19/10/2005 - 20h26

Pedro Henry alega falta de provas no Conselho de Ética

O deputado Pedro Henry (PP-MT) negou em defesa oral no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, nesta quarta-feira, que estivesse envolvido no suposto esquema do "mensalão" como um dos distribuidores de recursos a seu partido, acusação feita pelo ex-deputado Roberto Jefferson.
Henry, que foi líder do PP até janeiro deste ano, também negou que tenha tentado aliciar o líder do PTB na Câmara, deputado José Múcio Monteiro (PE), a ingressar no suposto esquema, como havia denunciado Jefferson. O deputado ressaltou que o próprio José Múcio negou o fato em depoimentos no Conselho de Ética e na Corregedoria.

Falta de provas
Em seus esclarecimentos, Pedro Henry alegou ainda que, ao longo das apurações feitas nas diversas instâncias do Congresso, não surgiu qualquer tipo de prova documental ou testemunhal contra ele, assessores ou familiares. "Ninguém me relacionou como beneficiário de recursos ou provou envolvimento de qualquer pessoa do meu relacionamento pessoal. Em listas amplamente divulgadas pela imprensa, nem eu nem ninguém ligado a mim aparece como beneficiário de saques ou esteve em instituições bancárias supostamente envolvidas", assinalou.

Arquivamento
Pedro Henry defendeu, durante a audiência, o arquivamento de seu processo por entender que a acusação contra ele baseia-se apenas na palavra do ex-deputado Roberto Jefferson, a quem acusou de ter ciúmes da projeção que Henry vinha obtendo dentro da base aliada. "Ele sentiu que estava perdendo o poder dentro do Congresso e acabou tomando esse tipo de atitude."
Henry disse ainda que vai processar Roberto Jefferson caso seja declarada sua inocência. "Preciso esperar o Congresso decidir se sou inocente ou culpado. Se decidir que sou inocente, vou tomar todas as medidas cabíveis contra aqueles que me caluniaram e me expuseram a essa situação. Agora, se o Congresso me julgar culpado e cassar o meu mandato, eu não tenho que processar ninguém."

Testemunhas
Pedro Henry pediu também ao relator que seu processo seja breve para evitar constrangimentos e dispensou a apresentação de testemunhas de defesa em seu favor.
O relator do processo, deputado Orlando Fantazzini (Psol-SP), negou boatos de que encerraria o processo ainda nesta semana e julgaria o caso improcedente. Fantazzini considera oportuno convocar como testemunha o assessor do deputado José Janene (PP-PR), João Claudio Genu, que confirmou em seu depoimento à Polícia Federal que recebeu dinheiro das contas do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza por autorização da direção do PP.
Também deve ser ouvido como testemunha o presidente do PP no Distrito Federal, o ex-deputado Benedito Domingos.
Por enquanto, segundo Fantazzini, só existem indícios contra Pedro Henry.

Outros depoimentos
Pedro Henry foi o primeiro parlamentar a depor dentre os 11 deputados contra os quais foi aberto processo disciplinar no Conselho de Ética da Câmara na última segunda-feira.
Outros oito deputados já foram notificados e têm cinco dias para apresentar a defesa oral ou escrita ao conselho. O prazo só não começou a correr para dois parlamentares que ainda não foram notificados: João Magno (PT-MG), que está em missão oficial; e José Janene, de licença médica.

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Reportagem - Eduardo Tramarim e Paula Medeiros
Edição - Regina Céli Assumpção


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