Comissão debate ciclo paralímpico para Los Angeles 2028 e destaca avanço do Brasil nos Jogos de Inverno
Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
Balanço dos Jogos Paralímpicos de Inverno e Ciclo Los Angeles 2028.
A Comissão do Esporte realizou, na tarde desta quarta-feira (20), Audiência Pública para discutir a preparação do Brasil para os Jogos Paralímpicos de Los Angeles 2028 e fazer um balanço da participação brasileira nos Jogos Paralímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026.
Estavam presentes no debate o presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), José Antônio Ferreira Freire, e presidentes de entidades de modalidades paralímpicas. A audiência, feita em atendimento ao Req 20/26, da deputada Iza Arruda (MDB-PE), também contou com a presença de Fabio Araujo, secretário Nacional do Paradesporto, do Ministério do Esporte.
Ao abrir a reunião, a parlamentar destacou a importância de aproximar o Parlamento do planejamento esportivo e das políticas públicas voltadas às pessoas com deficiência. O foco da audiência foi mostrar resultados já alcançados, mas também apontar caminhos para ampliar o acesso ao esporte, fortalecer a formação de atletas e melhorar a estrutura de preparação para o próximo ciclo paralímpico.
“A gente tem a possibilidade de descentralizar, levando para outros municípios, levando para o interior, mas com excelência dessa metodologia e, com certeza, também essa iniciação dos esportes, descobertas e oportunidades”, afirmou Iza Arruda.
Presidente do CPB, José Antônio Ferreira Freire, afirmou que o Brasil saiu fortalecido dos Jogos de Inverno, especialmente com a conquista inédita da medalha de prata do atleta Cristian Ribera. A medalha foi conquistada na prova de sprint sentado do esqui cross-country. Segundo o dirigente, o feito tem peso especial porque foi alcançado por um país sem tradição climática em esportes de neve. “A gente conseguiu, né, alegria enorme o atleta nosso, Cristian, colocar uma medalha de prata no pescoço”, disse. Ele também lembrou que a delegação brasileira em Milão-Cortina foi a maior da história nessa competição, com oito atletas.
Ao falar de Los Angeles 2028, Freire explicou que a meta do CPB é manter o Brasil entre os cinco primeiros colocados no quadro geral. Para isso, a entidade pretende ampliar seus projetos e expandir os centros de referência no país. “A gente está ampliando hoje, a gente está com 105 centros de referência até o final do ano vamos chegar a 125”, afirmou. Na avaliação dele, essa política ajuda a interiorizar o paradesporto e amplia o acesso de crianças e jovens com deficiência ao esporte.
A mesma linha foi defendida por Hélder Maciel Araújo, presidente da Confederação Brasileira de Desporto para Deficientes Visuais (CBDV). Ele lembrou que a entidade tem papel importante na meta do CPB porque responde por modalidades que costumam trazer medalhas ao Brasil, como judô, futebol de cegos e goalball. “A responsabilidade nossa é muito grande para ajudar também o CPB nessa jornada de ficar entre os cinco primeiros”, afirmou. Hélder destacou ainda o investimento em equipe multidisciplinar, ciência do esporte e formação de base como fatores centrais para melhorar resultados em Los Angeles.
No caso do futebol de cegos, que ficou com bronze em Paris, a CBDV trabalha para voltar ao topo do pódio. Já no goalball, a expectativa é recuperar o ouro após revisão do trabalho técnico. O dirigente também chamou atenção para outro desafio de política pública: desenvolver o futebol de cegas no Brasil. “Futebol para cegas precisa ser realidade”, afirmou, ao defender mais clínicas, formação de equipes e apoio institucional para ampliar a modalidade.
Presidente da Associação Brasileira de Rugby em Cadeira de Rodas (ABRC), José Higino apresentou o rugby como um esporte ainda jovem no país, mas em crescimento acelerado. Ele ressaltou que a modalidade tem forte impacto social porque atende pessoas com deficiência severa e ajuda a ampliar autonomia e participação. No vídeo exibido durante a audiência, atletas resumiram esse efeito ao dizer que “o rugby ele não é só um esporte, ele é mudança de vida”.
Higino explicou que o avanço da modalidade depende de orçamento, equipamentos e participação constante em competições internacionais. Segundo ele, o apoio do CPB foi decisivo para a evolução recente da seleção, que já subiu no ranking e passou a disputar de igual para igual com equipes tradicionais. “A nossa perspectiva de vaga direta pelo Parapan de Lima, ela é real e muito grande”, afirmou, ao tratar da briga por classificação para Los Angeles 2028.
Na apresentação da Associação Nacional de Desporto para Deficientes (ANDE), Erinaldo Chagas destacou o planejamento da bocha paralímpica para o novo ciclo. Ele lembrou que o Brasil é uma potência histórica na modalidade e que o objetivo é chegar a Los Angeles com nove atletas classificados e voltar ao pódio. “A gente colocou como alvo conquistar duas medalhas em Los Angeles na modalidade bocha”, disse. Para isso, a associação aposta em renovação de atletas, competições no Brasil, calendário internacional e apoio técnico especializado.
Ao longo do debate, os convidados também reforçaram a importância de políticas públicas ligadas à iniciação esportiva, à pesquisa e à formação profissional. A professora Ana Paula Lima, do Departamento e Fisioterapia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), defendeu a integração entre educação física, fisioterapia, pesquisa e inclusão para ampliar o acesso de crianças e adolescentes ao paradesporto. Segundo ela, a base é decisiva para o alto rendimento no futuro.
No encerramento, a audiência mostrou convergência entre as entidades em torno de alguns pontos: investimento contínuo, fortalecimento da base, apoio à ciência, expansão de centros de referência e ampliação de oportunidades para mulheres e jovens. Em comum, as participações indicaram que o desempenho do país em competições internacionais depende de planejamento de longo prazo e de uma rede de apoio que envolva confederações, universidades, governos e Parlamento.
Assessoria de Comunicação/Cespo
Texto elaborado com auxílio de IA