08.12.2009

 

Jornal "Correio Braziliense"

 

Caderno: Mundo

 

Senado vota adesão

Apesar dos últimos adiamentos com o aval do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), os senadores não devem escapar amanhã da votação sobre a entrada da Venezuela no Mercosul. É o que espera o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), que conta com a aprovação do país no bloco. O tema foi aprovado pela Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado depois da insistência do Planalto, mas ficou travado no plenário por causa das polêmicas declarações do presidente venezuelano, Hugo Chávez, de preparar-se para uma guerra contra a Colômbia. Os senadores que já viam a entrada da Venezuela no Mercosul com ressalvas postergaram a votação em duas ocasiões.

 

Jornal "Valor Econômico"

 

Caderno: Especial

 

Brasil cede e Mercosul prorroga listas de exceção à TEC até 2011

Daniel Rittner, de Montevidéu

Por pressão da Argentina, o governo brasileiro concordou em adiar o fim das listas de exceção à Tarifa Externa Comum (TEC), pilar da união aduaneira no Mercosul. Na abertura da 38ª reunião de cúpula do bloco, a decisão evidenciou as dificuldades dos quatro sócios em acertar a uniformização das alíquotas cobradas de produtos importados. Em vez de terminar em dezembro de 2010 e de forma gradual, conforme haviam prometido dois anos atrás, os países do Mercosul resolveram extinguir o mecanismo apenas em dezembro de 2011 e de uma só vez.

 

Ministro quer ampliar comércio com moedas locais

De Montevidéu

Em uma situação irônica no Mercosul, que quase implodiu na virada da década por causa da desvalorização do real e do peso, a fragilidade do dólar tornou-se o principal ponto de discussão dos representantes de ministérios de Economia e dos bancos centrais do bloco. As maiores preocupações giraram em torno de seus efeitos para o comércio exterior e para o valor das reservas internacionais mantidas por Brasil e Argentina.

O ministro argentino da Economia, Amado Boudou, pediu a ampliação dos sistemas de pagamento de importações em moedas locais e dos "swaps" cambiais entre bancos centrais da região. O comércio sem uso do dólar abrange atualmente 2% das operações entre Brasil e Argentina.

 

Uruguai busca alternativas para linha de transmissão

De Montevidéu

O Uruguai vive um apertado equilíbrio entre oferta e demanda. Tem capacidade para gerar 2 mil megawatts (MW) de energia, mas precisa recorrer constantemente à importação de eletricidade dos países vizinhos para evitar apagões. Do Brasil, costuma comprar 72 MW médios nos períodos de cheia dos reservatórios das hidrelétricas. Um projeto acertado entre os dois países aumentaria essa capacidade para 500 MW, por meio de uma nova interconexão da rede elétrica. Seria construída uma linha de transmissão de Candiota (RS) à cidade uruguaia San Carlos, nas proximidades de Punta del Este. O projeto seria integralmente financiado pelo Focem, mas a Argentina vetou a ideia.

O presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, telefonou no mês passado ao colega Luiz Inácio Lula da Silva para pedir uma nova forma de financiar o projeto, por meio do BNDES. Vázquez tem uma relação tensa e distante com o casal Néstor e Cristina Kirchner, da Argentina.

 

Forte na Argentina, "El Loco" joga duro com os brasileiros

De Buenos Aires

É com um incômodo frio na barriga que empresários e executivos entram no gabinete do secretário de Comércio Interior da Argentina, Guillermo Moreno, "El Loco", homem muito mais forte do que qualquer outro secretário e com atribuições muito além do comércio interior. Moreno é o idealizador das licenças não automáticas para frear importações do Brasil, responsável por medidas como a exigência de certificação para brinquedos, defende o jogo duro com o sócio do Mercosul e uma política do "dente por dente": a liberação de licenças somente se e quando os produtores argentinos garantem vendas de igual valor para o mercado vizinho, a fim de assegurar o equilíbrio da balança comercial.

Com executivos brasileiros, Moreno mantém uma relação normalmente cordial, mas nem sempre imune a hostilidades. Há alguns meses, chamou o diretor de uma companhia brasileira na Argentina para discutir o controle de preços e a expansão dos investimentos. O diretor o ouviu atentamente e terminou com a seguinte frase: "Tudo bem, secretário. Eu estou de acordo, mas essas coisas são decididas na matriz, no Brasil." É a resposta que Moreno odeia receber. "No dia seguinte, já pela manhã, dez fiscais da Afip (a Receita Federal argentina) estavam vasculhando papéis na empresa, tentando encontrar irregularidades tributárias", contou um alto executivo brasileiro.

 

Jornal "O Estado de S.Paulo"

 

Caderno: Internacional

 

Evo elogia Lula e reduz confronto com Brasil

Desde 2006, dependência boliviana da economia brasileira cresceu

Renata Miranda

Após sair vitorioso nas eleições de domingo na Bolívia, o presidente Evo Morales adotou ontem um tom mais conciliador no campo da política externa, afirmando que deseja ter boas relações com "todos os países do mundo". O líder boliviano ainda elogiou o colega brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, a quem qualificou de "o melhor presidente da América Latina", e garantiu que os tempos de confronto com o País sobre o gás natural ficaram para trás.

A mudança no discurso de Evo, segundo analistas, seria um dos indícios de que hoje, com a economia debilitada por falta de investimento no setor de hidrocarbonetos, a Bolívia tornou-se mais dependente do Brasil.

 

Caderno: Economia

 

Mercosul pode ter fundo soberano regional

Ministros de Economia dos países-membros aceitaram discutir o tema em reunião marcada para fevereiro de 2010

Denise Chrispim Marin, MONTEVIDÉU

Sob o temor de que a desvalorização do dólar em relação às demais moedas fortes provoque tensões nas economias do Mercosul, os ministros de Economia dos quatro sócios do bloco concordaram em analisar medidas comuns de administração das reservas internacionais e de mitigação dos riscos de volatilidade. Entre as ideias a serem consideradas em reunião marcada para fevereiro de 2010, está a criação de uma espécie de fundo soberano regional.

A inclusão do tema nas discussões de ontem, em Montevidéu, partiu do ministro de Economia da Argentina, Amado Boudou, ciente da presença do vice-chanceler canadense, Leonard Edwards. O Canadá foi convidado pelo governo uruguaio porque será a sede da próxima cúpula do G-20, grupo das economias mais ricas, que será em junho de 2010 em Toronto. Segundo Boudou, o Mercosul tentará fechar, em fevereiro, uma posição afinada para a reunião do G-20. Em especial, sobre a desvalorização do dólar.