27.04.2007

 

 

Jornal "Folha de S. Paulo"

 

Caderno: Brasil

 

Lula elogia Chávez e acha possível criar banco sul-americano até 2010

Instituição teria US$ 7 bilhões para financiar investimentos na América Latina

DO ENVIADO AO CHILE

Ao encerrar ontem à noite o Fórum Econômico Mundial da América Latina, em Santiago, capital do Chile, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pregou a criação de um banco internacional de fomentos para os países da América do Sul.

O banco, a ser implantado até o fim de seu mandato, em 2010, seria o embrião de um banco central do Mercosul e de uma moeda única para a América Latina, segundo integrantes da comitiva de Lula. "Iniciativas inovadoras são um passo para a criação de um banco sul-americano de desenvolvimento", disse Lula, que discursou ao lado de sua colega Michele Bachelet.

O banco, discutido em duas reuniões de Lula com Bachelet, teria US$ 7 bilhões iniciais para investimentos e serviria para reduzir a dependência latino-americana em relação ao FMI e ao Banco Mundial.

Em uma solenidade no Palácio La Moneda, Lula se derramou em elogios a seu colega Hugo Chávez, que propôs a criação do Banco do Sul. No dia 20, porém, o ministro Guido Mantega (Fazenda) tinha feito restrições ao projeto: "O Brasil não vai aderir a nada. O Brasil não é um país que adere. O Brasil participa, elabora junto ou não. Vou conversar com Lula".

Ontem, Lula disse que Chávez está mudando a história da Venezuela e tem aprovação de seu povo. Acrescentou que não existe "chavismo" na América do Sul. Segundo ele, os presidentes de esquerda no continente têm de recuperar décadas "em que o povo pobre foi submetido à fome e à miséria."

 

Caderno: Dinheiro

 

Importados expõem contradição no governo

CRISTIANE BARBIERI

DA REPORTAGEM LOCAL

Um dia depois de o governo aumentar as alíquotas de importação de têxteis e calçados para 35%, a ata do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central foi clara: "A expansão das importações tem contribuído de forma relevante [para evitar a inflação], complementando a produção doméstica".

Apesar de ser o caso mais recente, essa contradição na condução da política econômica não é a única do segundo mandato do presidente Lula. "Temos até um apelido para essas contradições do governo: chamamos internamente de "pequenos assassinatos'", afirma Ana Carla Abrão Costa, responsável pela área de macroeconomia na consultoria Tendências.

Ela elenca, entre outros "pequenos assassinatos", a intenção de aumentar a dívida dos Estados (depois revogada), o enfraquecimento das agências reguladoras e a perspectiva de os PPIs (planos piloto de investimento) poderem ser abatidos da meta do superávit primário (economia do governo para pagar juros da dívida).

"Há uma divergência evidente entre a política monetária consistente do Banco Central e as políticas microeconômicas dos ministérios do Desenvolvimento e da Fazenda e do BNDES, mais protecionistas", diz Maurício Moura, economista-chefe da consultoria GSMD.

Para Costa, essas divergências tendem a se agravar no segundo mandato, no qual as agendas de longo prazo do BC e da Fazenda não têm a mesma sintonia. "O segundo mandato parece ser mais suscetível a pressões setoriais", diz ela.

Os setores têxtil e calçadista, por exemplo, discutiam o aumento na alíquota de importação com o governo desde o fim de 2004, quando o real começou a se apreciar. Conseguiram anteontem o nível máximo de imposto de importação que o país pode aplicar.

"Não é uma questão de segundo mandato, mas de o governo ter percebido que um setor que mais do que dobrou suas exportações em cinco anos não poderia ter ficado ineficiente de um ano para outro", pondera Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil).

Ele refere-se ao fato de as exportações da área terem passado de US$ 1,01 bilhão, em 1999, para US$ 2,2 bilhões em 2005, quando foi registrado superávit comercial de US$ 684 milhões. Já em 2006, em função do fortalecimento da moeda, foi registrado déficit de US$ 60 milhões. Para este ano, antes do aumento da tarifa, era esperado déficit de US$ 900 milhões.

"É evidente que trabalhamos pelas reformas estruturais", diz Pimentel. "Mas precisávamos de uma compensação contra países que mantêm suas moedas valorizadas para exportar."

Para Moura, no entanto, a medida não é eficiente. "O que interessa aos fabricantes de calçados é o mercado externo", diz ele. "Essa medida não resolve a vida do setor e penaliza o consumidor."

 

China pede esclarecimentos por tarifa maior

DA REPORTAGEM LOCAL

O governo chinês pediu esclarecimentos à Embaixada do Brasil em Pequim sobre o aumento de tarifas na importação de calçados e confecções determinada ontem pelo governo. A resposta, segundo a Folha apurou, foi a de que a medida tem caráter geral e não se aplica especificamente à China, embora venham do país os calçados e têxteis que abocanham fatia cada vez maior do mercado nacional. Paul Liu, presidente da Câmara Brasil-China de Desenvolvimento Econômico, diz que a indústria brasileira tem de melhorar sua competitividade para enfrentar os chineses. "Do contrário, a situação vai ficar ainda pior quando a tarifa cair de novo", ressalta. Em sua opinião, a importação pode continuar em níveis altos, mesmo com o aumento de tarifa, em razão da demanda dos importadores brasileiros. Neste ano, o Brasil deve registrar o primeiro déficit da década no comércio com a China. Só nos três primeiros meses, a balança ficou negativa em US$ 523 milhões, valor 744% superior ao resultado negativo de igual período do ano passado. Em 2006, dos US$ 398 milhões importados em confecções, US$ 205 milhões vieram da China. No caso dos calçados, foram US$ 91 milhões de um total US$ 149 milhões.

Proteção "nula"

Para a Associação Brasileira de Comércio Exterior (AEB), a desvalorização do dólar nos últimos três anos torna praticamente nula a proteção tarifária. Desde 2004, a desvalorização da moeda americana foi de 31%, segundo dados do Banco Central, quase a mesma taxa de proteção anunciada anteontem, quando o governo decidiu elevar a TEC (Tarifa Externa Comum) desses produtos para a alíquota máxima, de 35%.

Colaborou a Sucursal de Brasília

 

UE quer reduzir excedente com verba a produtor

DA REDAÇÃO

A União Européia, para reduzir o excedente de açúcar, pretende destinar mais recursos a produtores que quiserem diminuir a produção, disse a associação de produtores de açúcar da UE.

Em fevereiro de 2006, a UE lançou incentivos para estimular o fechamento de usinas de açúcar não-competitivas. Para tornar os pagamentos mais atraentes, atualmente em cerca de 730 euros (US$ 993) por tonelada de açúcar, as autoridades reguladoras da UE pretendem limitar a fatia reservada aos agricultores, que receberão pagamento "extra" para não acumularem perdas.

 

Jornal "Gazeta Mercantil"

 

Opinião

 

A hora da moeda comum no Mercosul

27 de Abril de 2007 - A Câmara de Comércio Exterior (Camex) anunciou a resolução, a ser ratificada pelos demais integrantes do Mercosul, de que as transações comerciais entre os parceiros do bloco não ocorram mais apenas balizadas pelo dólar. O peso argentino e o real brasileiro também seriam usados nas importações e exportações entre os dois países. Os bancos centrais do Brasil e da Argentina projetaram as possibilidades para a execução da proposta já para o segundo semestre deste ano.

É óbvio exagero imaginar a imediata e plena dispensa do dólar nas transações entre países do Mercosul. A rigor, o que a Camex propôs é que a moeda norte-americana tenha como sócios operacionais o peso e o real. Há um conjunto de vantagens embutidas nesta decisão. A primeira delas, como ponderou o secretário-executivo da Camex, Mário Mugnaimi, é que a medida pode gerar economia de 3% nas transações comerciais. Depois, permitirá que pequenas e médias empresas dispensem complexas operações de câmbio para exportar ou importar no interior do bloco. Paraguai e Uruguai serão depois igualmente beneficiados com a proposta, usando suas moedas. Tecnicamente, os bancos centrais dos integrantes do bloco farão ajustes diários para acertar o fluxo financeiro.

É provável, portanto, que a decisão da Camex funcione como uma espécie de prenúncio de moeda comum no Mercosul. Este é o ponto mais importante da decisão. Em verdade, a proposta indica a construção de uma zona de conversibilidade limitada. Este processo não foi diferente na União Européia envolvendo os antigos marco alemão e franco francês. No contexto europeu também se procurava facilitar a inserção comercial de países menores. Uruguai e Paraguai terão dificuldades menores, sem a pressão absoluta do parâmetro dólar, para integrar produções locais nas cadeias produtivas dos vizinhos maiores.

O uso de moedas nacionais em transações comerciais externas abre, por outro lado, bons espaços de acomodação para criar vantagens paralelas a produtores que se considerem prejudicados pelas grandes lógicas comerciais do bloco. A rigor, Brasil e Argentina já ensaiaram processos semelhantes quando desenvolveram mecanismos de compensação que viabilizaram, por exemplo, a continuidade do acordo automotivo. Quando as dificuldades do comércio do setor automobilístico entre Brasil e Argentina aumentaram demais, um fator conhecido como flex passou a vigorar no setor, autorizando que cada um dos dois países, a cada US$ 100 importados no setor automobilístico, exportasse até US$ 195 sem impostos. Os dois lados buscaram um equilíbrio financeiro para gerir um contencioso comercial e alcançaram um acordo que garantiu previsibilidade e estimulou novos investimentos.

Vale lembrar que recente estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) propôs plano estratégico para consolidar o Mercosul a partir de amplo pacto entre o Brasil e Argentina, incluindo a unificação das moedas dos dois países a partir de 2017. Uruguai e Paraguai teriam, inicialmente, participação mais limitada nessa integração financeira. Esse estudo, assinado pelos economistas Fábio Giambiagi e Igor Barenboim, parte do princípio de que o bloco é uma "inegável realidade, comprometida por suas próprias fragilidades". Os economistas sugerem que se retome a "arquitetura flexível" dos primeiros momentos do Mercosul, recuperando-se o teor do Tratado de Buenos Aires, de 1988, que previa o mercado comum apenas entre Brasil e Argentina. Aliás, seguindo o mesmo "recuo estratégico" utilizado na evolução da União Européia, construída a partir da aliança entre França e Alemanha. A idéia é criar "velocidades e geometrias variáveis" para o bloco, acelerando, primeiro, a integração financeira dos países maiores.

O estudo do Ipea conclui com uma pergunta inquietante: é melhor para Brasil ou Argentina enfrentar a instabilidade que se vislumbra no mundo, nos próximos dez anos, "sozinho ou em conjunto"? A óbvia resposta, apenas sensata, está na origem da decisão da Camex de abrir a porta para a construção de uma moeda comum no Cone Sul.

(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 2)

 

Jornal "Correio Braziliense"

 

Caderno: Mundo

 

Lula nega atrito com Chávez

No Chile, o brasileiro desconsiderou a existência de uma disputa com o vizinho pela liderança na América Latina e sugeriu uma Universidade do Mercosul. Hoje, ele se encontra com Néstor Kirchner

Da Redação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rejeitou as especulações de que seu breve giro pela América do Sul seja uma tentativa de conter a influência de Hugo Chávez no subcontinente. Em entrevista a jornais argentinos e chilenos, Lula defendeu o colega venezuelano e garantiu que essa disputa não existe. "Chávez tem sido um aliado excepcional no campo político e comercial. É um sócio. Não temos nenhum problema com a Venezuela. A Argentina e o Chile também não têm", assegurou o presidente.

Para comparar o governo de Chávez ao dele e de outros colegas sul-americanos, Lula criou mais uma metáfora. "É como se, em uma corrida de Fórmula 1, o carro dele fosse a 300 km/h, enquanto nós vamos a 280 ou 290", brincou. O chefe de Estado acredita que, apesar da crescente influência da Venezuela, a América Latina não precisa de um líder específico, mas de uma relação mais forte e respeitosa entre os países. "Não creio na existência do chavismo", revelou Lula, depois de reunir-se ontem com a presidenta chilena, Michelle Bachelet, em Santiago.

Desde ontem à noite em Buenos Aires, o presidente se reúne hoje, a partir das 11h, com o colega argentino Néstor Kirchner. Em Santiago, Lula defendeu a reeleição de Kirchner. O encontro ocorrerá na Residência Presidencial de Olivos, a 40km da capital, onde será oferecido um almoço. A reunião não tem agenda pré-estabelecida, mas acordos de cooperação em biocombustíveis e um fundo conjunto de prevenção contra ataques especulativos ao real e ao peso argentino devem estar em pauta.

Os dois também se dispõem a conversar sobre o Banco do Sul, projeto financeiro multilateral para a América do Sul planejado por Venezuela e Argentina. O Brasil é contra a idéia de transformá-lo numa espécie de FMI regional e só deve apoiar a criação do banco caso ele se destine a promover a integração regional. Depois do breve encontro, no entanto, não haverá assinatura de acordos.

Mercosul

Durante a assinatura de um memorando de entendimento sobre educação com a presidenta chilena, Michelle Bachelet, Lula propôs ontem, em Santiago, a criação de uma Universidade do Mercosul para receber jovens oriundos de escolas públicas. Em visita à Escola República do Brasil, onde estudam 450 crianças e jovens carentes, ele ressaltou que é preciso criar universidades latino-americanas e mais bolsas de intercâmbio estudantil. Um grupo de alunos da escola cantou e dançou músicas brasileiras e chilenas.

No Palácio de La Moneda, sede do governo chileno, Lula assinou uma série de pequenos acordos com a presidenta Michelle Bachelet — em áreas como o desenvolvimento de biocombustíveis, previdência social e turismo. Os chefes de Estado também avançaram na discussão sobre um corredor interoceânico, que ligará o Atlântico ao Pacífico, trazendo benefícios comerciais ao Brasil.

Em pronunciamento que fez para a imprensa depois da reunião, Lula prometeu dedicar-se mais à integração sul-americana em seu segundo mandato. Antes de partir para Buenos Aires, o brasileiro visitou organizações internacionais e participou da solenidade de encerramento do Fórum Econômico Mundial sobre a América Latina.

O número

POPULARIDADE

64,7% dos venezuelanos aprovam a gestão de Hugo Chávez, revelou ontem uma pesquisa da empresa privada Datanálisis.

Jornal "Valor Econômico"

 

Caderno: Brasil

 

Brasil vai reclamar, na OMC, de "extorsão" no comércio de camarão

Assis Moreira e Ricardo Balthazar

O Brasil vai pedir explicações aos Estados Unidos, em reunião bilateral hoje em Genebra, sobre uma nova dificuldade imposta a produtores brasileiros de camarões no mercado americano: fazer pagamentos aos produtores americanos ou enfrentar tarifas mais altas. "É um processo de extorsão", define o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Camarões (ABCC), Itamar Rocha. "Se a empresa não fizer acordo para pagar, este ano a sobretaxa passa de 7% para 48%", afirma a advogada Raiana França, que representa em Natal o escritório americano Cameron & Hornbostel, de Washinghton.

"O Brasil está preocupado com essa prática que desvirtua ainda mais o comércio", disse Fernando de Magalhães Furlan, diretor do Departamento de Defesa Comercial, do Ministério do Desenvolvimento, que tratará do problema com representantes do governo americano. O que está acontecendo vem no rastro da ação da Southern Shrimp Alliance, grupo fundado em 2002 na Flórida para combater a importação de US$ 2,8 bilhões de camarões por ano.

Em 2003, a aliança pediu ao Departamento de Comércio e Comissão Internacional de Comércio para abrir uma investigação contra o produto importado de seis países: Brasil, China, Equador, Índia, Tailândia e Vietnã. Seu escritório de advocacia apresentou 148.800 paginas de petições para mostrar que esses países exportavam com preços deslealmente baixos, ameaçando os pescadores americanos.

Em fevereiro de 2005, o Departamento do Comércio impôs tarifas adicionais de 3,5% a mais de 100% sobre o valor do camarão importado desses países. Com isso, só no ano passado os produtores americanos embolsaram US$ 102 milhões através da "emenda Byrd", pela qual o governo dos EUA distribui o que for arrecadado em sobretaxas antidumping ou anti-subsídio às empresas americanas que pediram a investigação contra o produto estrangeiro acusado de concorrência desleal. Essa emenda deve ser eliminada este ano, depois de condenada na Organização Muncial do Comércio (OMC).

Só que John Williams, diretor-executivo da Southern Shrimp Alliance, resolveu ganhar ainda mais em cima dos concorrentes estrangeiros. Com a ajuda do escritório de advocacia Dewey Ballantine, de Washington, passou a ameaçar os exportadores externos com taxas mais altas.

Pela lei americana, todos os anos, o Departamento de Comércio pode fazer uma revisão administrativa das tarifas antidumping aplicadas contra produtos estrangeiros. Basta que algum interessado peça a revisão. A demanda pode ser retirada em três meses, o que engaveta a revisão pelo governo.

No ano passado, no primeiro aniversário das sobretaxas para os camarões, a associação dos produtores americanos pediu a revisão e em seguida procurou negociar com produtores brasileiros em troca de um porcentual de suas vendas para os EUA. Os americanos fizeram isso com mais de mil empresas do mundo inteiro no ano passado, segundo Felipe Berer, um advogado brasileiro que trabalha no escritório americano Bryan Cave, em Washington.

No total, 52 empresas brasileiras foram selecionadas para revisão de investigações antidumping. Semanas depois, 35 foram retiradas da lista, a pedido dos produtores americanos. "Os advogados brasileiros é que propuseram a negociação. É tudo legal", afirmou Deborah Long, assessora da associação dos produtores americanos, na Flórida. "Nada tem extorsão, é acordo entre os privados".

"Quando vimos que a Tailândia e o Vietnã fizeram acordo, tivemos que oferecer algo e a aliança americana em troca nos retirou da lista", confirmou a advogada Raiana França, em Natal. Entre as empresas brasileiras que fizeram acordo, estão Maricultura Rio Grandense, Maricultura Tropical, Potiguar, Empaf, Potiporã, Camanor, Pesqueira, Ipesca e Cida.

Os contratos assinados são protegidos por acordos de confidencialidade. Sabe-se que as empresas brasileiras aceitaram pagar 2% do valor de suas exportações aos EUA em 2005 para se verem temporariamente livres do problema. Afinal, aceitar pagar não significa o fim da tarifa. Mas significa que a empresa se livra do risco de a sobretaxa aumentar e também que ela abre mão do direito de tentar reduzir a tarifa na revisão. A indústria americana de móveis está fazendo o mesmo com produtores chineses.

"As empresas acham que sai mais barato pagar e ficar livre do problema do que se preparar para enfrentar os produtores americanos", disse Berer. Raiana confirma que a defesa de casos antidumping custa, pelo menos, US$ 250 mil nos EUA.

Há poucos meses foi iniciado o processo de revisão deste ano. Os americanos selecionaram outras 41 empresas brasileiras. Duas que não fizeram acordo, Aquática e a Compescal, foram sobretaxadas em 55,05% e 23,11%, respectivamente, na segunda revisão preliminar. Outras companhias que não se entenderam com os produtores americanos terão que pagar agora 48,13%. Duas empresas que não responderam às comunicações do departamento, a Valencia e a SM Pescados, receberam uma tarifa de 349% como punição.

As que aceitaram o acordo continuarão com as tarifas antigas, em torno de 7%. Só que, como o Brasil ainda espera redução da tarifa na decisão final, o preço está para ser definido. E vai aumentar, variando de 2% a 5% do valor das exportações, segundo Raiana.

 

Outros países exportadores reclamaram das sobretaxas e tiveram sucesso

De Genebra e Washington

Itamar Rocha, presidente da Associação Brasileira de Criadores de Camarões (ABCC), diz que participou de uma reunião com advogados para discutir pagamentos aos americanos. "Mas depois caímos fora, porque era acordo individual de empresa", conta. Diz também que não partiu dele acionar o governo, para reclamar na reunião bilateral em Genebra. "Foi o Itamaraty que me procurou".

A prática dos produtores americanos começa a ser contestada nos EUA. O "Wall Street Journal" cita Dan Ikenson, do Cato Institute, instituto de pesquisa em Washington, apontando "algo inadequado sobre a indústria doméstica extorquindo amplas somas de dinheiro de produtores estrangeiros de camarões". Wally Stevens, diretor da Associação Americana de Distribuidores de Frutos do Mar, usa o mesmo termo: "é extorsão".

O diretor-executivo da Southern Shrimp Alliance, John Williams, retrucou enfurecido ao jornal americano que se os produtores estrangeiros não tivessem violado as leis comerciais, vendendo barato demais, "não estaríamos nessa situação hoje". Contou também que uma parte do dinheiro era para pagar a fatura dos advogados, que chegaria a mais de US$ 3 milhões. Williams não retornou telefonemas, ontem.

O governo brasileiro vai reagir hoje em bilateral, alguns dias depois de Washington ter contestado o acordo entre o Brasil e a China limitando exportações têxteis chinesas para o Brasil. Brasília alegou que se tratava de "acordo entre privados", e portanto não há nada que impeça isso pelas regras globais.

É exatamente o que também ouvirá dos americanos. No "Wall Street Journal", o subsecretário assistente de comércio para antidumping, Stephen Clayes, disse que o governo não fazia parte dos acordos, sendo "puramente privado".

As sobretaxas antidumping desmoronaram a exportação brasileira. Caiu de 21,700 toneladas em 2003 para 588 no ano passado. Produtores americanos dizem que o Brasil distorce os preços. Itamar retruca que quem faz o preço são os intermediários americanos.

Outros países que exportam camarão, como Equador, Índia e Tailândia, entraram com ações na OMC contra as sobretaxas aplicadas pelos Estados Unidos contra seu camarão e tiveram sucesso. O Equador conseguiu eliminar a tarifa adicional. O Brasil tem participado como terceira parte nas disputas, mas nunca entrou com uma ação porque a indústria não quis. A maioria das empresas brasileiras são pequenas e pouco organizadas e acham que uma disputa na OMC seria cara e longa demais.

"Para que gastar dinheiro, se vamos repetir o que aconteceu no caso do algodão, em que o Brasil ganhou mas nunca teve coragem de agir contra os americanos?", reagiu Itamar Rocha, da ABCC. (AM e RB)

 

Setor têxtil da UE teme prejuízo com alta de tarifa no Brasil

Assis Moreira

A Euratex, entidade que representa a indústria têxtil da Europa, informou que vai acionar a Comissão Européia para evitar prejuízos com a alta da tarifa de importação de têxteis anunciada pelo Brasil. William Lakin, secretário-geral da Euratex, disse ao Valor que a indústria européia "não quer ser vitima de uma medida adotada por causa de outro país", numa referência ao avanço da China no mercado brasileiro.

Ocorre que excluir um parceiro da alta tarifária significa discriminar os outros e pode trazer mais problemas para o Mercosul. Lakin, porem, acha que Bruxelas deve buscar soluções com os brasileiros. Exemplificou que, nos anos 90, a Coréia do Sul elevou a tarifa de importação de 9% para 38% e, após pressões de Bruxelas, a taxa declinou para 18%.

A indústria européia é um dos maiores importadores mundiais de têxteis e confecções, totalizando 81 bilhões de euros no ano passado, dos quais 23,8 bilhões de euros originárias da China. Mas a UE é também o segundo maior exportador mundial de têxteis e o terceiro de confecções, com 38,7 bilhões de euros em 2006. Os grandes mercados sao os EUA, Japão e agora a Rússia.

A Euratex ainda avalia o impacto que a alta de tarifa pode ter nas suas vendas para o Mercosul. No ano passado, as exportações para o Brasil subiram 12,1%, alcançando 219 milhões de euros. Em contrapartida, as exportações têxteis brasileiras para a UE caíram 24,7%, totalizando 184 milhões de euros, certamente por causa do cambio.

Os europeus insistem que o problema com alta de importações no Brasil é causado pelos chineses, e não por sua indústria. E não querem perder fatias de mercado, quando o país está em pleno desenvolvimento econômico.

O Brasil e a UE fizeram há alguns anos um acordo bilateral, pelo qual Bruxelas aumentou cotas de têxteis para o país e, em contrapartida, o Brasil eliminou certas barreiras não-tarifárias. A Euratex lamenta que um acordo de livre comércio UE-Mercosul não tenha sido concluído, porque isso daria acesso preferencial aos exportadores nos dois blocos.

Em contrapartida, os produtores europeus pedem à Comissão Européia para não deixa-los expostos aos produtos baratos da China. A preocupação é grande, porque o Brasil, Africa do Sul e EUA fizeram acordos com a China, limitando a entrada dos produtos chineses até o final de 2008.

Já a UE fez o mesmo tipo de acordo, mas que termina em dezembro próximo, um ano antes dos outros. O temor é que a China acabe jogando seu excesso de mercadorias na Europa. Desde que Bruxelas freou a entrada de têxteis chineses, os preços de mercadorias procedentes da China aumentaram 7% no mercado europeu. Até o ano passado, os preços caíam sempre.

Em Genebra, o Escritório Internacional de Têxteis e Vestuários (conhecido pela sigla inglesa ITCB), que reúne 23 países exportadores, incluindo o Brasil, evitou comentar a alta de tarifa no Brasil. O ITCB, que faz o lobby a favor da abertura do mercado mundial de têxteis, constata que outros países em desenvolvimento aumentaram a proteção de seus mercados, caso da África do Sul, Peru e Colômbia.

 

Real valorizado ajuda Argentina a reduzir déficit comercial com o Brasil

Janes Rocha

A valorização do real, associada à desvalorização do peso, só agora está se refletindo em vantagem para a Argentina no comércio com o Brasil. O saldo do comércio bilateral, embora ainda favorável ao Brasil, tem melhorado sensivelmente para o lado dos vizinhos desde o fim do ano passado. E a participação de seus produtos no total importado pelo Brasil registrou o primeiro avanço desde o ano 2000, passando de 8,5%, em 2005, para 8,8% em 2006 e 9% no primeiro trimestre de 2007, segundo relatório da consultoria Abeceb.com.

Os argentinos acumulam 46 meses de déficit no comércio com os brasileiros, atingindo US$ 3,66 bilhões em 2006 e US$ 583 milhões no primeiro trimestre de 2007. Porém o resultado do primeiro trimestre já é 32% inferior ao registrado no mesmo período de 2006. Isso porque as exportações estão crescendo numa velocidade maior que as importações. Entre janeiro e março deste ano, o país vendeu US$ 2,283 bilhões ao Brasil, 41% mais que nos primeiros três meses de 2006, enquanto as importações, somando US$ 2,866 bilhões, cresceram apenas 16%.

A Argentina também está melhorando o perfil da pauta de produtos que vende ao país e ampliando a inserção de novos itens no mercado brasileiro. De acordo com a Abeceb.com, entre os produtos "made in Argentina" que mais ganharam espaço no mercado brasileiro em volume significativo (mais de US$ 1 milhão no primeiro trimestre), estão os veículos de transporte de passageiros e cargas. Produtos com menor volume de vendas, porém com bom valor agregado, como mel natural, hortaliças e tolhas de banho começaram a ganhar espaço.

Mas há outros fatores influenciando esse desempenho. "O Brasil finalmente está crescendo e isso é ótimo para a Argentina que pode vender cada vez mais", analisa Luciano María, economista da filial portenha do Itaú.

Se o Brasil pretende reduzir os superávits que mantém em relação aos vizinhos do Mercosul, terá que trabalhar mais para aumentar a "segurança de acesso a seus mercados", opina o especialista em relações econômicas internacionais, Felix Peña, diretor do Instituto de Comércio Internacional da Fundação BankBoston. Segundo Peña, a incerteza sobre as barreiras impostas pelo Brasil aos produtos importados preocupa os empresários.

No ano passado, o Brasil registrou superávit comercial de US$ 10,62 bilhões com os países da América do Sul, sendo US$ 4,98 bilhões com os parceiros do Mercosul e US$ 5,64 bilhões com os integrantes do Grupo Andino (Chile, Bolívia Peru, Equador, Colômbia e Venezuela). Depois da Argentina, o maior superávit é com Venezuela (US$ 2,96 bilhões).

O Uruguai ameaçou deixar o bloco até que o presidente Lula se comprometesse, há dois meses, em levantar uma série de impedimentos à entrada de produtos uruguaios no Brasil. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, o saldo do comércio entre os dois países é favorável ao Brasil há três anos, atingindo US$ 388 milhões em 2006.

 

País busca alternativas ao Banco do Sul

De Santiago

O Brasil quer discutir mecanismos de "compatibilização financeira" entre os países sul-americanos, antes de se comprometer com a formação de um Banco do Sul, como propõe o presidente da Venezuela, Hugo Chávez. "Queremos buscar soluções inovadoras, como um passo prévio para a criação de um banco de desenvolvimento sul-americano", discursou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao encerrar, ontem, a edição latino-americana do Fórum Social Mundial, em Santiago, ao lado da presidente do Chile, Michelle Bachelet.

Segundo o assessor internacional de Lula, Marco Aurélio Garcia, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, participará, na próxima semana, do encontro de ministros da Fazenda no Equador e levará propostas de incentivar mecanismos de integração financeira já existentes, como o Convênio de Crédito Recíproco (CCR), que compensa os fluxos financeiros gerados no comércio entre os países latinos, e funciona como uma espécie de seguro para exportações.

Outro mecanismo que a Fazenda pretende explorar é o Fundo Latino-Americano de Reservas (Flar), formada pelos países da Comunidade Andina, com critérios de segurança bancária internacional, com parte das reservas internacionais desses países, e remuneração superior à concedida pelas instituições financeiras tradicionais. O Flar, com patrimônio em torno de US$ 2,1 bilhões em 2006, pode ser usado em empréstimos para apoiar o balanço de pagamentos dos países sócios, e uma mudança de estatuto poderia permitir outras linhas de financiamento.

Interessado em apresentar alternativas à pressa de Chávez para constituição do Banco do Sul, Lula, em entrevista a jornalistas chilenos e argentinos, antes de sua viagem ao Chile e à Argentina, nesta semana, chegou a anunciar que espera, em quatro anos, constituir um Banco Central da América do Sul, que permitiria a adoção de uma moeda comum entre os países da região. Segundo os assessores do próprio Lula designados para estudar o assunto, não há, no governo, expectativa de criação de uma instituição do gênero em tão curto prazo, entre países com condições macroeconômicas tão distintas quanto os sul-americanos. A idéia da moeda comum e do Banco Central regional é a meta a ser alcançada, diz a equipe econômica.

Lula tem criticado a idéia do Banco do Sul por considerá-la indefinida, sem um perfil claro que permita saber se a futura instituição seria um banco de desenvolvimento, uma instituição tipo Fundo Monetário Internacional. (SL)

 

Caderno: Especial

 

Novo decreto ameaça a rentabilidade da Petrobras na Bolívia

Cláudia Schüffner

O ano que passou não foi bom para a Petrobras na Bolívia. O lucro foi de US$ 27 milhões, contra US$ 107 milhões no ano anterior. Mesmo com os investimentos suspensos naquele país há três anos, a Petrobras aportou na economia boliviana US$ 858 milhões em 2006. Desses, US$ 730 milhões foram pagos em impostos e royalties, o que explica em boa parte a melhora do resultado fiscal da Bolívia.

"Esse é o resultado da reforma produtiva no país, que compromete a capacidade da indústria crescer e buscar novos mercados. Nossa capacidade de investir é virtualmente zero", afirmou José Fernando de Freitas, presidente da Petrobras Bolívia.

A queda no lucro líquido foi causada, em grande parte por um aumento da tributação sobre a produção dos campos de San Alberto e San Antonio, os maiores do país, operados pela estatal brasileira (35%) e com sociedade da Repsol YPF e a Total. Sobre eles foram pagos mais de US$ 300 milhões por uma contribuição adicional de 32%. A Petrobras pagou US$ 99 milhões. Ela e as sócias discutem com o governo o pagamento de US$ 192 milhões que entendem terem sido indevidos.

Agora a Petrobras enfrenta um novo problema. A resolução 255 do Ministério de Hidrocarbonetos e Energia redistribui fatias de produção de gás voltadas para o mercado interno, que tem preço tabelado, e para os mercados externos, onde o preço varia entre US$ 4 e US$ 5 o milhão de BTU.

Segundo a Petrobras, a 255 fere cláusula de prioridade da estatal prevista no acordo de suprimento de gás (GSA) firmado pelos dois países. "Querem deslocar a Petrobras para dar espaço para a Chaco e a Andina", diz Freitas, referindo-se a duas empresas que foram reestatizadas. A seguir, trechos da entrevista.

Valor: Qual é o atual estágio das negociações de preço e a transferência do controle das refinarias da Petrobras para o Estado boliviano?

José Fernando de Freitas: Essa reunião em Caracas [na Cúpula Energética Sul-Americana, na Venezuela] trouxe um nível de tensão muito grande, mas estamos negociando. Na sexta-feira tive uma reunião em La Paz para conversar com o ministro Carlos Villegas [de Hidrocarbonetos e Energia] sobre todos os aspectos relacionados ao gás. Decidimos formar alguns grupos de trabalho para continuarmos negociando. Ainda não discutimos preço. Nem dissemos quanto a gente quer e nem eles fizeram proposta.

Valor: Discutindo o quê?

Freitas: O preço é o problema mais sério, contudo não adianta discutir preço sem conhecer o resto das condições de contorno. Não faz sentido. E eventualmente esse resto pode, se não chegarmos a um acordo, nos poupar de todo o resto. Até agora existem apenas declarações do tipo quero comprar pelo valor contábil, e eu quero vender pelo valor de mercado.

Valor: Do que a Petrobras não abre mão?

Freitas: Deixamos claro que a Petrobras aceita continuar sócia das refinarias desde que tenhamos condições de manter nossa filosofia de operação. A Petrobras não vai emprestar seu nome para um empreendimento sobre o qual ela não tem controle e nem certeza de que aquilo está de acordo com seus padrões de operação. Essa forma de operar custa dinheiro, não vem de graça. Não importa se vão colocar o nome da YPFB. Todo mundo sabe que a Petrobras está aqui e, se acontecer algum problema, não tenha dúvida de que ela vai ser arrastada. E, se isso não for definido claramente, para que discutir preço, se de antemão eu não estou de acordo com isso?

Valor: Quando se fala em operação, o que isso envolve?

Freitas: Operação é uma coisa ampla que implica políticas de segurança, meio ambiente e saúde fundamentais para nós; assim como políticas de contratação de serviços e materiais, de RH, de manutenção e as práticas comerciais. Isso tudo faz parte da operação. E mais, essas refinarias para nós são um negócio. Se para outro sócio não é um negócio mas um instrumento, não nos interessa.

Valor: A poucos dias do aniversário da nacionalização, que sinais têm recebido do governo boliviano?

Freitas: O ministro Villegas me disse que acha que as refinarias estão operando corretamente. E que ele não quer mudar isso. O decreto diz que a YPFB precisa ter 50% mais uma ação. Quanto a isso não temos que brigar ou dizer se estamos de acordo ou não. É uma norma legal e válida. Mas isso é uma venda. Temos que acertar condições e preço. Se não chegarmos a um acerto, não tem acordo, vamos ter que sair.

Valor: E o que significa sair?

Freitas: É vender [as refinarias] para a YPFB. Se ela não quiser pagar, vamos brigar.

Valor: Se deixar o controle das refinarias, o resultado da empresa na Bolívia perde equilíbrio?

Freitas: Não. O grande interesse da Petrobras na Bolívia é o gás que vai para o Brasil. Esse é um grande negócio para a Petrobras. A companhia foi um dos instrumentos de desenvolvimento do mercado de gás no Brasil. As pessoas compraram gás no Brasil porque viram, em grande medida, que a Petrobras estava por trás do negócio. E a Petrobras não pode e não vai, por política, deixar criar um ambiente de insegurança. São várias coisas que precisamos equilibrar.

Valor: Com a aprovação dos novos contratos a situação melhora?

Querem deslocar a Petrobras do GSA [acordo de fornecimento ao Brasil] para dar espaço para a Chaco e a Andina [estatizadas]."

Freitas: Os contratos devem ser protocolados até o início de maio e garantem uma rentabilidade adequada. A rentabilidade é menor do que tínhamos antes, mas, se considerarmos todo esse entorno, o negócio faz sentido. Se saírem as refinarias, será um elo da cadeia. Se piora esse negócio? É claro que piora. A única hipótese de eu sair de um negócio e o resto melhorar é se esse negócio fosse uma furada tremenda. E a gente não entrou nesse negócio porque era uma furada. As condições mudaram, ficou uma maluquice danada aqui, mas é um negócio que a gente sabe fazer, é o nosso negócio. De qualquer modo, não é o fim do mundo.

Valor: A companhia ainda discute a devolução da contribuição adicional de 32% sobre a produção?

Freitas: Claro. Para nós a contribuição adicional deveria ter sido encerrada dia 28 de outubro do ano passado, quando assinamos os novos contratos. O decreto dizia que se tinha 180 dias para assinar os contratos e nesse período iria vigorar uma contribuição adicional. Assinamos e hou-ve depois outro decreto estendendo a contribuição até a protocolação dos contratos. Já entramos com recurso administrativo e temos vários outros passos para seguir. Agora vamos buscar o ressarcimento na Justiça.

Valor: Quanto foi pago a mais?

Freitas: A Petrobras pagou US$ 99 milhões no período de maio a dezembro de 2006 por esse imposto adicional de 32%. No total, os campos de San Alberto e San Antonio pagaram mais de US$ 300 milhões em 2006, incluindo a participação de todos os sócios [Petrobras, Andina/Repsol e Total]. Ainda tem a parte paga este ano, que é de cerca de US$ 128 milhões. Entendemos que as contribuições pagas desde novembro não são devidas, e por isso estamos questionando pagamentos de US$ 192 milhões, sendo 35% disso da Petrobras.

Valor: Além das refinarias, qual o grande problema da Petrobras hoje na Bolívia?

Freitas: É uma resolução, de número 255, que estabelece que o mercado interno, hoje de 5 a 6 milhões de metros cúbicos por dia, será redistribuído entre as empresas. Ele desconhece os atuais contratos de compra e venda e pretende redistribuir as vendas segundo os níveis de produção. Quem produz mais vai vender mais para o mercado interno, e quem produz menos venderá menos. Ocorre que o preço para o mercado interno tem uma diferença significativa, está em torno de US$ 1 a 1,5 por milhão de BTU. Os mercados de exportação estão entre US$ 4 e US$ 4,5, chegando a US$ 5 em alguns casos.

Valor: Isso significa que a Petrobras perderia uma fatia do mercado de exportação para o Brasil?

Freitas: Pela 255 a Petrobras Bolívia tem que reduzir sua participação no contrato de suprimento para o Brasil, o GSA. Hoje, os campos de San Alberto e San Antonio, que são os maiores produtores da Bolívia fornecem para o mercado interno só 300 mil metros cúbicos por dia. E com essa penada passam a ter que fornecer 3 milhões de metros cúbicos. Já quem fornecia esses 2,7 milhões de metros cúbicos para o mercado local poderá exportar para a Argentina por US$ 5.

Valor: Existe então claramente uma possibilidade de perda de receita da Petrobras e os sócios?

Freitas: A resolução diz que aqueles que supriram nos últimos 10 anos o mercado interno vão ter uma parte da produção livre. Isso acontece no momento em que se abrem novos mercados de exportação para a Argentina e até de mercados para o Brasil. Mas o ponto ao qual quero chegar é que a Petrobras entrou na exploração na Bolívia porque houve um acordo de compra e venda de gás entre Brasil e Bolívia. Me lembro que na época se dizia que o gasoduto [Gasbol] ligaria um país sem reservas a um país sem mercado. Mas aí aconteceram as coisas. O gasoduto foi a saída. E uma das cláusulas do acordo diz que os campos da Petrobras que estivessem em produção teriam prioridade para fornecimento ao Brasil.

Valor: O contrato com o Brasil dá preferência ao gás da Petrobras?

Freitas: Sim. Mas havia uma prioridade anterior para as empresas que já atendiam o mercado argentino. Isso pareceu bastante razoável, pois já estavam produzindo aqui cerca de 6 milhões de metros cúbicos e, como o mercado argentino ia deixar de existir, elas teriam que parar. Os campos da Petrobras estavam em segundo lugar como prioridade para vender ao Brasil. Mas o risco maior que se demonstrou foi do mercado brasileiro. E como estávamos aqui para funcionar como uma espécie de hedge natural da situação, enquanto desenvolvíamos o mercado no Brasil, tínhamos prioridade para entrar no Gasbol. O mercado da Bolívia era tomado pelas herdeiras da YPFB, que são a Chaco e a Andina.

Valor: A opção pelo mercado boliviano foi uma decisão das empresas na época...

Freitas: Isso. Elas preferiram ficar com o mercado interno porque o gás para o Brasil tinha pouco volume enquanto o mercado interno era maior. Nessa época os preços eram iguais, pouco mais de US$ 1. Só que para o Brasil era um pouquinho. Tentamos algumas vezes, para sair do sufoco, abocanhar um pouco desse mercado, mas a Andina e a Chaco reagiram fortemente. A decisão de suprir o mercado interno ou externo foi tomado, na época, segundo a estratégia de cada empresa. Esse é o ponto que precisa ficar claro sobre nossa posição com relação à resolução 255. A Petrobras amargou, durante muito tempo, um mercado que patinava. Hoje, quando se vê o gasoduto transportando 26 milhões de m3/dia é o paraíso. Mas demoramos para chegar aqui.

Valor: Mas se há uma proteção legal, qual é o problema?

Freitas: Depois que assinamos os novos contratos, em outubro, veio a 255. O novo contrato tem uma cláusula, a 7.15 que fala de mercado interno. Lá diz que, se houver um aumento do mercado interno, em volumes adicionais, vai ter que comparecer. Isso é muito razoável. Mas se refere claramente a mercados adicionais.

Valor: Então essa resolução contraria os atuais contratos?

Freitas: A 255 é discriminatória, fere a cláusula de prioridade da Petrobras para o GSA. Querem deslocar a Petrobras do GSA para dar espaço para a Chaco e a Andina. E nosso ponto aqui é que o GSA é fundamental para a Petrobras.

 

Caderno: Agronegócios

 

UE 'resiste' à carne bovina do Brasil

Alda do Amaral Rocha

Os criadores de gado bovino da União Européia estão na defensiva diante da competitividade da produção no Brasil e vão explorar as fraquezas do país - principalmente no que diz respeito à sanidade - para tentar barrar o avanço da carne brasileira em seu mercado. A opinião é de Richard Brown, diretor da consultoria suíça Gira Euroconsulting, para quem haverá um "endurecimento" dos europeus se o Brasil não responder às exigências do bloco.

Brown, que participou ontem (dia 26) do Congresso Internacional da Carne, em São Paulo, se referia especialmente a questões como sanidade animal, rastreabilidade do gado, qualidade da carne, bem-estar animal e proteção ao meio ambiente. Sem rodeios, o especialista destacou a percepção ruim que a UE tem da carne brasileira: "A percepção é que a rastreabilidade é fraca, que a qualidade da carne é variável e que o atendimento ao cliente não é confiável", afirmou.

Ele também foi duro ao dizer que é "improvável" que o segmento de carne do Brasil altere esse quadro. "Não há compromisso de pecuaristas e frigoríficos porque é preciso grande esforço", disparou. Brown admitiu que a competitividade brasileira gera as reações protecionistas dos europeus e disse que o fato de o preço do boi na Europa ser o dobro do praticado na América do Sul "é a verdadeira ameaça". Enquanto no Brasil o preço está em US$ 1.800 por tonelada, na UE se aproxima de US$ 4 mil.

A competitividade brasileira assusta os europeus, mas eles dependem cada dia mais da carne bovina da América do Sul, especialmente do Brasil. Segundo Brown, estima-se que o consumo global de carne crescerá 8 milhões de toneladas de 2005 a 2015 - 1,2% ao ano -, para 70,1 milhões de toneladas. Com a queda na produção dos EUA e na UE e a estagnação na Austrália, a América do Sul deve atender grande parte dessa demanda. A projeção da Gira é que o Brasil exportará 3 milhões de toneladas em 2015.

"Até lá a UE vai desaparecer como competidor mundial em carne bovina", disse ele. A estimativa da consultoria é de que o bloco, que já exportou 1 milhão de toneladas com altos subsídios, terá de importar o mesmo volume até 2015.

Projeções da FAO apresentadas na conferência pelo presidente do comitê de Pecuária de Corte da CNA, Antenor Nogueira, indicam que as exportações mundiais alcançarão 10,3 milhões de toneladas em 2015, ante as atuais 8,2 milhões. Para o Brasil, a previsão é de 3 milhões de toneladas. Segundo Nogueira, se o país conseguir elevar a taxa de abate para 30% nos próximos anos, o excedente para exportação do país alcançaria 5,65 milhões de toneladas. Com a taxa de abate atual, de 22%, para um rebanho 205 milhões de cabeças, o excedente exportável é de 2,2 milhões de toneladas. Ele afirmou que se "o mundo der oportunidade, temos capacidade de suprir a demanda". Mas reconheceu que há desafios para ampliar as exportações, como a erradicação da aftosa, a abertura de novos mercados e a efetivação de acordos bilaterais.

O primeiro ponto, aliás, esteve presente em quase todas as discussões de ontem na Conferência Internacional da Carne. O presidente da Comissão Científica da Organização Internacional de Saúde Animal (OIE), Vincenzo Caporale, afirmou que, teoricamente, é possível erradicar a aftosa da América do Sul com a implantação de um programa de vigilância integrado entre os países.

Caporale preside a comissão que recomendou ao comitê internacional da OIE o reconhecimento do Estado de Santa Catarina como área livre de aftosa sem vacinação. Questionado se o status será confirmado, ele disse "há boa possibilidade" de isso acontecer já que o comitê costuma ratificar as recomendações da comissão científica.

Em sua apresentação, Caporale criticou o uso de questões de sanidade como barreiras não tarifárias, e disse que não basta aos países ter os melhores laboratórios. "Se eles não forem bem utilizados, [o país] não vai a lugar nenhum".

 

Cresce a fatia brasileira no mercado do Uruguai

De São Paulo

O Brasil já responde por 27% de participação nos frigoríficos do Uruguai considerando a origem do capital. Com o recente avanço de empresas como Marfrig e Bertin naquele país, o país só perde para o próprio Uruguai, com uma fatia de 49%. A Argentina vem a seguir, com 16%, enquanto os EUA têm 6%, de acordo com o presidente do Instituto Nacional de Carnes (Inac), Luís Alfredo Fratti.

Fratti, que participou do Congresso Internacional da Carne, disse que o aumento dos investimentos de frigoríficos brasileiros faz parte de um processo natural dentro do Mercosul. Ele avalia que os aportes brasileiros devem crescer. "É um movimento positivo porque também estimula os investimentos dos frigoríficos nacionais."

O Uruguai tem hoje uma fatia de 6% das exportações mundiais de carne, com 450 mil toneladas em 2006. "Somos mais um país complementar que um competidor", disse Fratti. O país vizinho tem atraído o interesse dos frigoríficos brasileiros principalmente porque tem autorização para exportar para os EUA e países do Oriente. Dentre 40 plantas de abate de gado bovino, 24 são habilitadas para exportar a mercados "mais exigentes".

No país, onde o consumo per capita de carne está na faixa dos 50 quilos, um dos maiores do mundo, a perspectiva é de um crescimento moderado da produção no médio prazo. "O consumo deve se recuperar após a crise de 2002", afirmou Fratti. Com isso, a previsão é de que as vendas externas fiquem entre 600 mil e 650 mil toneladas.

Já na Argentina, as exportações vêm recuando por conta das restrições impostas pelo governo Kirchner para garantir a demanda doméstica e segurar a inflação. Em 2006, elas somaram 570 mil toneladas e neste ano devem ficar em 500 mil, já que os embarques mensais estão limitados a 40 mil toneladas, segundo Marcelo Fielder, presidente da Sociedade Rural Argentina.

Segundo Fielder, após a crise de 2002 e 2003, o consumo na Argentina voltou a subir e ficou em 63 quilos no ano passado, o maior do mundo. "Em virtude do grande consumo doméstico, o governo decidiu restringir as exportações". Outro fator que segura o crescimento das exportações argentinas é que a própria produção se estabilizou em 3,1 milhões de toneladas de carne bovina por conta da perda de área da pecuária para a soja (de cerca de 8 milhões de hectares) nos últimos anos. Com o alto consumo interno (80% do total), o excedente exportável é de 500 mil a 600 mil toneladas. E esse quadro deve se manter nos próximos dois a três anos, já que houve grande abate de matrizes. (AAR)

 

Jornal "O Estado de S.Paulo"

 

Caderno: Economia & Negócios

 

Brasil e Chile selam aliança em biocombustíveis

Acordo assinado entre Lula e Bachelet prevê que chilenos terão acesso à tecnologia brasileira

Rolf Kuntz, SANTIAGO

Um ambicioso plano de cooperação energética foi estabelecido ontem pelos governos chileno e brasileiro, durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a esta capital. Os dois presidentes assinaram um memorando de entendimento sobre um plano de ação para pesquisa, desenvolvimento e produção de biocombustíveis.

A Petrobrás e a Enap, empresa chilena do setor de petróleo e gás, formalizaram acordo para participação conjunta em projetos relacionados a biocombustíveis, ao gás natural liquefeito e à exploração da Plataforma Pacífica, Os dois projetos de cooperação surgem num momento em que o Chile se defronta com a ameaça de escassez de energia para manter o crescimento econômico. De imediato, o principal risco é a redução do fornecimento de gás pela Argentina.

O programa de ação para o setor de etanol e biodiesel envolve três linhas de ação: 1) promover projetos binacionais de pesquisa e desenvolvimento de biocombustíveis; 2) promover missões empresariais para troca de experiências e identificação de oportunidades de negócios; 3) elaborar projetos de cooperação para os anos 2008 e 2009, com base nas informações produzidas pelas missões.

O memorando de entendimento entre Petrobrás e Enap é amplo, mas o esforço principal deve ser voltado, a curto prazo, para o abastecimento das centrais de processamento de gás liquefeito de petróleo em construção junto ao terminal marítimo de Quintero, ao norte de Santiago.

A formalização desses compromissos é parte de um amplo projeto brasileiro de promoção internacional do uso de biocombustíveis. Em várias cerimônias, ontem, Lula falou sobre os benefícios ambientais e sociais do uso do etanol e do biodiesel. Sua campanha envolve, também, a contestação das críticas ao programa de biocombustíveis como nocivo à produção de alimentos. A posição do Brasil foi reforçada, ontem, pela divulgação de um estudo da FAO, o organismo da ONU para a alimentação e a agricultura.

RISCO DE APAGÃO

O governo do Chile, a economia mais próspera e mais estável da América do Sul, está batalhando para evitar o risco de um apagão. Sua estratégia inclui a busca de novas fontes de energia, para reduzir, entre outros problemas, a dependência do gás importado da Argentina.

O uso do etanol e do biodiesel pode ser parte da solução. Isso explica a boa receptividade à posposta brasileira de cooperação para a produção e o suprimento de biocombustíveis. A visita do presidente Lula a Santiago dificilmente poderia ser mais oportuna.

O Chile importa mais de 70% de sua energia primária, fornecida pelo gás, pelo petróleo e pelo carvão. No caso do gás e do petróleo, a dependência da importação chega a 90%. O consumo de energia tem crescido em média 7% ao ano e as projeções de longo prazo indicam expansão anual de 5% a 6%. A Argentina, única exportadora de gás para o país, começou a cortar o fornecimento em 2004, por causa das necessidades internas.

O Chile chegou a comprar em média 18 milhões de metros cúbicos diários de gás na época de maior suprimento. Ultimamente o volume tem ficado em torno de 3 milhões de metros cúbicos. Parte da solução será importar gás liquefeito, provavelmente da África. O recurso ao gás boliviano, pelo menos por enquanto, está fora de consideração, segundo as fontes oficiais, mas já se falou da compra de produto peruano.

Ao mesmo tempo, o governo tenta garantir a oferta de eletricidade baseada no potencial hidráulico e noutras fontes de energia térmica. Uma grande licitação foi feita no ano passado - todo o setor elétrico é privado - e já se desenham planos para obras até 2018. Além disso, o governo tenta estimular o investimento em fontes não convencionais e menos prejudiciais ao ambiente. O biocombustível pode entrar nesse esquema.

A visita do presidente Lula ao Chile é parte da grande equação energética sul-americana. Essa equação está particularmente complicada neste momento. A Venezuela continua voltada aos mercados do norte, a começar pelos Estados Unidos. O outro grande produtor de gás, a Bolívia, é hoje um parceiro difícil e incerto. O governo argentino estimulou o aumento de consumo interno, subsidiando o gás, mas ao mesmo tempo desencorajou o investimento na produção, ao intervir na fixação de preços. Tudo isso ocorreu numa fase de aceleração do crescimento na Argentina. O corte do fornecimento ao Chile é conseqüência dessa política.

 

Mercosul pode ter moeda única em 4 anos, diz Lula

Marina Guimarães

Em dia de extensa agenda em Santiago, que será finalizada com o embarque para Buenos Aires, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi destaque nos principais jornais do Chile e da Argentina. Em entrevista aos três correspondentes argentinos e dois chilenos, concedida ainda no Palácio do Planalto, o presidente defendeu a moeda única para o Mercosul, assim como um Banco Central do bloco. "Trabalho com a idéia de que possamos construir nos próximos quatro anos uma moeda única no Mercosul. Devemos chegar a um Banco Central", destacou o chileno ‘El Mercurio’.

O economista Fábio Giambiagi, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), não acredita em proposta concreta para criação de uma moeda única do Mercosul. "Não me parece que isto esteja em pauta. Eu nem perderia muito tempo com elucubrações acerca disso", desconversou o pesquisador.

Para ele, a proposta deve estar mais restrita a operações comerciais, não a um modelo semelhante ao adotado na economia européia, com a instituição do euro como moeda única.

 

Lula nega confronto com Chávez

Após assinar oito acordos com o Chile, presidente afirma que aproximação com Bachelet não tem esse objetivo

Vera Rosa, SANTIAGO

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que a aproximação com a colega chilena Michelle Bachelet não significa um confronto com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Depois de assinar oito acordos com o governo chileno, como o que torna viável a cooperação entre a Petrobrás e a estatal chilena Enap para explorar gás natural liquefeito (GNL), Lula afirmou, no Palácio de La Moneda, ter uma relação "democrática e civilizada" com Chávez. Chegou mesmo a elogiá-lo.

"Quero fazer uma relação primorosa com o Chile, mas não para criar contrapeso contra quem quer que seja", disse Lula, ao responder a perguntas de jornalistas brasileiros e chilenos. Ao pregar a união de todos os países da América do Sul como forma de promover o desenvolvimento da região, Lula insistiu em que era preciso compreender a Venezuela antes e depois de Chávez.

"Eu não acredito na existência do chavismo", afirmou, numa tentativa de retirar o conteúdo ideológico da expressão. "Chávez tem tido relação democrática e civilizada com o Brasil e temos parcerias muito fortes", completou, lembrando os investimentos dos dois países. "O grande problema não é o Chávez, não é a Michelle, não é o Lula, não é o Nicanor, não é o Evo Morales", observou. "O problema é que nós temos de recuperar décadas e décadas em que o povo pobre foi submetido à fome, à falta de educação, e agora temos um exército enorme de jovens para quem precisamos dar oportunidades."

Lula não mencionou na entrevista o Banco do Sul - alvo de sua mais recente divergência com Chávez -, mas citou a idéia depois, no discurso de encerramento do Fórum Econômico da América Latina. Esforçava-se para mostrar que não há interesse em enfrentamento nem com Chávez nem com o presidente da Bolívia, Evo Morales.

GAFE

Ao lado de Bachelet, Lula disse ter certeza de que a integração da América Latina será construída, apesar dos contenciosos. "Vamos construir essa integração com Michelle, com Chávez, com Kirchner, com Rafael Correa, com Evo Morales, com Nicanor, com Alan Garcia", descreveu. Numa gafe, esqueceu de incluir o colega do Uruguai, Tabaré Vasquez, mas corrigiu em seguida.

Em tom de conciliação, o presidente afirmou ser preciso compreender que muitas vezes "um discurso, uma frase, um ato" é feito para o público interno e não deve criar problema no âmbito internacional. Bachelet acenou com a cabeça.

Na declaração conjunta dos dois presidentes após a assinatura dos acordos bilaterais - pouco antes de seguirem para o almoço -, a presidente chilena afirmou que a aliança na América do Sul deve ser sempre "renovada e estratégica".

FRASES

Luiz Inácio Lula da Silva - Presidente

"Quero fazer uma relação primorosa com o Chile, mas não para criar contrapeso contra quem quer que seja"

"O problema é que nós temos de recuperar décadas e décadas em que o povo pobre foi submetido à fome, à falta de educação, e agora temos um exército enorme de jovens para quem precisamos dar oportunidades"

 

Cresce a presença argentina nas importações

Participação de produtos argentinos nas compras do Brasil aumenta de 8,5% em 2005 para 8,8% em 2006

Ariel Palacios, BUENOS AIRES

A presença de produtos Made in Argentina no mercado brasileiro está crescendo gradualmente. Isso é o que indica um relatório da consultoria Abeceb, que afirma que, pela primeira vez desde 2000, esses produtos estão avançando sobre terreno de outros países que exportam para o Brasil.

Do total de importações brasileiras, as vendas argentinas passaram de 8,5% em 2005 para 8,8% em 2006. Segundo a Abeceb, "o tipo de câmbio no Brasil implicou uma desaceleração do ritmo de suas exportações e um aumento de suas importações, provocando uma oportunidade de inserção dos produtos argentinos".

Entre os produtos que mais tiveram destaque nas importações do Brasil está o mel natural de abelhas. O produto argentino representa 100% dessas compras. O mesmo fenômeno se repete nas vendas argentinas para o mercado brasileiro de produtos de hortaliças e tecidos para toalhas de mesa.

Segundo a Abeceb, "desde 1998 não se registrava uma taxa de crescimento das exportações (brasileiras) inferior às importações anuais". Essa tendência, afirma, continuará nos próximos meses. A consultoria sustenta que entre as importações do Brasil no primeiro trimestre de 2003 e 2007 percebe-se que 395 produtos argentinos tiveram aumento de participação.

Entre 1995 e 2003 a Argentina desfrutou de um confortável superávit comercial com o Brasil que lhe proporcionou US$ 10 bilhões. Mas, de 2003 a 2006, a balança comercial virou, acumulando para o Brasil um superávit de US$ 9,136 bilhões.

No entanto, em 2006 o crescimento do superávit brasileiro com a Argentina desacelerou e estabilizou-se. Nesse ano, o superávit registrado pelo Brasil com a Argentina foi de US$ 3,657 bilhões - redução de 0,5% em relação à marca de 2005 (de US$ 3,676 bilhões). No primeiro trimestre de 2007 o superávit comercial brasileiro com a Argentina foi de US$ 583 milhões - 32% menor que o do primeiro trimestre de 2006.

QUEDA NO SUPERÁVIT

O Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) anunciou que em março a Argentina teve superávit comercial geral de US$ 679 milhões. O resultado foi 26,2% menor que o registrado no mesmo mês de 2006 e ficou abaixo do esperado por analistas de comércio exterior.

Segundo o Indec, as exportações argentinas no mês passado foram de US$ 4,097 bilhões, com alta de 10% em relação a 2006. O aumento em volume foi de apenas 2%. Os melhores desempenhos foram registrados nas vendas de cereais, material de transporte terrestre, gorduras e óleos vegetais.

No mesmo período, as importações argentinas cresceram 26%. Com destaque para a compra de soja, adubos minerais, produtos planos de ferro e tubos para oleodutos. No primeiro trimestre, o superávit comercial teve queda de 28,4% em relação ao mesmo período de 2006.

Especialistas dizem que o crescimento das importações é normal em uma economia em expansão como a da Argentina - o PIB argentino cresceu em média 9% ao ano desde 2003. Mas também ressaltam que as exportações crescem mais por preço (aproveitando o desvalorizado peso) do que por volumes.

O Ministério da Economia descarta sinais negativos sobre o desempenho comercial dos produtos argentinos e mostra-se otimista. O governo destaca que nos últimos 12 meses as vendas para o exterior chegam a US$ 47,69 bilhões, um recorde que supera em 14,2% os 12 meses prévios.

 

Jornais dos Países Membros do Mercosul

 

Argentina "La Nación"

 

Sección: Política

 

Entre el etanol y la UE, la agenda Kirchner-Lula

Los presidentes se reunirán hoy, en la quinta de Olivos

Itamaraty se preocupó por aclararlo oportunamente: la visita de Luiz Inacio Lula da Silva a Buenos Aires, que comienza formalmente hoy, tiene agenda abierta, para dialogar de todos los temas con Néstor Kirchner y exhibir al mundo el buen momento que atraviesa la relación.

Pero en esa agenda abierta sobresalen dos asuntos centrales. Lula traerá el planteo de la necesidad de potenciar el desarrollo de las fuentes alternativas de energía, y Kirchner pondrá sobre la mesa de conversaciones una cuestión de fuerte contenido político: la posibilidad de comenzar a discutir un entendimiento comercial entre el Mercosur y la Unión Europea (UE) luego de que el bloque regional rechazara en forma unánime su adhesión al ALCA y cuando aún faltan definiciones de la Ronda de Doha.

Según confiaron a LA NACION altas fuentes diplomáticas, la iniciativa, aún en etapa de análisis, es promovida por Kirchner, en sintonía con el gobierno de España. La administración que comanda José Luis Rodríguez Zapatero hizo llegar al Presidente su inquietud para avanzar en ese sentido. En principio, en el Gobierno le han dado un guiño positivo a esta propuesta, que aún se encuentra en estado germinal. De hecho, la Cancillería elaboró un informe en el que se pondera el escenario para una eventual integración comercial con Europa.

La Argentina tendría por delante la misión de consultar al interior del Mercosur sobre la viabilidad de ese acuerdo. El Presidente recibirá a mediados de mayo la visita de la canciller española, Trinidad Giménez, que vendrá al país con el objetivo primordial de promover esta alianza.

Vínculo con Washington

Brasil es uno de los países más reacios a esta posibilidad: las negociaciones para alcanzar un acuerdo en ese sentido fracasaron primordialmente por el rechazo de ese país en 2004.

Además, la administración de Lula da Silva mantiene por estos días un vínculo privilegiado con los Estados Unidos, país que no vería con buenos ojos un avance en ese sentido. El significado político de un eventual acuerdo de este tipo no sería menor, sobre todo cuando se tiene en cuenta que el Mercosur en pleno rechazó en la Cumbre de las Américas, que se realizó en Mar del Plata en 2005, un acuerdo de similares características con el ALCA. Aquel fue todo un desaire para el presidente George W. Bush, que se retiró de la región con más pesares que satisfacciones.

Da Silva llegó anoche al país, proveniente de Chile. Hoy por la mañana se verá con Kirchner en la residencia de Olivos y almorzarán juntos.

En la agenda de temas que tratarán allí sobresalen también la cuestión energética y la creación del mentado Banco del Sur.

Ambos asuntos fueron abordados en la cumbre de presidentes de Venezuela, una semana atrás.

El etanol, combustible que Lula quiere impulsar tras un acuerdo con Bush, es resistido en público y en privado por Chávez.

Respecto del Banco del Sur, Brasil dio señales de que no adheriría al proyecto, ideado por Kirchner y por el mandatario bolivariano.

Lucas Colonna

 

Otro fuerte gesto hacia México

El Presidente dijo que le gustaría sumarlo al Mercosur

El presidente Néstor Kirchner envió ayer otro claro gesto de acercamiento al gobierno de México, al que invitó a sumarse al Mercosur.

Lo hizo en medio de un discurso en el que destacó los contactos que mantuvo en México esta semana la primera dama, Cristina Kirchner.

Según el Presidente, la Argentina "recibirá con los brazos abiertos" a México si quisiera "acercarse" al Mercosur. Para el Gobierno, aliarse con México es una forma de matizar el liderazgo regional de Brasil. Lo curioso es que la invitación pública de Kirchner llegó horas antes de recibir en la Casa Rosada al líder brasileño Luiz Inacio Lula da Silva.

"Hubo una profundización de las relaciones con México en aspectos muy importantes", dijo Kirchner. Se refirió con esto a la gira de su esposa, que incluyó una reunión con el presidente Felipe Calderón.

El viaje "descongeló" una relación complicada desde 2005, tras un enfrentamiento público entre Kirchner y el entonces presidente Vicente Fox, durante la Cumbre de Mar del Plata.

 

Roces con Brasil por la apertura industrial

La Argentina y Brasil se enfrentan otra vez.

Ahora discuten porque el socio mayor del Mercosur se muestra más proclive a la liberalización mundial del mercado industrial con tal de que se logre este año un acuerdo en la llamada Ronda de Doha de la Organización Mundial de Comercio (OMC), negociaciones en las que argentinos y brasileños están unidos en la pelea contra los subsidios y aranceles agrícolas de los países desarrollados.

Una mayor apertura de la industria a la importación es la moneda de cambio que las naciones en desarrollo deberían pagar a cambio de que Estados Unidos, la Unión Europea (UE) y Japón redujeran el proteccionismo que ejercen sobre el agro.

Anteayer, cuando faltaba un día para la visita del presidente brasileño, Luiz Inacio Lula da Silva, a Buenos Aires, el secretario de Relaciones Económicas Internacionales, Alfredo Chiaradia, ofreció una rueda de prensa sobre las negociaciones de la Ronda de Doha -que lleva este nombre por la ciudad de Qatar donde comenzó en 2001- y se le preguntó por las diferencias con el país vecino.

El funcionario afirmó que "en teoría" las posiciones de la Argentina y Brasil son "iguales", pero admitió que "puede ser que un país esté más preparado para ofrecer más y pedir menos; esto pasa cuando alguien quiere mucho algo".

Más allá de la prudencia diplomática de Chiaradia, dos altas fuentes del gobierno argentino reconocieron "profundas diferencias" con Brasil, un país con una estructura industrial más robusta que la argentina. El canciller brasileño, Celso Amorim, dijo varias veces que aceptaría podar los aranceles manufactureros a la mitad.

Al gobierno argentino nunca le ha gustado esa oferta. Por un lado, considera que antes que hablar de industria, los países desarrollados deben mejorar su propuesta de apertura agrícola. Por otro, no son proclives a pagar un alto precio en manufacturas. Los sectores textil, del calzado, la indumentaria, las herramientas, los automotores, los juguetes y la marroquinería -los más protegidos en la Argentina- son los que sufrirían mayores recortes de aranceles.

La Argentina y Brasil integran un grupo de 11 países en desarrollo que exigen que su liberalización industrial sea mucho menor que la de las naciones desarrolladas. Pero dado el actual estado de las negociaciones agrícolas, en el grupo de los 11 Brasil se muestra más liberal y la Argentina, más proteccionista.

En la administración Kirchner consideran que Amorim "está negociando políticamente, más que comercialmente, para que Brasil gane peso en la política internacional".

"Algunos sectores brasileños están dispuestos a la apertura industrial porque prevén ganar mercados de país en vías de desarrollo", observa el jefe del Departamento de Comercio de la Unión Industrial Argentina (UIA), Roberto Pons. No obstante, Pons advierte que la Confederación Nacional de la Industria (CNI) brasileña piensa parecido a la UIA.

Alejandro Rebossio

 

Sección: Economía

 

Lula y Bachelet ofrecieron reglas claras a las empresas

Pidieron a los ejecutivos que colaboraran con mayor justicia

SANTIAGO, Chile.- Los presidentes de Brasil y Chile, Luiz Inacio Lula da Silva y Michelle Bachelet, respectivamente, hicieron un llamado a los empresarios participantes en el Foro Económico Mundial para América Latina a colaborar con una mayor justicia, a la vez que les ofrecieron reglas claras para sus inversiones.

"Esperamos contar con el aporte de los empresarios para una mayor justicia y oportunidades de nuestros pueblos", dijo Lula, en una parte improvisada de su discurso ante los 400 asistentes al foro reunido durante dos días en Santiago.

Ambos mandatarios coincidieron también en llamar a la integración entre los pueblos latinoamericanos. Por su parte, la mandataria socialista chilena dijo que espera que, como resultado del foro, se atraiga hacia América latina el interés para un trabajo conjunto entre todos y la región.

Bachelet agregó: "Queremos hacer muchas más cosas. Sabemos que podemos; así que tengan confianza". En esa mezcla de reivindicación de los problemas sociales con los llamados y garantías a los empresarios, manifestó que "el tema de la exclusión hay que abordarlo con la mayor energía ya".

Lula sostuvo que deseaba desafiar a los empresarios para crear nichos y oportunidades para la inversión. "Es importante que ustedes consideren la integración de América del Sur", les dijo a los empresarios.

El mandatario brasileño realizó una intensa jornada durante su breve visita a Chile, en la que firmó nueve convenios de cooperación, entre ellos el que proporciona la ayuda brasileña para el desarrollo en Chile de los biocombustibles. Se refirió también a los equilibrios macroeconómicos, que suelen ser una de las exigencias de los inversores.

Dijo que la estabilidad económica no es una exigencia sólo del Fondo Monetario Internacional (FMI), del Banco Mundial o del Banco Interamericano de Desarrollo (BID). "Es una exigencia del pueblo de cada país", afirmó. Bachelet también coincidió en la estabilidad y planteó en algunos aspectos que hay que trabajar en la región: "Dar confianza a los inversionistas y más estabilidad para el flujo de inversiones". La presidenta socialista chilena se reconoció pragmática y sostuvo que cree "en los modelos que funcionan".

Ambos confluyeron también en la importancia de una mejor educación. Bachelet y Lula, sin conocer los resultados de una encuesta entre los empresarios que ubicó ese aspecto como la mayor prioridad, destacaron como tareas esenciales de sus gobiernos acrecentar y mejorar la educación.

"Vamos a continuar un programa para que se haga posible crear condiciones de transformar América del Sur -Brasil y, ciertamente, Chile- en exportadores de conocimientos y en exportadores de inteligencia", expresó el mandatario brasileño, que agregó que se desea exportar valor agregado. Lula señaló que América latina es una de las pocas regiones autosuficientes en energía y sostuvo que la integración que propicia debe ser en todos los terrenos y que hay que abogar por la creación de una universidad latinoamericana.

Respuesta argentina

Asimismo, el secretario de Finanzas argentino, Sergio Chodos, recordó el informe del Foro publicado ayer, en el que se señala a la Argentina como uno de los peores países de la región para invertir. "Es importante que el Foro haga honor a su promesa de ser una ONG independiente. En ese sentido, es fundamental que tenga más rigor en sus papers para que no tengan sesgos tan importantes que afecten la validez y credibilidad de lo que se reporta. En caso contrario, la impresión es que la institución funciona al final como herramienta de lobby de ciertas instancias de poder y grupos de presión. Si este elemento pro lobby de determinados intereses le gana la partida a la «independencia», entonces el Foro comenzará a perder credibilidad."

Federico Quilodrán

 

Paraguay "ABC"

 

Sección: Economía

 

Lugo urgió la revisión de tratados y advirtió que traban la integración

El presidenciable Fernando Lugo dijo ayer que nunca podrá existir una verdadera integración regional mientras sigan en las mismas condiciones los términos de los tratados firmados por nuestro país, Brasil y Argentina, en el marco de los emprendimientos hidroeléctricos de Itaipú y Yacyretá. Urgió la reformulación de dichos acuerdos en su intervención frente a la sede capitalina de la Itaipú binacional, donde se congregaron referentes gremiales y sociales.

Fue en el curso de la movilización de repudio realizada ayer para recordar los 34 años de la firma del Tratado de Itaipú y en el marco de la campaña por la recuperación de la soberanía paraguaya en las hidroeléctricas.

En la oportunidad, representantes de las entidades organizadoras, previo acto frente a la oficina central de la Itaipú, donde hablaron Fernando Lugo y otros dirigentes sindicales, marcharon hasta la ANDE para entregar una nota a su titular, Ing. Martín González y dirigirse luego hacia las embajadas de Argentina y Brasil, donde hicieron lo mismo.

Los documentos depositados en las aludidas representaciones diplomáticas manifiestan de forma coincidente la preocupación por los inequitativos términos de los tratados que obligan al Paraguay a entregar todo el excedente de lo producido por las centrales hidroeléctricas de Yacyretá e Itaipú, al costo, sin otra retribución más que una compensación que carece de toda relación con los precios del mercado eléctrico.

Las notas de referencia, que llevan la firma de Fernando Lugo, coordinador general de la campaña, y del Ing. Ricardo Canese, como coordinador técnico, refieren además la inquietud que existe por otros aspectos que hacen a la deuda, tasa de interés, a la paridad y transparencia en el manejo de los citados emprendimientos, así como la terminación de los mismos y sobre sus impactos en el aspecto social y ambiental. Dan cuenta igualmente de la campaña de recolección de firmas por la iniciativa y que, según manifiestan, ya tiene a la fecha más de 100.000 adherentes, cuyos resultados serán elevados al Parlamento y el Poder Ejecutivo en el curso de los próximos días.

El documento depositado en la mesa de entrada de la compañía estatal de electricidad, por su lado, se ocupa del alto costo actual de la energía eléctrica para la población de menores ingresos.

"La actual tarifa social no cubre las necesidades mínimas de una familia, por la cual debe ser ampliada, de tal forma que el acceso a la abundante energía que dispone nuestro país sea un derecho humano efectivamente en vigencia", sostiene.

"Parte de los recursos que en justicia le corresponden al Paraguay por la exportación de los excedentes hidroeléctricos, como propugna nuestra campaña, debería destinarse a volver más accesible el servicio eléctrico para toda la familia paraguaya", añade el texto de la nota entregada a la ANDE.

En su intervención, el presidenciable Fernando Lugo, que encabeza la coordinación de la campaña por la soberanía energética, subrayó que no se podría hablar de una integración regional plena en el marco del Mercado Común del Sur (Mercosur) cuando continúan vigentes los desventajosos términos de los tratados de Yacyretá e Itaipú, haciendo alusión a los privilegios otorgados a los países socios en ambos emprendimientos y en detrimento de los intereses paraguayos.

A su turno, Ramón Vera, del Sindicato de Trabajadores de la ANDE (SITRANDE), al dirigirse a los adherentes a la movilización, señaló que el enorme complejo que sirve de sede de la ANDE tiene en su interior a uno de los responsables de la entrega, el titular del ente de electricidad, y expuso el dolor de los empleados de la compañía en las ocasiones en que deben encargarse en interrumpir el servicio de la electricidad a las modestas viviendas paraguayas, por atrasos en los pagos por una energía cara y por estar subsidiando el crecimiento de los países socios, es decir el Brasil y la Argentina.

Héctor Fleitas, del gremio de trabajadores de la petrolera estatal Petropar, se expresó en idénticos términos y reclamó de parte de los representantes paraguayos en esas entidades mayor responsabilidad y la obligación de asumir un rol de verdaderos defensores de los intereses nacionales.

 

Sección: Internacionales

 

Mercosur espera a México con los brazos abiertos

BUENOS AIRES. (AFP). El presidente argentino Néstor Kirchner dijo ayer que, si México quiere integrarse al Mercosur, será recibido con los brazos abiertos, durante un discurso en la Casa Rosada (sede del Gobierno).

"Si la nación mexicana quiere acercarse al Mercosur, (la esperamos) con los brazos abiertos", afirmó el mandatario argentino en un acto en el que se firmó un convenio para la capacitación de trabajadores de la construcción.

Kirchner destacó que la inclusión de México en el Mercosur generaría "un bloque fuerte con un gran producto (interno bruto) y con una gran posibilidad de negociación con otros bloques del mundo".

El Mercosur está integrado por Argentina, Brasil, Paraguay, Uruguay y Venezuela, como socios plenos.

El mandatario calificó como "brillante" el viaje a México de su esposa, la senadora Cristina Fernández de Kirchner, quien cerró su visita el miércoles con una reunión con el presidente Felipe Calderón.

En ese encuentro, ambos se comprometieron a acelerar negociaciones para un acuerdo de asociación estratégica entre ambos países.

Según Kirchner, el viaje de la primera dama y presidenciable argentina a México "restablece y profundiza las relaciones bilaterales", deterioradas durante el gobierno del ex presidente mexicano Vicente Fox, un fuerte impulsor del Area de Libre Comercio de las Américas (ALCA).

El Presidente argentino recordó las "fricciones con el ex presidente" mexicano, a quien no nombró en su discurso, por sus posiciones divergentes en temas de integración latinoamericana.

"La construcción de la relación bilateral (con México) nos permite incrementar el comercio, lo cultural, la identidad común", dijo el presidente Kirchner. Destacó además la importancia del "proceso de integración de México hacia los países de América del Sur".

LULA DA SU APOYO A CANDIDATURA DE KIRCHNER

BUENOS AIRES. (AFP). El presidente de Brasil Luiz Inacio Lula da Silva dio su apoyo a la candidatura presidencial de su par argentino Néstor Kirchner para las elecciones de octubre próximo, en declaraciones publicadas por tres diarios de Buenos Aires.

Lula dijo: "La continuidad (de Kirchner) es extremadamente importante para la integración regional", al ser consultado sobre su posición ante las elecciones que tendrán lugar en el país sudamericano el 28 de octubre y en las que Kirchner no ha decididoo aún si será candidato.

 

Gobierno chileno confirma su interés por los biocombustibles como energía alternativa

SANTIAGO. (AFP). La presidenta chilena Michelle Bachelet y su par brasileño Luiz Inacio Lula da Silva se reunieron ayer en Santiago para firmar nueve acuerdos de cooperación entre ambos países, en los que Chile ha confirmado su interés en los biocombustibles como alternativa energética.

Lula, de visita oficial en Chile, sostuvo que Brasil fomentará el uso del etanol, apoyado en la vasta experiencia de su país con ese carburante, con el fin de apoyar a los gobiernos en el tema energético.

"En materia de biocombustibles vamos a cooperar para brindar seguridad energética y contribuir con la protección al medio ambiente", dijo el Presidente de Brasil tras la cita con Bachelet en el palacio presidencial de La Moneda.

"En América del Sur, los problemas energéticos debemos resolverlos en conjunto utilizando todo el potencial para el sustento entre nosotros", agregó Lula.

Por su parte, Bachelet coincidió en la importancia de buscar alternativas energéticas para Chile, tomando en cuenta su dependencia de Argentina como único proveedor de gas natural.

"No queremos depender de un solo proveedor, no queremos depender de una sola fuente y por eso queremos trabajar con los biocombustibles, para lo cual estamos haciendo todos los estudios para determinar si es o no una opción viable para Chile", dijo Bachelet.

El convenio energético firmado por ambos presidentes establece un programa de acción en materia de biocombustibles cuyo objetivo central será promover la cooperación y el intercambio técnico en esta área, con la participación de especialistas gubernamentales de ambos países o de representantes de sectores privados y académicos.

El acuerdo también incluye iniciativas para diversificar y promover el desarrollo de proyectos binacionales de investigación y desarrollo de la energía, los que podrán ser aplicados entre 2008 y 2009.

 

Venezuela "El Universal"

 

Sección: Nacional y Política

 

Lula dice que Chávez es un "aliado excepcional"

El presidente de Brasil, Luiz Inácio "Lula" da Silva, negó tener alguna diferencia con su homólogo venezolano, Hugo Chávez, y su intención de liderar a los países de América del Sur, asegurando además que "ha sido un aliado excepcional en lo político y en lo comercial".

"Es un socio. No tenemos ningún problema con Venezuela; Argentina y Chile tampoco los tienen", señaló Lula en relación con los dos países que visita estos días.

"Le dije a Chávez el otro día que es como si en una carrera de Fórmula 1 su coche fuera a 300 kilómetros por hora, mientras que nosotros vamos a 280 o 290", explicó el presidente de Brasil, citó Efe.

El mandatario también se refirió a su intención de desarrollar los biocombustibles en la región, un tema que trató en dos recientes entrevistas con su homólogo estadounidense, George W. Bush. "Nadie conversa hoy conmigo si no es sobre el biodiesel. La gente puede no estar interesada en hablar del biodiesel, pero debe tener la seguridad de que yo voy a hablar de él", indicó.

Por otro lado, Lula consideró que su homólogo argentino, Néstor Kirchner, ha hecho "un buen gobierno", y agregó que las relaciones de su país con Argentina y Chile nunca han sido tan provechosas como en la actualidad.

"Lula" ofreció la entrevista a medios argentinos y chilenos en su despacho antes de iniciar viaje a Buenos Aires, previo paso por Chile, donde se reunirá con la presidenta Michelle Bachelet. Hoy viernes almorzará con Kirchner en una cita de carácter "político" en la que uno de los temas de conversación será el desarrollo del biodiesel en la región.

 

Sección: Economía

 

Brasil y Chile avanzan en materia de biocombustibles

Santiago.- La presidenta chilena Michelle Bachelet y su par brasileño Luiz Inácio Lula da Silva acordaron el estudio de los biocombustibles como alternativa energética en el marco de los nueve acuerdos de cooperación firmados por ambos mandatarios en Santiago.

Lula, de visita oficial en Chile, sostuvo que Brasil fomentará el uso del etanol, apoyado en la vasta experiencia de su país con ese carburante, con el fin de apoyar a otros gobiernos en materia energética.

"En materia de biocombustibles vamos a cooperar para brindar seguridad energética y contribuir con la protección al medio ambiente", dijo el presidente de Brasil tras la cita con Bachelet.

"En América del Sur los problemas energéticos debemos resolverlos en conjunto utilizando todo el potencial para el sustento entre nosotros", agregó.

Por su parte, Bachelet coincidió en la importancia de buscar alternativas energéticas para Chile, tomando en cuenta su dependencia de Argentina como único proveedor de gas natural.

"No queremos depender de un solo proveedor, no queremos depender de una sola fuente y por eso queremos trabajar los biocombustibles, para lo cual estamos haciendo todos los estudios para determinar si es o no una opción viable para Chile", dijo la mandataria, según AFP.

Ambos mandatarios son parte de los invitados del Foro Económico Mundial que tiene lugar en Chile, donde la Organización para la Cooperación y el Desarrollo Económico planteó la necesidad de que los países de la región aumenten su inversión en infraestructura, para aprovechar mejor sus exportaciones de materias primas.

Además, los empresarios participantes coincidieron en la necesidad de que en los países de la región se dé solidez y seguridad a la propiedad privada.

 

CAN señala que Chávez piensa regresar al bloque

Bogotá.- El secretario de la Comunidad Andina de Naciones (CAN), Freddy Ehlers, aseguró que el presidente de Venezuela, Hugo Chávez, estudia la posibilidad de reintegrar a ese país al grupo subregional del que se retiró en abril pasado.

"Aspiramos al regreso de Venezuela. He conversado con Chávez y está pensando su regreso a la CAN, y todos los presidentes del organismo saludan con agrado esa posibilidad", señaló Ehlers, según AFP.

Ehlers ha señalado su interés en que la CAN, que integran además Chile, Bolivia y Perú, inicie un camino de convergencia con el Mercosur, con miras a la formación de una Unión de Naciones Suramericanas propuesta por Chávez en la reciente cumbre energética regional en la isla de Margarita (Venezuela).

Venezuela se retiró el año pasado de la CAN.