17/11/2015 - 16h21

Em depoimento à CPI do BNDES, Eike Batista nega ter feito pagamento de propina

Luis Macedo / Câmara dos Deputados
Audiência pública para tomada de depoimento do empresário Eike Batista
Eike Batista depôs por mais de 3 horas, e negou envolvimento com pagamento de propina

Em três horas e meia de depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do BNDES, o empresário Eike Batista negou suspeitas de que tenha feito pagamento de propina em troca de contratos para a fabricação de navios-plataforma para a Petrobras.

A denúncia de pagamento de propina foi feita pelo empresário Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, um dos delatores da Operação Lava Jato.

Soares, acusado de ser operador de propina para empresas contratadas pela Petrobras e agentes políticos, teria mencionado pagamentos ao empresário José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula que teria intermediado o negócio.

Na delação, Fernando Baiano falou que representava a OSX junto à Sete Brasil, contratada pela Petrobras para construir 18 navios-plataforma e que a propina dizia respeito à subcontratação da OSX, uma das empresas de Batista.

Ao responder pergunta do deputado Miguel Haddad (PSDB-SP), o empresário negou ter feito qualquer negócio por intermédio de Soares. Ele negou ainda ter usado a influência do ex-presidente Lula e afirmou nunca ter feito qualquer pagamento a Bumlai.

Eike Batista, porém, admitiu conhecer Soares, que o teria procurado como representante de uma empresa espanhola, a Dragados, interessado na construção de navios. “Eu tinha 40 bilhões de dólares para investir. Todo mundo me procurava”, explicou.

“Não houve contrato algum da OSX para a construção de navios-plataforma e não faz parte da cultura do grupo pagar esse tipo de comissão”, afirmou Batista.

Influência de políticos
Eike Batista negou ter usado influência de políticos para fazer negócios. Admitiu, porém, ter emprestado uma vez seu avião particular ao então governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral e ter contratado o ex-ministro da casa Civil José Dirceu, em 2008, para intermediar a construção de uma siderúrgica na Bolívia.

Questionado pelo deputado Jorge Tadeu Mudalen (DEM-SP), o empresário respondeu que contratou Dirceu por uma quantia que não sabia precisar, mas que o negócio não foi adiante.

Eike Batista também negou ter obtido empréstimos junto ao BNDES depois de contribuir para campanhas eleitorais do PT. “Eu colaborei com todos os partidos, inclusive o PSDB e partidos da oposição”, disse, ao responder pergunta do deputado Caio Narcio (PSDB-MG).

Reportagem - Antonio Vital
Edição - Mônica Thaty

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