25/11/2009 - 21h48

Economista critica política de reservas cambiais do Brasil

Brizza Cavalcante
No início do debate, Munhoz fez uma exposição sobre o endividamento do País.

O economista Dércio Munhoz, ouvido nesta quarta-feira (25) pela CPI da Dívida pública, condenou a política do Banco Central e o atual nível de reservas cambiais do País, de cerca 215 bilhões de dólares.

Os investidores estrangeiros, explica Munhoz, aplicam o dinheiro no Brasil para especular com os juros altos praticados pelo país. Para conter a oferta da moeda americana, o Banco Central compra dólares. Quando o BCl não tem dinheiro para comprar esses dólares, continua o o economista, ele emite títulos do Tesouro Nacional pagando juros elevados. “Então quem paga a conta? Ora, é o Tesouro que paga a conta para recolher dólares que entram demais porque ele põe juros elevados. Então, é um negócio criado por ele mesmo", critica.

Segundo Dércio Munhoz, que também é professor da Universidade de Brasília, isso ocorre desde 1998, quando o governo Fernando Henrique Cardoso criou uma regra que obrigava o Tesouro a cobrir as perdas do Banco Central, que eram de R$ 15 bilhões.

O economista afirmou que o governo FHC não apenas cobriu as dívidas, como autorizou o Banco Central a pegar títulos do Tesouro e a vendê-los a juros elevados, pagos pelo próprio Tesouro. Para Dércio Munhoz, o Banco Central ficou sem controle nenhum, não justifica o que faz, e quem paga a conta é a sociedade, por meio de impostos.

Confiabilidade
O deputado Ivan Valente (Psol-SP), que solicitou a audiência, corroborou as preocupações do economista. Segundo ele, a audiência reforça a importância da CPI. "Porque num País tão carente como o nosso, com necessidade de investimentos profundos, na infraestrutura, na educação, na saúde, não se discute o mecanismo pelo qual o Brasil é espoliado escancaradamente, que é através da sua política econômica de compra de confiabilidade internacional junto aos mercados?", questiona.

Para Ivan Valente, o principal fator da confiabilidade do país tem sido o mecanismo da dívida pública brasileira. O parlamentar disse ainda que o Brasil tem feito o pagamento de juros, amortização e rolagem da dívida pública por meio da emissão de títulos remunerados com a maior taxa de juros do mundo.

Autonomia
Propostas de autonomia total para o Banco Central também foram criticadas durante a audiência. Para o economista Dércio Munhoz, o Banco Central quer fixar em lei uma regra que garanta sua autonomia, para que ninguém possa mudar sua política financeira.

Na opinião do deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), o Brasil não deve dar autonomia completa ao Banco Central. Ele defende que o governo administre a macroeconomia do País.

Reportagem - Paulo Roberto Miranda/Rádio Câmara
Edição - Natalia Doederlein

A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara Notícias'