de Renda e Agregação de Valor do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Nilton Pinho De Bem, afirmou que a mandioca é estratégica do ponto de vista da segurança alimentar e, por isso, o cultivo do produto é contemplado nos principais programas de crédito do ministério, como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

Nilton Bem informou ainda que outros mecanismos de apoio à mandiocultura no âmbito do governo federal são o seguro da agricultura familiar, o programa de garantia de preços da agricultura familiar e o programa de assistência técnica e extensão rural.

O chefe da Embrapa Mandioca e Fruticultura, Domingos Haroldo, enfatizou que a empresa tem investido na pesquisa de novas tecnologias de produção. “Já foram desenvolvidas novas variedades de mandioca adaptadas às diferentes condições ambientais do Brasil, com melhor qualidade da raiz e com maior resistência a problemas como bacteriose e podridão radicular.”

Empregos diretos
O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de mandioca, gerando cerca de um milhão de empregos diretos, segundo a Embrapa. Internamente, Pará, Paraná e Bahia têm os maiores volumes de produção. Além do uso da mandioca em vários opções alimentares, também cresce a aplicação industrial do produto, em setores como papel e celulose, pasta de dente, sabões e detergentes, colas e gomas, tintas e vernizes.

Reportagem - José Carlos Oliveira
Edição – Regina Céli Assumpção

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Comentários

Valdir Bráz | 20/04/2013 - 01h20
Faltou acrescentar que na região localizada no triangulo das cidades Ilhéus, Buerarema e Una as p´rodutoras da melhor farinha da Bahia, ainda de forma artesanal, a produção caiu em demásia tendo como forte e única causa as invasões q os pequenos produtores(muitos participantes do programa da agricultura familiar) tem sofrido por individuos que se dizem indios e com isto tem perdido suas terras, os que ainda não foram invadidos não plantam pois não tem certeza de colherem, ainda mais considerando que os invasores são prequiçosos, não plantam e os imóveis que plantam são um convite a invasão.