30/05/2012 - 19h45

Grupo aprova proposta de revisão das dívidas dos estados e municípios

Arquivo/ Beto Oliveira
Cândido Vaccarezza
Vaccarezza disse que colocar o tema na agenda nacional "já valeu o trabalho do grupo”.

O grupo de trabalho da Câmara que analisa o endividamento dos estados e municípios aprovou nesta quarta-feira (30) o relatório final com uma proposta de renegociação das dívidas com a União, que em março somava R$ 432 bilhões. O texto será apresentado ao presidente da Casa, Marco Maia, e ao Colégio de Líderes, que definirão o encaminhamento da proposta.

O relatório contém duas propostas legislativas. A primeira, um projeto de lei complementar, altera a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) para permitir a renegociação dos contratos assinados com base na Lei 9.496/97 (dívidas dos estados), e nas medidas provisórias 2.185/01 (dívidas dos municípios) e 2.192/01 (dívida dos estados com o programa de socorro aos bancos estaduais - Proes).

Hoje, o artigo 35 da LRF proíbe a revisão das dívidas. Ele foi incluído na lei para evitar um novo ciclo de endividamento de estados e municípios, como os que ocorreram entre 1980 e 1990.

A segunda proposta, um substitutivo ao Projeto de Lei 1675/11, altera os índices que reajustam a parcela mensal da dívida dos entes federados. Sai o IGP-DI mais 6% a 9% – o valor é diferente para cada ente – e entra o IPCA mais juros de 2%. A proposta determina, porém, que a correção pelo novo índice será limitada à taxa Selic corrente. Ou seja, quando a Selic for menor, esta é que será usada para atualizar os contratos.

O relatório autoriza ainda os estados e municípios a abrir negociação com o governo para reduzir o limite de comprometimento da Receita Líquida Real (RLR) com o pagamento das parcelas mensais da dívida, que hoje varia de 11,5% a 15%. Os deputados mineiros Vitor Penido (DEM) e Lincoln Portela (PR) defenderam a redução do piso do comprometimento com a RLR para 9%. Eles afirmaram que a simples substituição do índice de correção não seria suficiente para melhorar a situação fiscal de Minas Gerais. Depois de discussões, os integrantes do grupo decidiram não colocar um percentual, mas abriram a porta para a negociação.

Fundo de investimento
O substitutivo também permite que 50% dos valores pagos anualmente para o Tesouro Nacional retornem para investimentos em infraestrutura nos estados – os municípios ficaram de fora dessa regra. Para evitar que os recursos sejam usados em gastos correntes, como folha de pagamento do funcionalismo, as obras serão definidas em comum acordo com o governo federal. Os recursos serão disponibilizados pelo Fundo de Investimentos em Infraestrutura nos Estados e no Distrito Federal (FIIE), que é criado pela proposta.

Segundo o texto, o dinheiro será transferido no exercício seguinte ao do pagamento das prestações. Ou seja, metade do que o estado quitar da dívida em um ano retornará para investimento no ano seguinte, mediante repasses trimestrais do fundo.

A criação do FIIE está contida no PL 1675, de autoria do deputado Vaz de Lima (PSDB-SP), integrante do grupo. O texto original prevê a devolução de 100% do que for pago. Por consenso, o grupo de trabalho reduziu o percentual para 50%, e incluiu os novos índices de correção dos contratos.

Comissão geral
O coordenador do grupo de trabalho, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), vai solicitar ao presidente da Câmara a realização de uma comissão geral para discutir a renegociação com o governo federal, governadores e prefeitos. A medida tem como objetivo ajudar a construir um consenso em torno da proposta do grupo, necessário para levar o Executivo à mesa de negociação. Qualquer decisão do Congresso sobre o tema só vai prosperar, como afirmaram os deputados, se o governo aceitar a revisão dos contratos.

Mesmo sem ter certeza de que a negociação vai avançar, Vaccarezza disse que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, com quem se reuniu na semana passada, reconheceu que o grupo de trabalho colocou o tema na agenda nacional. “Só isso já valeu o trabalho do grupo”, afirmou.

O deputado Vaz de Lima acredita que o Executivo já mostrou disposição em rever os contratos. “Contrariamente do que estão dizendo, sinto sinais do governo nessa direção, de que precisa facilitar mais a vida dos estados para ter mais investimentos. O País não vai conseguir enfrentar as crises internacionais se não facilitar a vida de estados e municípios para aplicação em infraestrutura”, afirmou.

Íntegra da proposta:

Reportagem - Janary Júnior
Edição – Daniella Cronemberger

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