24.04.2009

Jornal Folha de S. Paulo

Caderno: Mundo

Hemisfério: Lula e Cristina negam disputa por Obama

Os governos do Brasil e da Argentina descartaram ontem uma disputa pela preferência do presidente dos EUA, Barack Obama. "Não quero repetir o que aconteceu no começo da década de 90, quando Argentina e Brasil disputavam quem era mais amigo do [ex-presidente dos EUA] Bill Clinton", afirmou o presidente Lula, em entrevista na Casa Rosada ao lado da presidente Cristina Kirchner, com quem teve reunião de trabalho.

Questionado sobre gestões que o Brasil fez a favor da Argentina na última Cúpula das Américas, Lula se esquivou: "Jamais daria palpite na relação entre Argentina e EUA". O assessor presidencial Marco Aurélio Garcia e o ministro da Defesa, Nelson Jobim, recomendaram na cúpula a um assessor de Obama que os EUA tratassem bem a Argentina.

Cristina afirmou que as relações da Argentina com os EUA "são as que temos com qualquer outro país". Os dois presidentes destacaram a possibilidade de uma nova relação entre EUA e América Latina. Lula saudou a dissipação do "clima de guerra" anterior à cúpula.

 

Jornal Folha de S. Paulo

Caderno: Mundo

Governo "blinda" Lugo em escândalo de paternidade

Auxiliares negam juízo político do líder paraguaio

O primeiro escalão do governo paraguaio apressou-se ontem a estancar a crise gerada pela série de alegações de paternidade envolvendo o presidente Fernando Lugo. Ministros e o vice-presidente, Federico Franco, negaram eventual julgamento político do caso e a criação de uma "associação" para tratar das reivindicações.

Anteontem veio a público o terceiro caso em duas semanas de pedido de reconhecimento de filiação pelo ex-bispo Lugo. O presidente admitiu ser pai só da primeira criança, Guillermo Carrillo, 2 anos. Nos três casos, a concepção ocorreu antes de Lugo obter a "perda do estado clerical" do Vaticano, em julho de 2008.

As ministras da Mulher, Gloria Rubín, e da Criança, Liz Torres, negaram a criação da "associação" para tratar das alegações de paternidade anunciada por Damiana Morán, que diz ter um filho de Lugo hoje com 16 meses. Segundo Morán, ao menos outras três mulheres poderão aparecer.

 

Jornal Gazeta Mercantil

Caderno: Brasil

Lula e Kirchner aparam arestas comerciais

Os presidentes do Brasil e da Argentina se reuniram ontem para aparar arestas do comércio bilateral, resultantes de medidas consideradas protecionistas em ambos os lados da fronteira e que provocaram conflitos entre industriais. Em reunião em Buenos Aires, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua colega Cristina Kirchner descartaram rumores sobre uma suposta iniciativa de Brasília para aproximar a Argentina dos Estados Unidos.

Ambos afirmaram que a crise internacional levou os dois países a modificarem algumas políticas. "Vivemos realidades que não foram geradas por nós. Cada vez que tivermos problemas faremos reuniões e encontraremos soluções", disse Lula. "Teremos que entender que nossa integração tem de ser mais produtiva, com muito menos desconfiança e com muito mais investimentos dos dois países."

O encontro é parte de um cronograma de reuniões bilaterais semestrais onde os dois principais sócios do Mercosul (os outros são Uruguai e Paraguai) discutem sua agenda bilateral. "A crise internacional obriga todos os países a disporem de medidas que têm a ver não com a proteção ou o protecionismo como uma deformação do intercâmbio comercial, e sim para dar uma resposta concreta às suas sociedades", disse Cristina. "A ideia é aprofundar a integração por convicção e também por necessidade diante da situação de crise que vive o mundo", acrescentou ela.

 

Jornal Correio Braziliense

Caderno: Mundo

Lula reforça a defesa de Lugo

Presidente brasileiro não vê "problema institucional ou político grave" na conduta do colega, suspeito de ter filhos com três mulheres. Analistas acusam o bispo licenciado de mudar o gabinete para desviar as atenções

Viviane Vaz

Reunidos em Buenos Aires, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e a colega argentina Cristina Kirchner tentaram diminuir a importância política das três demandas de paternidade do presidente paraguaio, Fernando Lugo. "É muito difícil falar da vida pessoal de outro presidente, mas não acho que haja um problema institucional ou político grave", afirmou Lula. "Parece-me impróprio opinar sobre a vida de outro presidente. São coisas que pintam nos meios de comunicação, mas o importante é nos dedicarmos aos temas", disse Cristina.

Nos últimos dias, Lugo ocupou os noticiários paraguaios e virou motivo de piada depois que três mulheres procuraram a imprensa alegando terem dado à luz filhos do bispo licenciado da Igreja Católica, da região de San Pedro. "Considero que não é causa para impeachment, já que se trata de uma questão muito pessoal", defendeu também o ministro do Interior, Rafael Filizolla.

Para um jornalista de temas políticos do jornal ABC Color, o caso ainda não tem repercussão suficiente para derrubar Lugo do cargo. "Afeta a imagem e tomada de decisões. Lugo já não entra em contato direto com a imprensa. Está cauteloso e chegou a suspender uma viagem a Washington e parece desconcentrado de sua atividade governamental", avaliou.

 

Jornal Valor Econômico

Caderno: Brasil

Brasil e Argentina vão elevar linha de crédito do CCR para US$ 1,5 bi

Janes Rocha

Os bancos centrais do Brasil e da Argentina vão ampliar de US$ 120 milhões para US$ 1,5 bilhão o limite de operações de comércio exterior garantidas pelo Convênio de Crédito Recíproco (CCR) entre os dois países. Decidiram também expandir o Sistema de Pagamentos em Moeda Local (SML) para outras operações como o pagamento na compra e venda de energia elétrica e de benefícios previdenciários.

O acordo para ampliação do CCR foi decidido pelos presidentes dos bancos centrais, Henrique Meirelles e Martin Redrado, em reunião paralela ao encontro ontem entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Cristina Kirchner, na sede da Casa Rosada. O convênio é um instrumento de compensação de moedas entre os países da Associação Latino Americana de Integração (Aladi). É uma garantia dos bancos centrais (e em última instância, dos tesouros nacionais) aos exportadores, de que vão receber o pagamento pela venda de seus produtos negociados na região. A Aladi compreende 12 países, mas este acordo é restrito a Brasil e Argentina, segundo explicou uma fonte do Banco Central argentino. Já o SML, lançado em outubro de 2008, foi desenvolvido para eliminar o dólar nas transações comerciais entre os dois países. De acordo com a Declaração Conjunta da visita presidencial a Buenos Aires, divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores, os bancos centrais e as instituições de previdência social (Anses e INSS) deverão encontrar um acordo bilateral em quatro meses para permitir que beneficiários residentes nos dois países possam receber pensões e aposentadorias em pesos ou reais.