Unicamp apresenta à Comissão do Esporte projeto de centro de inovação para impulsionar o esporte brasileiro
Renato Araújo/Câmara dos Deputados
Osvaldir Taranto, chefe de gabinete da reitoria da Unicamp, no telão, participa da audiência por videoconfência. Dep. Douglas Viegas (União-SP), ao centro, conduz os trabalhos.
A Comissão do Esporte da Câmara dos Deputados realizou na tarde de quarta-feira (11) audiência pública para apresentação do Centro de Pesquisa e Inovação do Esporte Brasileiro (CEPIesporte), projeto da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O debate foi feito em atenção ao Req. 152/25, de autoria do Dep. Douglas Viegas (União-SP), que conduziu os trabalhos.
A proposta apresentada, de acordo com representantes da Unicamp, visa posicionar o Brasil como protagonista em inovação esportiva, conectando a produção acadêmica às demandas da indústria e da sociedade.
Ao dar início à audiência, o Dep. Douglas Viegas destacou a importância da iniciativa e aproveitou para defender maior atuação do governo no setor. "Está mais do que na hora de o Estado assumir essa responsabilidade com o esporte. Nós sabemos que o esporte é muito mais do que como o brasileiro o vê. Nós sabemos que o esporte é saúde, o esporte é segurança pública de maneira preventiva, o esporte é educação. Então, ele ataca os três principais pilares de qualquer sociedade", afirmou.
O parlamentar também solicitou a instalação da Comissão Especial da PEC do Esporte. "Nós estamos agora aguardando a instalação da Comissão Especial pelo Presidente da Casa, o Dep. Hugo Motta (Republicanos-PB). Fazemos mais uma solicitação, aqui neste momento, para que seja instalada a Comissão Especial da PEC do Esporte, já aprovada na Comissão de Constituição e Justiça, que vai destinar 3% das emendas parlamentares para o esporte, podendo apoiar projetos, exatamente como o CEPIesporte", completou.
A tradição da Unicamp na produção científica na área esportiva foi destacada pelo chefe de gabinete da Reitoria da Unicamp, Osvaldir Pereira Taranto, que participou da audiência representando o reitor, Paulo Cesar Montagner: "A proposta que viemos apresentar, sobre o Centro de Pesquisa e Inovação do Esporte Brasileiro/CEPIesporte, nasce da visão que vai além da dimensão somente cultural e social, mas também por ser um campo importante de produção de conhecimento e inovação tecnológica e, obviamente, de desenvolvimento econômico para o País. O Brasil possui uma produção científica bastante relevante na área e, com orgulho, posso dizer que a Unicamp tem um grande percentual nessa produção brasileira”.
O novo centro de pesquisa é ligado à Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA/Unicamp), que possui um perfil interdisciplinar, onde todos os cursos possuem disciplinas comuns. A diretora da FCA, Milena Pavan Serafim, explicou que esse perfil é um diferencial da unidade, localizada em Limeira (SP), e o que ele possibilita. "Essa particularidade nos possibilita trazer discussões como essa que a gente vai realizar hoje, de trazer sinergia, por exemplo, na produção de novos materiais para esporte, já que a gente tem uma área de engenharia que faz pesquisa de novos materiais. Por outro lado, há ali o pessoal de esporte que trabalha com treinamento, que trabalha com gestão, com política pública do esporte, assim como o paradesporto ou outras iniciativas nas áreas da saúde e bem-estar”.
João Gustavo Claudino, coordenador adjunto do CEPIesporte e responsável técnico pelo projeto, apresentou dados para fundamentar a criação do centro. "O mercado total, esse PIB (Produto Interno Bruto) do esporte brasileiro, foi calculado nesse estudo e ele está na casa de 1,7% — R$ 183 bilhões. O que é 1,7%? É muito? É pouco? Como comparativo, a participação da indústria como um todo vem caindo desde 1995 e está na casa — no mesmo ano em que foi calculado esse dado — de 10,8%. Então, 1,7% só do esporte é muito representativo", afirmou.
O pesquisador também destacou o potencial de retorno sobre investimentos na área. "Um trabalho muito bacana, feito pelo pessoal da associação Sou do Esporte, verificou o retorno do investimento do dinheiro público e também do setor privado no esporte. O Retorno sobre o Investimento (ROI) do dinheiro do setor público no esporte é de R$ 13. A cada R$ 1 que o Brasil investe no esporte, retornam R$ 13 para a sociedade. No setor privado, o retorno foi de R$ 23."
Para Gabriella Andreeta Figueiredo, do Grupo de Pesquisa em Paradesporto, Diversidade e Movimento e também responsável técnica pelo projeto, a missão do centro é entender as demandas da sociedade e, junto com ela, encontrar soluções. "Acho que esta é a nossa principal missão: resolver os problemas sociais, independentemente se são de alta performance, se são de esporte de base, se são de desenvolvimento de um equipamento, como uma cadeira de rodas para uma performance em Paraolimpíadas ou uma camiseta que incomode menos uma criança que tem autismo, por causa da sensibilidade sensorial."
O diretor executivo associado da Inova Unicamp, Rangel Arthur, apresentou o portfólio de inovações da universidade. "A Unicamp em si, como o Prof. Osvaldir colocou, está em uma posição bem favorável. No quesito inovação e empreendedorismo, a Universidade Estadual de Campinas figura sempre no top 3, top 2 da América Latina. Atualmente, nós temos um portfólio de cerca de 1.300 patentes nas diversas áreas do conhecimento", informou, ao participar da audiência por videoconferência.
Sobre as tecnologias já desenvolvidas na área esportiva, Rangel Arthur destacou que muitas não chegam à sociedade por falta de estrutura: "A gente precisa fazer com que essas tecnologias cheguem à sociedade. Esse centro de pesquisa, desenvolvimento e inovação em esporte terá essa capacidade. O potencial de elevar esse nível de TRL (maturidade tecnológica) e fazer com que as nossas tecnologias possam gerar produtos e chegar ao mercado necessita de um centro como este".
O representante da Inova Unicamp descreveu algumas das patentes registradas a partir de estudos na universidade: aplicativo que mede nível de ansiedade dos atletas e que permite ao treinador ajustar o protocolo de treinamento; mecanismo de controle de ajuste de altura de redes esportivas de acordo as necessidades dos atletas; software que agrega dados a partir da leitura correta de informações fisiológicas de praticantes de atividade física; e o desenvolvimento de sensor de movimento fino, resistente e flexível, com alta sensibilidade e baixo uso de energia, que serve para avaliação e melhoria de performance do atleta.
Em suas considerações finais, os pesquisadores da Unicamp reiteraram o convite para que os parlamentares conheçam as instalações da universidade e reforçaram o caráter coletivo do projeto. Douglas Viegas agradeceu a participação de todos e colocou a Comissão à disposição para dar continuidade à parceria: "Quero deixar o nosso gabinete, a Comissão de Esportes à disposição para que a gente possa seguir trabalhando juntos para o crescimento verdadeiro do esporte".
Da Assessoria de Comunicação/Comissão do Esporte