Psicóloga acredita que Síndrome de Burnout é subnotificada no Brasil

Argumento foi apontado durante audiência pública sobre a doença, promovida pela Comissão
10/12/2015 15h20

Zeca Ribeiro/ Câmara dos Deputados

Psicóloga acredita que Síndrome de Burnout é subnotificada no Brasil

A psicóloga Ana Maria Pereira declarou que a Síndrome de Burnout, ou doença relacionada à exaustão no trabalho, é esquecida e isso causa subnotificação no Brasil. A síndrome, que foi tema de audiência na manhã desta terça-feira (10), advém do estresse contínuo do profissional vítima de sobrecarga e frustração do trabalho.  O evento foi presidido pela deputada Geovania de Sá (PSDB- SC) e promovido pela Comissão de Seguridade Social e Família (CSSF).

De acordo com dados do Ministério da Saúde, foram registrados 70 casos da doença no período entre 2007 e 2015, conforme apontado no balanço do Código Internacional de Doenças (CID10) Z73.0. O código sinaliza situações em que foi identificada “exaustão” em trabalhadores com transtornos mentais relacionados com o trabalho. Apesar de ser prevista na lista de doenças ocupacionais da Previdência Social (Decreto 6042/07), a síndrome é pouco lembrada pela perícia técnica para avaliar as condições do trabalhador e no lugar é diagnosticado "depressão", segundo Pereira.

Em contrapartida, a médica perita e representante do Ministério do Trabalho e Previdência Social, Betyna Corbal, enfatiza que o Brasil é avançado no que tange à cobertura social desses transtornos ocupacionais. “São poucos os países que reconhecem essas doenças como o Brasil, mesmo em nações desenvolvidas há poucos dados. Temos que evoluir, mas a perícia é capacitada para reconhecer um transtorno mental que afete o trabalho, inclusive a síndrome de Burnout”, argumentou Corbal. Comprovada a doença, o profissional pode ser beneficiado com um auxílio.

 

Principais vítimas

O Ministério da Saúde, a partir da portaria nº 1339 de 18 de novembro de 1999, instituiu a lista de Doenças relacionadas ao Trabalho e incluiu a Síndrome de Burnout (expressão inglesa que significa “Sensação de Estar Acabado”) nos transtornos mentais e do comportamento relacionados com o trabalho. Coordenador-geral da Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde (MS), Jorge Machado apontou que as principais vítimas no Brasil da síndrome são os professores, motoristas de ônibus interurbanos e vigilantes. No total, entre 2008 e 2015, pelo menos 3,9 mil casos de enfermidades a trabalhadores estiveram relacionados a transtornos mentais causados pela ocupação. 

 

O que é a Síndrome de Burnout, segundo os expositores

“O trabalho está relacionado à identidade individual, o que o reveste de uma importância ainda maior. Desde crianças nós ouvimos que devemos ser "alguém na vida", o que significa ter um trabalho reconhecido e importante” – Ana Maria Pereira

“A Síndrome de Burnout é quando há sobrecarga ou frustração do trabalho. O entusiasmo é substituído por uma situação de tédio, estresse e mau humor” – Betyna Corbal.

“O Quadro clínico varia entre insônia, fadiga, inquietação, transtorno, irritabilidade, perturbação do sono, perda de interesse pelo trabalho” – Corbal

“É uma forma de defesa à cronificação de um estresse ocupacional, sempre se refere ao mundo do trabalho e sempre é um distresse (estresse negativo, prejudicial) [...] Ela é composta por três elementos: exaustão emocional, desumanização e diminuição do envolvimento pessoal no trabalho” – Pereira.

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