20.03.2009
Jornal Folha de S. Paulo
Caderno: Dinheiro
Brasil poderá importar trigo de fora do Mercosul, diz governo
Mais uma vez, a indústria brasileira terá de recorrer a países de fora do Mercosul para evitar desabastecimento de trigo, sinalizou ontem o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Ivan Ramalho. Segundo ele, o assunto é examinado pela Camex (Câmara de Comércio Exterior), depois que a Argentina -principal fornecedor do Brasil- relatou problemas com a estiagem, que podem levar à quebra de safra.
A menção ao problema com o trigo ocorreu na véspera do encontro entre Lula e Cristina Kirchner, hoje, em São Paulo. Recentemente, a Argentina adotou medidas protecionistas contra o Brasil, o que gerou forte reação do empresariado.
Ontem, Ramalho confirmou que, no dia 25, empresários brasileiros e argentinos dos setores calçadista, têxtil e confecções, motocicletas, autopeças, móveis, trigo (e farinha de trigo) e vinho se reunião em Buenos Aires para discutirem alternativas aos problemas comerciais.
Jornal Gazeta Mercantil
Caderno: Brasil
Bolívia afirma que Brasil não cumpre acordo sobre gás
O governo da Bolívia disse que o Brasil reduziu em um terço a demanda pelo gás natural boliviano, o que, além de descumprir o contrato estabelecido entre as duas nações, obrigou o país a reduzir a produção.
"Nos últimos meses houve uma redução na produção de gás natural fundamentalmente porque o Brasil está nominando diariamente uma quantidade menor do que no ano passado", disse o presidente interino da estatal boliviana YPFB, Carlos Villegas. Segundo ele, o Brasil compra atualmente 20 milhões de metros cúbicos de gás natural diários -4 milhões menos do que foi acordado. Villegas afirmou uma reunião deve ser feita nas próximas semanas para "definir com clareza o comportamento da demanda daqui para a frente".
No início do ano, o Brasil reduziu de 31 milhões de metros cúbicos diários para 19 milhões de metros cúbicos o volume de gás que importa da Bolívia, devido ao menor consumo local. Entretanto, após interferência dos dois governos, a Petrobras fechou acordo com a YPFB para importar 24 milhões de metros cúbicos de gás natural.
Jornal Gazeta Mercantil
Caderno: Brasil
Brasileiros e argentinos discutem restrições
Na próxima quarta-feira (25), representantes de sete setores industriais do Brasil e da Argentina reúnem-se em Buenos Aires, na tentativa de buscar soluções para a regularização do fluxo comercial entre os dois países. Os governos brasileiro e argentino acompanharão as negociações. Do lado brasileiro, a expectativa é chegar a entendimentos que permitam a imediata aceleração das licenças para entrada de produtos nacionais no país vizinho, que hoje chegam a demorar mais de dois meses.
A primeira rodada de negociações reunirá fabricantes de calçados, têxteis e confecções, motocicletas, autopeças, móveis, trigo e vinho. Os cinco primeiros são demandas da indústria argentina, preocupada com a invasão de produtos brasileiros, e três (autopeças, calçados e têxteis e confecções) estão sujeitos a licenças de importação não-automáticas. "O que se pretende, neste momento, é que os setores privados do Brasil e da Argentina busquem uma informação harmonizada em relação, por exemplo, ao tamanho do mercado argentino, à produção argentina, à importação desse produto não só do Brasil, como de outras regiões", explicou Ramalho. Segundo ele, os problemas enfrentados pela indústria argentina não necessariamente devem-se à concorrência de produtos brasileiros.
A lista de setores sensíveis apresentada pelo governo argentino inclui ainda eletrodomésticos (geladeiras, fogões, lava-roupas, ar condicionado, aparelhos de TV), máquinas agrícolas, produtos siderúrgicos e alumínio, elétricos (motores, transformadores, interruptores, celulares), papel e cartão, ferramentas e brinquedos. Todos devem ficar para novas rodadas de negociações setoriais. Havendo acordo entre os setores privados quanto a quantidades, por exemplo, o secretário acredita que o prazo das licenças não-automáticas de importação passe para cinco ou dez dias - tempo que, segundo Ramalho, atenderia às expectativas dos exportadores brasileiros.
A Organização Mundial do Comércio (OMC) autoriza prazo máximo de 60 dias para esse tipo de licença, mas fabricantes brasileiros denunciam demora ainda maior por parte da alfândega argentina. "Não se justifica sequer o prazo de 60 dias. Se tivermos um acordo em determinado setor em que fique pré-estabelecida a participação do produto brasileiro ao longo de todo o ano de 2009, bastará um monitoramento das operações", frisou.
Jornal Valor Econômico
Caderno: Especial
Superávit com Argentina cai a US$ 24 milhões
Janes Rocha
Com a forte queda do comércio bilateral, a Argentina está prestes a zerar seu déficit com o Brasil depois de cinco anos. O saldo mensal entre importações e exportações está negativo para a Argentina há 70 meses e vinha em alta no ano passado até julho, quando atingiu US$ 578 milhões. Depois começou a cair até chegar a fevereiro de 2009 a US$ 24 milhões, o nível mais baixo desde junho de 2003. No acumulado de 2008, o déficit da Argentina no comércio com o Brasil atingiu o recorde de US$ 4,3 bilhões.
A redução do saldo negativo poderia ser uma boa notícia para os argentinos se não fosse reflexo de uma queda pela metade do fluxo comercial com o Brasil, seu principal parceiro comercial, situação acirrada pela crise econômica mundial que chegou à América Latina. Também é resultado de uma série de barreiras à entrada de uma enorme lista de produtos importados, muitos dos quais procedentes do Brasil. As barreiras já afetam 15% do comércio entre os dois países.
Na próxima semana, empresários brasileiros vão se encontrar com seus pares em Buenos Aires para discutir uma solução para a retomada do fluxo do comércio e, ao mesmo tempo, discutir os limites impostos pelos argentinos. O setor de máquinas agrícolas argentino quer manter o controle das importações brasileiras só até que haja uma melhora das vendas. Já o setor têxtil fala em manter a proteção por mais dez anos.
Jornal Valor Econômico
Caderno: Especial
Sete setores vão negociar na próxima semana
Sergio Leo
Serão sete os setores industriais que se reunirão no dia 25 para decidir acordos de limitação de comércio entre Brasil e Argentina, anunciou ontem o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Ivan Ramalho. Dois setores são de interesse da indústria brasileira: vinho, cujos produtores querem um acordo de "preços mínimos" com os concorrentes vizinhos, e o setor de farinha de trigo, que, baseado em estatísticas sobre ocupação do mercado, quer limitar o volume de importações do produto argentino. Os argentinos, segundo o governo brasileiro, querem acordo para calçados, têxteis e confecções, motocicletas, autopeças e móveis. Pelo lado argentino, a indústria inclui máquinas agrícolas na lista.
A lista de indústrias que se sentem ameaçadas pela concorrência entre sócios do Mercosul é bem mais extensa, chega a pelo menos 16 produtos sobre os quais brasileiros querem impor restrições de importação, e a 37, no caso dos argentinos. Os brasileiros continuam sujeitos a licenças de importação não automáticas na alfândega argentina, que, segundo Ramalho, tem levado, em alguns casos, bem mais que os 60 dias de prazo previstos como máximos pela organização Mundial do Comércio (OMC). Esses produtores serão objeto de outra reunião.
Jornal O Estado de S. Paulo
Caderno: Economia
Brasil busca independência do trigo argentino
Governo lança plano de plantio de trigo no cerrado, que deverá afetar as exportações da Argentina para o Brasil
Denise Chrispim Marin e Fabíola Salvador
Cerca de 10% das exportações argentinas ao Brasil podem evaporar até meados da próxima década. Diante da incerteza sobre as safras de trigo e sobre a capacidade argentina de exportação do produto, o governo brasileiro decidiu impulsionar a produção no cerrado, tendo a autossuficiência como meta. Na semana que vem, o Ministério da Agricultura vai anunciar um pacote de estímulo ao plantio, que prevê o aumento entre 10% e 15% no preço mínimo do cultivo de trigo da região. Em quatro anos, o governo espera que a colheita de trigo no País alcance sete milhões de toneladas - 70% do consumo nacional.
"O trigo sempre foi usado pelo Brasil como moeda de troca para a indústria vender seus produtos para a Argentina, principalmente os da linha branca", disse Julio Cesar Albrecht, pesquisador da Embrapa Cerrados, sobre um dos pontos sensíveis do comércio bilateral entre Brasil e Argentina. "Agora, em médio e longo prazos, o governo aposta na expansão do trigo no cerrado."
A Embrapa Cerrados trabalha no melhoramento genético de sementes de trigo, para adaptá-las à região, desde os anos 70. Para a safra de 2006, duas novas sementes - BRS 254 e BRS 264 - mostraram-se produtivas. Em 2008, a semente BRS 254 permitiu uma colheita de 7,6 toneladas por hectare, e a BRS 264, de 6,5 toneladas por hectare.
Na última safra, as lavouras da região se estenderam por 55 mil hectares, com uma produção de cerca de 500 mil toneladas. Além da alta produtividade, a produção no cerrado tem a vantagem de ser colhida na entressafra, em agosto, o que permite a venda por melhores preços.
NÚMEROS
7 milhões de toneladas de trigo é a meta de produção em 4 anos
US$ 1,64 bilhão foi quanto as exportações do produto renderam à Argentina em 2008
10% das exportações argentinas ao Brasil podem ser comprometidas