20/09/2005 - 17h55

Genu reafirma saques nas contas de Marcos Valério

O assessor da liderança do PP João Cláudio Genu confirmou hoje, na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Compra de Votos, ter recebido recursos das contas do empresário Marcos Valério de Souza, suposto operador do esquema conhecido como "mensalão". Ele disse ter obtido R$ 700 mil com a diretora financeira da agência SMPB, Simone Vasconcelos, entre setembro de 2003 e janeiro de 2004. O valor não confere com a lista de saques apresentada pelo próprio Marcos Valério à CPMI, na qual Genu figura como sacador de R$ 4,1 milhões, divididos em seis parcelas, que seriam entregues ao PP a pedido do PT.
Apesar de a versão de Genu coincidir com explicação dada na semana passada pelo presidente do PP, deputado Pedro Corrêa (PE), os integrantes da comissão apontaram contradições no depoimento. O relator da comissão, deputado Ibrahim Abi-Ackel (PP-MG), disse que será necessário confrontar a versão de Genu com as informações colhidas junto aos bancos.
Durante o depoimento, o deputado João Correia (PMDB-AC) apresentou documento que aponta o repasse de pouco mais de R$ 3 milhões ao PP por Marcos Valério, por meio da corretora Bonus-Banval. João Cláudio Genu negou ter pego mais de R$ 700 mil e disse desconhecer os depósitos feitos em favor da corretora. "Só confirmo as vezes que declarei e em que assinei os recibos", disse Genu, ao negar outros saques.

Três parcelas
João Cláudio Genu informou aos parlamentares ter ido à agência do Banco Rural em Brasília quatro vezes. Por duas, encontrou-se com Simone Vasconcelos, de quem recebeu R$ 300 mil em cada encontro. Em uma terceira vez, foi necessário ir ao hotel Gran Bittar, onde a diretora lhe deu outros R$ 100 mil. Na última vez, ele disse que não chegou a sacar dinheiro.
Segundo Genu, o pedido para que fossem feitos os saques vinha sempre de Pedro Ribeiro Barbosa, contador do diretório nacional do PP, que morreu no ano passado.
"Mais um fantasma atravessa as investigações da CPMI", ironizou o deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP). "Toda vez que chegamos perto de responsabilizar alguém, a cadeia é interrompida por um defunto que a CPMI não vai poder interrogar", complementou.

Corrupção em órgãos públicos
O depoente negou qualquer relação com o Instituto de Resseguros do Brasil (IRB), com Furnas Centrais Elétricas e com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), cujos dirigentes ele garantiu que não indicou nem viu serem indicados. Genu admitiu, porém, que participou de reuniões nessas entidades, mas sempre por ordem do PP ou acompanhando o deputado Janene, de quem era assessor direto, e não para discutir qualquer tipo de corrupção.
Os deputados Júlio Redecker (PPB-RS) e Zulaiê Cobra (PSDB-SP) questionaram Genu sobre suas relações com irregularidades praticadas pela chamada "máfia dos vampiros", que atuou no Ministério da Saúde. O ex-assessor explicou que telefonou várias vezes para Victor Hugo Travassos, um dos diretores da Anvisa, conforme revelou a quebra do sigilo telefônico de Genu, "por orientação do PP".

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Reportagem - Marcello Larcher e Mônica Montenegro
Edição - Rejane Oliveira


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